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Veganismo: tudo que você precisa saber para ser vegano

Veganismo: tudo que você precisa saber para ser vegano

De famosos a populares, a adoção do estilo de vida vegano só tende a crescer, apontam pesquisas.

  É a “explosão vegana”. Virou febre nos restaurantes, em lojas de roupas, acessórios e até em fast foods. Mais de sete milhões de brasileiros declaram-se adeptos do veganismo. E esse público — assim como o mercado formado em torno dele — só deve crescer. É o que aponta a pesquisa feita pela plataforma “Uber Eats”.

Na pesquisa Uber Eats FoodCast, o sistema utilizado para prever o que estará em alta em 2019 encontrou os alimentos mais populares de 2018 na América Latina. Foram analisadas mais de 20 milhões de pesquisas no aplicativo em toda a região durante os últimos seis meses.

O resultado da pesquisa mostra o aumento do consumo de flores comestíveis (como lavanda e hibisco), comidas e bebidas à base de cânhamo, manaeesh, além de substitutos de carne como seitan e heme.

E há espaço para mais crescimento. De acordo com pesquisa feita pelo Ibope, 55% dos 2 mil entrevistados afirmaram que consumiriam mais produtos veganos se eles estivessem com rótulos bem informativos (e maiores), e 60% os comprariam se custassem o mesmo preço dos comuns.

Em geral, eles são mais caros; o que é compreensível quando levamos em conta que o consumidor também paga os custos do desenvolvimento dos produtos, sua embalagem e seu marketing. Confira alguns números dessa pesquisa:

Números do Veganismo no Brasil.
Números do Veganismo no Brasil.

Veganismo ou vegetarianismo: entenda a diferença

     Tanto o vegano como o vegetariano não adicionam proteína animal em seus cardápios, e por isso, é muito comum as pessoas se confundirem na hora de diferenciá-los. Veja a diferença:

  • Vegetariano estrito: Não consome nenhum alimento de origem animal, incluindo ovos, mel e laticínios.
  • Ovolactovegetariano: Consome ovos, laticínios e alimentos de origem vegetal.
  • Lactovegetariano: Consome laticínios e alimentos de origem vegetal, mas não consome ovos.
  • Ovovegetariano: Alimentação baseada em ovos e alimentos de origem vegetal, sendo proibido leite e derivados.

Quanto ao vegano, sua filosofia se assemelha ao vegetariano estrito, porém, ele também não compra produtos de origem ou testados em animais.

São completamente contra a exploração dos animais e tudo que envolva a prática, ou seja, além da alimentação, as suas roupas, acessórios, medicamentos, produtos de limpeza ou higiene pessoal são cruelty-free[1] (livre de crueldade).

Luisa Mell, vegana.
Luisa Mell, vegana.

     Luisa Mell, famosa vegana, ativista e defensora dos animais, explica: “O veganismo parte da consciência de que o consumo de produtos e alimentos de origem animal é cruel e desnecessário, prejudicando não só a saúde, mas também o meio ambiente, os animais e a própria sociedade.

Os principais motivos para uma pessoa se tornar vegana estão relacionados a princípios éticos e sociais e à preservação da saúde e do meio ambiente.”

Veganismo é Tendência mundial

     Não é só no Brasil que o veganismo têm crescido. O jornal inglês The Economist classificou 2019 como o “Ano Mundial do Veganismo”. De acordo com o relatório publicado, o veganismo está se tornando “mainstream”, e uma prova disso é como o mercado, em países como o Estados Unidos, já está começando a aderir à filosofia.

Atualmente nos Estados Unidos há 1,62 milhões de veganos. “As vendas de alimentos veganos nos EUA até julho de 2018 aumentaram dez vezes mais rápido do que as vendas de alimentos como um todo. Empresas veganas e não-veganas estão fazendo substitutos de carne que realmente parecem e têm gosto de carne”, enfatiza o The Economist.     

O mercado vegano suíço também está acompanhando a tendência. Em 2 de abril de 2019, a Nestlé anunciou o lançamento de uma linha vegana de hambúrgueres, a Garden Gourmet Incredible Burger. Feito de proteína de soja e trigo, com extratos de beterraba, cenoura e pimentão, o produto promete “o mesmo gosto de hambúrgueres tradicionais” de carne bovina.

McVegan, ou McVeggie.
McVegan, ou McVeggie.

     Além do conglomerado suíço, diversas empresas estão lançando produtos com o rótulo “vegano”. O McDonald’s, por exemplo, anunciou o hambúrguer vegano McVegan, lançado como experimento nas lanchonetes da Finlândia, em 2018.

No Brasil, apenas a versão vegetariana está atualmente disponível, o McVeggie. O Burger King, por sua vez, está testando a versão vegetariana Impossible Whopper, nas lojas dos Estados Unidos.

Questão de saúde

Nutricionista Adriana Santos.

     Inúmeros nutricionistas defendem que uma dieta vegana equilibrada é apropriada em todos os períodos da vida, inclusive na gravidez, lactação, infância e adolescência, assim como para os atletas. A nutricionista Adriana Santos é uma delas:

Tornar-se vegetariano ou vegano por si só não garante que uma pessoa seja saudável. Esses são apenas títulos que definem um estilo de vida, mas se a pessoa não for bem orientada, pode sim ter desnutrição, obesidade ou outras doenças, pois a dieta precisa ser bem equilibrada quanto à quantidade, suplementação se necessário e modo de preparo, já que os vegetarianos e veganos ingerem mais grãos, sendo necessário que estes sejam preparados da maneira correta para que os nutrientes sejam bem aproveitados, além do uso de orgânicos.

     Conforme relatório da Academia de Nutrição e Dietética, as opções vegetarianas e veganas podem até mesmo “proporcionar benefícios à saúde na prevenção e tratamento de certas doenças”, como diabetes tipo 2.

O sucesso dessas dietas está associado ao planejamento adequado, incluindo nas refeições alimentos ricos em cálcio, como cereais, verduras e frutas, bem como legumes e gorduras saudáveis.

Embora o veganismo implique em uma carência de vitamina B12, encontrada em alimentos de origem animal, isso não deve constituir problema para quem deseja aderir à dieta, pois a vitamina é facilmente acessível por meio de suplementos como pós solúveis, comprimidos, injetáveis ou alimentos enriquecidos.

     Os benefícios não param. Segundo estudo desenvolvido na Universidade de Oxford, se o mundo inteiro adotasse uma dieta vegana, mais de 8 milhões de vidas humanas poderiam ser poupadas até 2050: com a redução do consumo de carne vermelha e a diminuição de doenças cardíacas, câncer e diabetes, entre outras, a taxa de mortalidade cairia 51%.

Veganismo além da alimentação

     Com o aumento do número de pessoas aderindo ao estilo de vida vegano, várias empresas começaram a olhar com atenção para esse “novo” potencial mercado. Naturalmente, o setor da alimentação foi o que mais ganhou força para o público vegano.

Porém, além da indústria alimentícia, empresas dos ramos de beleza e higiene estão lançando linhas veganas de seus produtos. É o caso da multinacional britânica Unilever, que recentemente lançou a linha de beleza “Love Beauty And Planet” que, conforme o site oficial, “foi criada com o único objetivo de deixar você mais bonita e cuidar com um pouco de amor do nosso planeta.”

Um dos produtos da linha, o shampoo Hope & Repair, é 100% vegano, é cruelty-free e sua embalagem é totalmente reciclável.  

     As redes sociais tem um papel fundamental para a popularização do movimento. O Instagram por exemplo, conta com mais 830 mil publicações com a hashtag veganismo.

Em meio a fotos de bichinhos, textos inspiradores e depoimentos de quem aderiu ao veganismo, há também imagens e vídeos classificados como delicados pelo Instagram, pelo conteúdo forte que apresenta.

A maior parte das publicações, no entanto, é de refeições veganas compartilhadas pelos usuários. É fato que vivemos em uma sociedade que tem compulsão por compartilhar seus hábitos alimentares online, e as grandes empresas estão colhendo os frutos e lucrando bilhões com essa repercussão.

Impactos ambientais do consumo de carne

     O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), concluiu em 2013 que a alimentação vegana é a recomendada para a proteção da natureza.

A afirmação foi feita a partir de estudos onde ficou claro que o constante aumento de consumo de carne e laticínios é inviável à longo prazo pela sobrecarga que isso trará ao planeta, principalmente pelo gasto de água e espaço limitados na Terra.

Para cada quilo de carne se gasta mais de 15 mil litros de água, e cada quilo de soja, para a produção de ração, se gasta dois mil litros de água.

     O veganismo é uma alternativa para a preservação do planeta e é a maneira mais responsável de consumo. A vegana e ativista Luisa Mell concorda com os estudos feitos:

A indústria de produtos de origem animal provoca enormes impactos ao meio ambiente. Além da derrubada de grandes áreas de mata para a geração de pasto, ela é também responsável pelo derramamento de resíduos no mar, nos rios e nos lençóis freáticos. Dessa forma, essa produção contamina as águas, levando a população a sofrer com diversos tipos de doenças. A criação de gado e de outros ruminantes também produz um efeito devastador na atmosfera, devido à emissão de gases.

Combinado ao dióxido de carbono, o metano gerado pelos animais contribui consideravelmente para o agravamento do efeito estufa. Podemos falar também sobre a fome mundial. 51% dos grãos plantados no mundo são destinados a engordar animais para o abate. Grãos que poderiam alimentar milhões e milhões de pessoas se todos fossem veganos

Dicas para quem quer virar vegano

      De acordo com a nutricionista Adriana Santos, uma forma prática para quem deseja começar a seguir o vegetarianismo ou o veganismo é aderir à #segundasemcarne.

“A segunda sem carne é uma iniciativa da Sociedade Vegetariana Brasileira, encabeçada por Paul MacCartney e lançada no Brasil em 2009, que visa o bem estar das pessoas, dos animais e do planeta, incentivando todos a conhecerem novos sabores, começando por tirar a carne do prato uma vez na semana”, explica a nutricionista.

“É uma oportunidade de mostrar que temos sim muitos alimentos que podem substituir a carne com muitos benefícios para a saúde e sem prejuízo ao planeta e aos animais”. Uma segunda dica é visitar perfis online de usuários adeptos ao veganismo e que compartilham suas receitas.

O Instagram da nutricionista Adriana, @nutri_adrianasantos, está recheado de receitas fáceis e saborosas, bem como dicas para quem está começando no veganismo. No entanto, é sempre bom lembrar que nada substitui uma consulta médica profissional.

E pra quem ainda está precisando de um “empurrãozinho” para entrar de vez no veganismo, a terceira dica é assistir alguns documentários que abordam o tema. Veja alguns deles:

Documentários sobre veganismo

A Carne É Fraca

Um dos documentários mais fortes e realistas é uma produção brasileira que merece ser assistido. Produzido em 2005 pelo instituto Nina Rosa, “A Carne é Fraca” mostra de maneira clara e sem censura os efeitos que uma alimentação carnívora pode causar (desde o maltrato aos animais, até o enorme prejuízo ao meio ambiente).

A Carne é Fraca – filme completo disponível no Youtube.

BlackFish

Um documentário que irá abrir a cabeça para mostrar que o maltrato e crueldade aos animais não acontece somente para satisfazer o desejo do ser humano em comer carne.

Os documentaristas contam a história de Tilikum, uma baleia assassina performática, que matou várias pessoas em cativeiro. Por meio de imagens fortes e emocionantes entrevistas, revela a extraordinária natureza da criatura, o tratamento cruel que os animais recebem no cativeiro, as vidas e mortes dos treinadores, além das pressões da multibilionária indústria dos parques aquáticos.

https://www.youtube.com/watch?v=e0wSPqVxmyM

Blackfish filme completo disponível no Youtube.

Meet your meat

O filme curta-metragem (apenas 12 minutos) mostra como os humanos se tornaram dependentes da exploração cruel dos animais, em diversos aspectos.

Meet your Meat está disponível no Youtube, legendado em português.

Nele aborda-se a questão dos pet shops; das “fábricas” de filhotes; do abate para consumo; da criação de animais, preparando-o para virar comida; da utilização de peles em vestimentas; dos entretenimentos animais como os circos, rodeios e touradas; dos estudos que usam os animais como cobaias para experimentos científicos; e diversas outras práticas que levam os vegetarianos e veganos a não ingerirem a proteína animal.

What the health

O filme expõe a relação maliciosa entre a indústria de carne, leite e ovos e a indústria de remédios, e conta com diversos depoimentos de médicos que são unânimes em dizer: os produtos de origem animal estão diretamente ligados às maiores causas de morte precoce da atualidade. Disponível na Netflix.   

What the health filme completo disponível no Youtube.

Cowspiracy

Disponível na gigante do streaming Netflix, o documentário revela como a agropecuária intensiva está dizimando os recursos naturais do planeta e por que essa crise tem sido ignorada por grandes grupos ambientalistas. O filme aborda a importância do veganismo e os impactos da indústria agropecuária por uma perspectiva de denúncia.

Cowspiracy filme completo disponível no Youtube.

Ele ataca organizações ambientais de renome como Greenpeace e WWF por sua omissão quanto às consequências do consumo de carne.

Terráqueos

Terráqueos – Faça a Conexão é um documentário sobre a absoluta dependência da humanidade em relação aos animais (para estimação, alimentação, vestuário, diversão e desenvolvimento científico), mas também ilustra nosso completo desrespeito para com os assim chamados “provedores não-humanos”.

Terráqueos filme completo disponível no Youtube.

Impactante, não são todos que têm coragem (e estômago) para assisti-lo. Mas o esforço em assistir valerá a pena. Terráqueos é de longe o mais completo documentário já produzido sobre a conexão entre natureza, animais, e interesses econômicos. Há vários filmes importantes sobre os direitos dos animais, mas esse supera todos. Disponível em terraqueos.org.

Bônus: 5 curiosidades veganas

  • Na média, para cada 100 pessoas veganas, 78 são mulheres e 88 são homens.
  • Um vegano tem 4% de chance de ter um ataque cardíaco, um vegetariano 15% e um carnívoro 50%.
  • Na média, durante toda a vida, um vegano irá evitar a morte de 8 vacas, 36 porcos e 550 galinhas.
  • Pessoas que praticam uma dieta vegana tem em média níveis de colesterol 50% mais baixo do que pessoas carnívoras.
  • Dez atores do filme Os Vingadores são veganos ou vegetarianos: Benedict Cumberbatch (Doutor Estranho), Scarlett Johansson (Viúva Negra), Chadwick Boseman (Pantera Negra), Dave Bautista (Drax/ Guardião das Galáxias), Chris Hemsworth (Thor), Peter Dinklage (Eitri) e Danai Gurira (Okoye) são veganos, enquanto Mark Rufallo (Hulk), Zoe Saldana (Gamora) e Winston Duke (M’Baku) são vegetarianos.

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Por Rafaele Oliveira – Fala PUC


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