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Vamos falar sobre Damares Alves

Vamos falar sobre Damares Alves

Damares Alves, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, que sofreu abuso sexual na infância, mas, depois virou pedagoga, advogada e pastora evangélica, tem posicionamentos controversos

Por Anna Baisi – Fala!PUC

Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, ao longo dos cinco meses de gestão, acumulou bastante discussão e se tornou uma das figuras mais controversas do governo. Ela é uma das cabeças da rede nacional em defesa da vida e da família, que tem como uma das principais bandeiras a manutenção do aborto como crime e a defesa do que chama de família evangélica.

A  ministra da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, Damares Alves – Foto: Jorge William

Damares Alves é a atual ministra de um cargo importante representado no governo Bolsonaro, no qual é um órgão que trata de promover os direitos humanos no Brasil, englobando a formulação de políticas com ações voltadas aos direitos da família, e a defesa dos direitos da cidadania das com pessoas deficiência, dos negros e das mulheres, a família e os direitos humanos, a fim de assegurar a inclusão de todos na sociedade.

Mulher, mãe, educadora, advogada de formação, Damares operava como pastora evangélica e assessora parlamentar do senador Magno Malta, um dos articuladores da campanha do presidente Bolsonaro.

Histórico de Damares Alves

Nasceu no Paraná, Damares mudou-se com a família para o Nordeste. Ainda criança, viveu em três regiões diferentes: Bahia, Sergipe e Alagoas. Também morou em São Carlos, no interior paulista. Essas mudanças estão ligadas à profissão do pai, da Igreja Quadrangular.

Foi coordenadora do projeto educacional do Programa Proteger, organização criada por Guilherme Zanina Schelb, procurador regional da República no Distrito Federal e membro da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (organização da qual Damares foi Diretora de Assuntos Parlamentares), conhecido por defender o projeto apelidado “Escola Sem Partido”.

A partir de 2013, Damares tem se apresentado como advogada e mestra em educação, direito constitucional e direito de família, embora jamais tenha recebido título de mestrado e esteja suspensa da Ordem dos Advogados do Brasil.

Damares disse ter sido abusada por dois pastores quando era criança. Em entrevista à Universa, do portal Uol, ela contou detalhes sobre os abusos, falou que tentava dar “sinais” do que estava acontecendo, mas que ninguém notava.

“Fui abusada por dois religiosos. Da primeira vez, foi um missionário da igreja evangélica que frequentávamos na época, em Aracaju. Foram várias vezes em um período de dois anos. Começou quando eu tinha seis anos e a última vez que o vi estava com oito”.

“(O segundo) não foi às vias de fato. Me recordo de quatro momentos. Passava a mão no meu corpo, me beijava na boca, me colocava no colo. Uma vez ejaculou no meu rosto”, revelou Damares.

Ela diz ter se tornado uma criança introvertida depois dos abusos. “Me tornei uma menina triste. Antes dos abusos eu sentava no primeiro banco da igreja, cantava feliz, dançava. Depois, não cantava do mesmo jeito, não dançava. Virei uma criança retraída. Tinha pesadelos e gritava à noite”, contou.

Os Posicionamentos de Damares

Logo no começo do governo Jair Bolsonaro, dia 3 de janeiro, circulou um vídeo em que Damares diz aos que estavam presentes ter entrado em uma “nova era”, na qual “menino veste azul e menina veste rosa”. Segundo ela, foi uma metáfora sobre a ideologia de gênero.

Depois, entre muitos comentários fazendo um posicionamento sobre o assunto, a maioria deles era uma crítica à fala da ministra. “E pq a ‘ministra’ não está de rosa? Ela não é menina? Meninos e meninas vestem o que quiser, são o que quiserem ser e vão gostar daquilo que sentirem atração, não há ministra ou presidente nesse mundo que irá mudar a sexualidade de alguém. Muito menos com cores determinadas pela sociedade”, escreveu uma usuária da rede social.

Depois do anúncio do cargo como ministra, Damares afirmou que a prioridade na pasta vai ser a ação de políticas públicas, que não tem chegado as mulheres, com foco em mulheres ribeirinhas, pescadoras, catadoras de siri, quebradoras de coco. “Essas mulheres que estão anônimas e invisíveis virão para o protagonismo nesta pasta”.

Ela afirmou que “nenhum homem vai ganhar mais que uma mulher quando os dois exercerem a mesma função”. Falou também que deseja construir um governo de paz com todos os setores da sociedade, incluindo os movimentos LGBT.

Damares também expôs “ser a favor da vida”. Quando questionada sobre o direito ao aborto, disse ser completamente contra. A declaração dela prossegue “a legislação que está aí já contempla os cargos previstos. Eu acredito que isso é um tema do congresso nacional. A legislação não precisa ser alterada”.

A ministra já fez declarações controversas: “Me preocupo com a ausência da mulher de casa. Hoje a mulher tem estado muito fora de casa. Costumo brincar como eu gostaria de estar em casa toda a tarde, numa rede, e meu marido ralando muito, muito, muito para me sustentar e me encher de jóias e presentes. Esse seria o padrão ideal da sociedade”, entrevista que saiu 8 de março, dia das mulheres, em 2018.

Em uma outra ocasião, ela já falou contra o movimento feminista brasileiro e contra uma suposta ideologia de gênero ensinada nas escolas.

Ainda como pastora, chegou a afirmar que o Brasil vivia uma “ditadura gay” e que a Igreja perdeu espaço na ciência quando deixou a teoria da evolução entrar nas escolas.

Católicas pelo Direito de Decidir

Um movimento político de cunho internacional que se articula em organizações não governamentais (ONG) em 12 países pelo mundo, “Católicas pelo Direito de Decidir”, trabalham para provocar mudanças na cultura, de modo que desconstrua a mentalidade conservadora e preconceituosa que impede os avanços nos direitos humanos das mulheres.

Esse movimento não defende contra a legalização do aborto, ao contrário de Damares Alves, mas sim, o que esperam é garantir condições de segurança e saúde, quando uma mulher chega a abortar. Os países que implementaram essa lei como, por exemplo, o Uruguai, mostram em suas estatísticas uma queda significativa nos índices de morte materna e número de abortos.

 Em maio de 2019, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos expressou angústia com os números da violência contra a mulher. Ao citar que a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil, Damares afirmou, como ministra da área, que está desesperada com os dados encontrados.

“Não dá mais para suportar os números de violência contra a mulher”, fala. No entanto, mesmo ao se dizer aflita, Damares também afirmou acreditar no avanço do tema. “Os números nos assustam, mas estamos construindo uma nova nação. Estamos sonhando com uma nação que a mulher será protegida”, disse.

 Entretanto, o movimento social “Católicas pelo Direito de Decidir” diz que “os ativistas conservadores não hesitam em utilizar discursos religiosos que possam legitimar e normatizar comportamentos desde uma perspectiva ligada à moral sexual tradicional”.

Dessa forma, para que as políticas públicas que protegem a mulher evoluam, os dados mostram que é necessário mais segurança e saúde, independente da religião, ainda mais pelo Estado ser laico, e Damares Alves, que usufrui de um cargo importante, faça seu papel como ministra em garantir defesa e proteção aos direitos dos cidadãos, das mulheres e da família.

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