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Vamos a Pé – Mobilidade Urbana em São Paulo

Vamos a Pé – Mobilidade Urbana em São Paulo


São Paulo, a Selva de Pedras, uma metrópole espraiada conectada por asfalto. Nessa equação, os automóveis possuem prioridade e os pedestres são meros coadjuvantes. Apesar disso, andar é o meio de transporte mais utilizado. Na região metropolitana de São Paulo, 31% das viagens são feitas exclusivamente a pé, segundo a Pesquisa Origem Destino.

Iniciativas como a ONG Corrida Amiga e o Estatuto do Pedestre lutam pela reapropriação do espaço público, que historicamente foi entregue aos motorizados. “Com a chegada dos carros, a gente deixou de discutir os fluxos a pé, imaginando que todo mundo em um certo momento circularia só de carro, mas essa cidade não é possível”, ressalta o vereador e pesquisador social José Police Neto (PSD), um dos autores do Estatuto do Pedestre.

Police Neto é uma das vozes que está repensando o andar a pé na capital paulista – Foto: Augusto Oliveira/OBORÉ

São Paulo é a cidade com maior frota de veículos do país. Esse desenvolvimento rodoviário foi impulsionado pelo arquiteto e engenheiro civil Prestes Maia, que foi prefeito da cidade em três ocasiões, de 1938 a 1965. Inspirado pelos modelos europeus, o político transformou a Terra da Garoa em um anel viário. Isso acelerou a produção industrial, porém acarretou em grandes problemas urbanos como congestionamento e poluição do ar.

Taxistas lotam a rua Taguá, bairro da Liberdade, em protesto contra o aumento dos preços da gasolina em janeiro de 1963 – Foto: Acervo/Estadão.

Com esse desenvolvimento, a cidade contemplou os automóveis. Os semáforos dão prioridade ao fluxo veicular. Em um teste realizado pela Folha de S.Paulo, a espera média em um semáforo é de quatro minutos. Já para atravessar, o pedestre conta com cinco segundos e mais dez em vermelho piscante. “Mudar esse desenho não é fácil, contudo é algo necessário para a saúde da cidade”, revela Police Neto.

Para estimular as pessoas a andar, a gestora ambiental Silvia Stuchi Cruz criou a ONG Corrida Amiga, que orienta as pessoas a adotarem a corrida no dia-a-dia. “Nós mostramos a viabilidade de um transporte primordial que estava esquecido. É uma questão que deveria ser óbvia para todo mundo, mas não é”, expõe em entrevista à Revista Apartes.

O grupo Corrida Amiga despontou em 2013 discutindo andar a pé como meio de transporte – Foto: Reprodução/Corrida Amiga.

Embora esse movimento seja forte, as ações do Estado ainda continuam contemplando o ideal automobilístico ultrapassado da São Paulo do século XX. A Ponte Estaiada, por exemplo – Ponte Octávio Frias de Oliveira –, permite a passagem apenas de motorizados. “Eu não posso construir a cidade do futuro ignorando a participação do pedestre. Dessa forma, eu não estou construindo a cidade que as evidências apontam”, afirma o político Police Neto.

A caminhada é um meio de transporte, e como tal precisa de proteção. O Estatuto do Pedestre tramita na Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) propondo travessias mais seguras, sistema de sinalização, iluminação adequada, e outras melhorias. Esse projeto aprimoraria a infraestrutura para mobilidade a pé e coloria o pedestre no centro da elaboração de políticas públicas.

Andar a pé é o exercício mais natural, que, além de saúde, “desperta um outro olhar nas pessoas sobre a cidade”, diz Silvia, criadora da ONG Corrida Amiga. O vereador José Police Neto, defensor das micromobilidades, declara que é preciso estudar e respeitar as decisões de trajeto de pessoas. “Quando eu tenho a informação preciosa de fluxo, eu consigo monitorar as obrigações e desenvolver políticas públicas voltadas para esse público”, conclui.

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Por Matheus Menezes – Fala! Anhembi

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