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Universitários Organizam Debate com Candidatos à Prefeitura de São Paulo

Universitários Organizam Debate com Candidatos à Prefeitura de São Paulo

O debate aconteceu nesta quinta (15), no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado. O evento foi organizado pelo movimento “Universidade Vai às Urnas”, que é composto por 11 instituições acadêmicas de algumas das principais universidades de São Paulo: USP, Mackenzie, ESPM, FGV, Insper e Cásper Líbero.

Compareceram ao debate o candidato à prefeito Ricardo Young (REDE) e os candidatos à vice-prefeitura Gabriel Chalita (PT) e Andrea Matarazzo (PMDB), representando respectivamente Fernando Haddad e Marta Suplicy. Major Olímpio (SDD) e Celso Russomanno (PRB) não responderam ao convite. Já Luiza Erundina (PSOL), que estava confirmada até o momento do debate, não compareceu e nem notificou a organização estudantil pelo motivo de sua ausência. 

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Meme publicado no evento do Facebook sobre o debate.

 

João Doria (PSDB) também não compareceu, mas afirmou que estava acompanhando o debate via Facebook, por onde estava sendo transmitido ao vivo na página do Catraca Livre pela plataforma ClapMe.

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Meme publicado no evento do Facebook sobre o debate.

 

Mediado pela jornalista da CBN Fabíola Cidral, o debate seguiu o modelo tradicional de réplica e foi dividido em cinco partes: as duas primeiras foram reservadas às perguntas da organização Universidade Vai às Urnas, seguidas por questões enviadas pelo público e depois o embate direto entre os candidatos presentes. A quinta parte, enfim, consistiu em perguntas e respostas no estilo “pingue-pongue”, a fim de que os candidatos respondessem diretamente a um maior número de questionamentos fundamentais.

Foram abordados assuntos como o papel da Guarda Civil Metropolitana na cidade, o impacto da Operação Lava-Jato nas eleições municipais e as propostas dos candidatos acerca da pasta de Direitos Humanos. Ainda foram discutidos temas pertinentes à população paulistana como educação, saúde, habitação e transporte, tal qual questões polêmicas como o aumento da velocidade nas marginais, no caso de uma nova gestão, sendo este o ponto mais abordado pelos candidatos.

Além de temas ligados às propostas de cada um dos candidatos, foram levantadas questões sobre o universo da política em geral, como formas de financiamento de campanhas, a correspondência dos candidatos com os seus partidos, a relação dos jovens com a política nos dias atuais e também críticas à dinâmica dos partidos brasileiros, como a ausência de projetos unificados e a perda da essência da função de cada cargo político. Por diversas vezes, deixaram claro que a reforma política é mais do que necessária, especialmente nesse momento de tensão e incerteza no campo governamental brasileiro.

Os três representantes lidaram com as perguntas com muito senso de humor, rebatendo as farpas e dando respostas cordiais às perguntas dos concorrentes, apesar de deixarem transparecer o sarcasmo ao falar de algumas das propostas de governo, como a de Doria sobre a privatização dos corredores de ônibus. O debate teve um tom leve, a juventude e os candidatos souberam conversar de tal forma que os momentos de descontração e risadas permearam as duas horas de argumentação, tornando a conversa quase amigável. Quase.

Ainda assim, não faltaram oportunidades para que cada um dos candidatos pudessem promover, sutilmente, através de comentários e réplicas, questões que despertaram dúvidas e reflexões sobre os programas propostos pelos demais. Foi o caso de Ricardo Young, que confrontou Chalita abertamente durante o terceiro bloco, afirmando que sua descrição do governo Haddad foi “quase comovente, levando em consideração que muitas destas medidas não foram colocadas, de fato, em prática”.  Além disso, o candidato da Rede não deixou de ironizar Matarazzo e sua recente mudança ao PMDB, levando em consideração os atuais escândalos envolvendo o partido e, principalmente, a ascensão de Michel Temer de vice-presidente a presidente.

“Será que existe a expectativa de você governar os últimos dois anos?”

Alfinetou Young, depois de questionar a decisão de abandonar a candidatura a prefeito pelo PSD e se tornar candidato a vice de Marta.

Em resposta às críticas, tanto Chalita quanto Matarazzo souberam reformular seus discursos, rebatendo as afirmações feitas com maestria. O candidato à vice-prefeitura do PT disse ser injusta a colocação do concorrente, e argumentou a favor da atual gestão explicitando a dificuldade de medir os efeitos das ações a curto prazo, dando ênfase para a coragem de implementação de tais políticas públicas. Já Matarazzo, expôs a dificuldade de encontrar opções de partidos para filiação, e acrescentou que apesar de a proposta de Marta estar inteiramente alinhada a seu posicionamento, a candidata será a titular durante os quatro anos de governo.

Os estudantes interagiram com o debate, manifestando apoio em momentos cruciais da discussão e respeitando a fala de cada um dos candidatos, contribuindo assim para que nenhum incidente ou situações de tensão interferissem na ótima fluidez e espontaneidade do evento. Os comentários de Cidral também foram essenciais para a manutenção de uma conversa articulada e bem-humorada, com pontuações pertinentes e informações a aumentar a densidade das argumentações.

De grande importância à candidatura de Ricardo Young, que não participa dos debates em emissoras de televisão e ganhou destaque como o único candidato presente, o evento também foi de copiosa valia para Marta e Haddad, que mesmo ausentes, enviaram seus vices e demonstraram consideração para com a organização, além de colocarem os holofotes nos candidatos a vice-prefeitos em um momento de discussão sobre o papel do vice nos cargos políticos e seus desdobramentos.  Para os candidatos ausentes, entretanto, a falta de explicações não foi bem recebida pelo público, que esperava um maior leque de opiniões e propostas, além do interesse de um diálogo aberto com os universitários.

Para além da relevância para as candidaturas, o evento, muito bem organizado pelos centros acadêmicos universitários, consolidou-se como uma grande oportunidade de mostrar o interesse dos jovens estudantes na construção do cenário atual, ampliando a participação destes nos processos que envolvem o futuro da política e abrindo espaço para o diálogo, visando mudanças significativas no horizonte democrático brasileiro.

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Por: Camille Carboni, Khaila Garcia e Larissa Bomfim – Fala!Cásper

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