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No caminho da União Européia: a ascensão da direita na Polônia

Giovanna Stival – Fala!Cásper

 

No começo do ano, o Senado polonês aprovou uma polêmica lei que pune com até três anos de prisão o uso da expressão “campos de concentração poloneses” para se referir aos locais onde eram realizados extermínios de judeus no território sob dominação nazista, apenas uma das medidas da chamada “contrarrevolução cultural” que o governo do partido Lei e Justiça (PiS) sancionou no país desde que assumiu o poder em dezembro de 2015.

Entre as mudanças, o novo currículo escolar (que prioriza a história nacional), o ataque às políticas da União Européia e os programas sociais contra a imigração estão despertando um nacionalismo conservador que guia o país do centro-europeu a uma séria polarização que provoca retrocessos nas liberdades individuais e institucionais.

Além disso, o atual governo diminuiu o apoio monetário a organizações de direitos civis, eliminou qualquer política de educação sexual das escolas, retirou o financiamento para tratamentos de reprodução assistida e limitou o acesso à pílula do dia seguinte. O PiS ainda aceitou revisar e endurecer os direitos ao aborto em nome das organizações cristãs do país, apesar de ser um dos mais restritivos da União Europeia quanto à legalidade do método.

Manifestações na Polônia contra o endurecimento da lei do aborto (Foto: La Hora)

 

O líder do partido, Jaroslaw Kaczynski, afirma que a revolução patriótica em curso devolveu a Polônia a Deus através da política anti-liberalismo social ocidental e da guinada para a extrema direita. Para isso, os meios de comunicação foram transformados em formas de propaganda governamental e houve uma reforma judicial em que 40% dos juízes da Suprema Corte tiveram sua aposentadoria antecipada à força. A UE, e até o cantor Mick Jagger, da banda Rolling Stones, que disse em polonês durante um show em Varsóvia no domingo (08/07): “sou velho demais para ser juiz, mas jovem o suficiente para cantar”, lançaram procedimentos contra o autoritarismo instituído no país, mas os esforços foram em vão.

Apesar do abuso de poder, o partido Lei e Justiça sobrevive sob a fragmentação da oposição, uma intenção de voto de quase 40% e um clamor nacional pela ascensão que leva como lema a frase “Polônia para os poloneses”, usada em novembro de 2017 durante o dia da Independência em Varsóvia (evento organizado por grupos nacionalistas de extrema direita que contou com a participação de mais de 70.000 pessoas). Enquanto isso, os crimes de ódio continuam aumentando e não apresentam melhora desde que o conselho estatal encarregado de combater o racismo foi derrubado.

Foto: Cortesia/END

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