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Um fenômeno chamado Skam

Um fenômeno chamado Skam


Skam: a série norueguesa retrata a adolescência e se tornou um sucesso internacional

O nicho de conteúdo voltado para o público adolescente se manteve estável desde o fim dos anos 80, as chamadas de séries “teen” se tornaram populares a ponto de muitas virarem febre. A tentativa de retratar a juventude foi executada diversas vezes e, dentre as clássicas estão The OC, One Tree Hill, Barrados no Baile e Dawson’s Creek. Algumas das mais recentes são Gossip Girl, Glee, Skins, Elite, 13 Reasons Why e Sex Education.

Na maior parte dos casos (faço aqui uma exceção a já mencionada Sex Education) essas produções acabam recebendo muitas críticas, justamente por entregarem um conteúdo banal que não se assemelha com a realidade do seu próprio público. Tramas exageradas e improváveis acabam marcando a maioria das séries desse gênero, o que, com certeza, atrai o audiência, mas falha no aspecto de naturalidade.

 Em contrapartida a essa questão, o canal norueguês NRK lançou em 2015 uma série voltada para o público jovem com o intuito de, de fato, representar a realidade vivenciada pelos adolescentes atualmente. A série Skam trouxe diversas inovações em um formato de conteúdo simples e atrativo.

A produção teve quatro temporadas, sendo o último episódio lançado em junho de 2017, no auge de seu sucesso. A cada temporada, um personagem é posto como central, sendo eles, Eva, Noora, Isak e Sana, respectivamente. A grande explosão da série veio notoriamente na sua terceira temporada, que foi centralizada no personagem Isak e em seu romance com o jovem Even. O casal nomeado de “Evak” se tornou um grande sucesso na internet, o que fez com que a série ganhasse um reconhecimento mundial.

    A série se sobressai da descrição genérica ao carregar um diferencial autêntico na forma que reproduz ingenuamente a narrativa de seus personagens, trazendo situações cotidianas e de fácil identificação do público. A equipe de produção da série, conduzida pela criadora Julie Andem, se mostra cautelosa para que a história, de fato, se assemelhe com a realidade dos jovens.

Temas atuais e importantes como sexualidade, transtornos psicológicos, abuso sexual, relacionamentos tóxicos e preconceito com religiões fazem parte do núcleo principal da série, que triunfa nas abordagens e retratações dos mesmos na vida dos jovens protagonistas, sem deixar de realçar a cultura norueguesa.

    O formato diferenciado de exibição da série também foi um ponto que chamou a atenção. Os episódios eram divididos em trechos, lançados durante a semana na plataforma digital do canal, a NRK P3, e condiziam com a data e hora em que eram publicados, simulando que os acontecimentos da trama estivessem ocorrendo naquele mesmo momento na vida real. Para acentuar o aspecto de interação, os personagens da série possuem perfis na plataforma do Instagram e suas publicações eram postadas simultaneamente com os acontecimentos dos episódios.

    A série foi finalizada em sua melhor fase por escolha da própria criadora, que afirmou que seria o momento adequado para encerrá-la. Pouco antes da série acabar, a produtora foi atrás de vender os direitos da trama para variadas emissoras em outros países, na intenção de que diversas localidades tivesse uma versão da série adaptada a sua realidade. 

    Apesar de não terem o mesmo impacto que o conteúdo original, é interessante a maneira que a mesma história é moldada para diferentes culturas. Até agora, já foram lançadas as versões de remakes na França, Alemanha, Itália, Estados Unidos, Espanha, Bélgica e Holanda. Em agosto deste ano, o site POPTime divulgou que a MTV Brasil comprou os direitos para produzir uma versão brasileira da série.

    De maneira geral, Skam consegue mostrar essa fase da vida com transparência e naturalidade, fazendo um retrato sensato da adolescência. Sem se esquivar para roteiros previsíveis e tramas saturadas, a série traz consigo um tom de realidade e autenticidade que permite ao espectador se identificar com seus elementos de forma pura e honesta.

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Por Maria Luiza Priori – Fala! Mackenzie

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