Menu & Busca
Thiago Torres, um Chavoso na USP

Thiago Torres, um Chavoso na USP


Thiago Torres tem 19 anos e é morador da Brasilândia, localizada na periferia de Guarulhos. LGBT de estilo “chavoso”, um clássico das redondezas da cidade de São Paulo, Thiago estuda Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, a USP.

Com todos os déficits da educação brasileira e a elitização das faculdades públicas, o grau de dificuldade para quem mora na periferia ingressar em alguma instituição de qualidade é bem alto. Mas Thiago, apesar dos obstáculos, garantiu sua vaga na faculdade bem como seu lugar de fala, representando a minoria e levantando a sua voz nas redes sociais sobre a desigualdade social presente nas universidades.

Thiago Torres é um chavoso na USP - Foto: Jeferson Delgado
Thiago Torres é um chavoso na USP – Foto: Jeferson Delgado

“Se não houvesse universidade pública, eu não estaria graduand, porque não tenho como pagar” – confessa Thiago em entrevista para o Portal Kondzilla.

Relato de Thiago nas redes sociais.

Desde criança, Thiago foi um menino curioso e um ótimo aluno, tendo apreço por estudar.

“A culpa é do meu pai. Ele sempre viu os estudos como forma de ascensão social, então eu sempre tive essa pretensão de fazer faculdade, só não sabia como, se ia ser pagando ou de graça” – contou ele.

No Ensino Fundamental, os professores de sua escola apresentaram-lhe a opção da universidade pública, e desde então ele se interessou. Quando chegou no Ensino Médio, Thiago descobriu uma maneira de aprimorar seus estudos e adentrou no cursinho pré vestibular de sua quebrada, o GEVA. O cursinho visa dar apoio para a galera da periferia que deseja entrar em alguma universidade pública.

Em 2017, na primeira tentativa, Thiago conseguiu ingressar na faculdade pela nota do ENEM. Ele já havia escolhido o curso de Ciências Sociais desde o primeiro ano do ensino médio, por ter afinidade com um senso de justiça e a luta contra as várias formas de opressão e discriminação.

“O que me salvou foi minha redação. Eu tirei 920, então somou bastante na minhas outras notas. Graças a Deus. Fiquei sem acreditar, demorou muito tempo pra ficha cair, até por que eu não tinha a noção concreta do que é a USP, eu nunca tinha vindo aqui, de Guarulhos pra cá é longe demais”.

Apesar de seu esforço, o jovem não gosta que usem sua vivência como exemplo de meritocracia. “Não basta apenas se esforçar, tem muita coisa que faz diferença no caminho” comenta ele.

“Quem nasce com grana tem dezenas de privilégios na nossa frente, aqui a grande maioria nem precisa trabalhar, apenas focam nos estudos”. Enquanto se preparava para o vestibular, Thiago estagiava em um estúdio de dança, fazendo um pouco de tudo. Depois, conseguiu um estágio em um cartório, e hoje em dia concilia os estudos da faculdade com um trabalho de Jovem Aprendiz.

O estudante conta também sofrer preconceitos na universidade pelo modo que se veste, recebendo olhares tortos, deboche, além de ter a inteligencia subestimada.

“Manter essa graduação já é um grande desafio. Hoje quero me formar e, assim que terminar, quero dar aula, ser professor de Sociologia da escola pública de quebrada pra continuar o trabalho de dialogar com os meus. Assim como eu tive professores que me incentivaram, quero ser incentivo para outros alunos, e mostrar que existem outros caminhos e que não se perde estudando. O conhecimento adquirido através da educação é a única forma de emancipar o pobre “

________________________
Por Brenda Umbelino

Quer se tornar um colaborar e escrever para o fala?
Saiba como

0 Comentários

Tags mais acessadas