Uigures e sua possível extinção pelo governo chinês; compreenda
Menu & Busca
Uigures e sua possível extinção pelo governo chinês; compreenda

Uigures e sua possível extinção pelo governo chinês; compreenda

Home > Notícias > Política > Uigures e sua possível extinção pelo governo chinês; compreenda

Em Xinjiang, na China, milhões de uigures, minoria muçulmana habitante da região, estão sendo mantidos cativos em campos de concentração. Essa perseguição é justificada pela “guerra ao terrorismo” e os uigures estão sendo tratados como ‘inimigos do Estado”.

Desde 2017, os uigures são arbitrariamente aprisionados e levados aos campos, onde são torturados, usados para experimentos humanos, mulheres são estupradas e obrigadas a se casarem com um chinês Han. A guerra ao terror que a China está empreendendo em Xinjiang trata-se de uma maiores e menos divulgadas crises humanitárias da atualidade.

uigures campo de concentração na China
Os uigures são uma minoria muçulmana que vive em Xinjiang, na China. | Foto: Reprodução.

O governo chinês e os uigures

Os uigures se veem culturalmente e etnicamente ligados à Ásia Central, sua língua é parente da turca, por isso, não se identificam com o restante dos chineses. A etnia han, que é a predominante na China, compõe cerca de 40% da população de Xinjiang, enquanto 45% são uigur. No início do século 20, foi declarada a independência da região; portanto, oficialmente, é um território autônomo. Porém, em 1949, passou a ser controlada pela China Comunista.

Pequim alegou que militantes uigures realizaram campanhas violentas pela independência de Xinjiang, com ataques a bomba. Desde 2001 e a declaração da “guerra ao terrorismo”, a China vem acusando os separatistas de manterem ligações com a Al-Qaeda, mas até hoje não há nenhuma confirmação disso.

Os grupos militantes uigures, apesar de existirem, são poucos, pequenos, fracos e não apresentam muita ameaça ao Estado chinês. A maioria deles é movida por questões locais e não possui nenhuma aliança internacional.

Uigures
Uigures podem ser extintos pelo governo chinês. | Foto: Getty Images.

Reações à política chinesa e aos uigures

O diretor para a Ásia Oriental na Anistia Internacional, Bequelin, mostrou sua indignação com as autoridades chinesas.

O discurso da guerra ao terror beneficiou imensamente os chineses. Houve uma guinada de 180 graus no discurso do Estado chinês a respeito de suas possibilidades em Xinjiang: se antes minimizava e tentava esconder, agora denomina seus esforços e a supressão de qualquer forma de divergência de ‘contraterrorismo’.

Dissertou. 

Além de Bequelin, diversos analistas dizem que a China exagerou ao utilizar a ameaça de separatistas para justificar a repressão na região. Xinjiang é um território extremamente útil e vantajoso para a nação. É uma das principais fontes de petróleo, gás, carvão, ferro e ouro do país, além disso, possui uma rica agricultura.

Ademais, a localização também é benéfica, pois, antes, servia como defesa contra a União Soviética e, agora, serve como uma divisória às repúblicas muçulmanas vizinhas. Portanto, o Estado chinês está dizimando uma etnia toda por recursos e capital.

Uigures e acusações da China

Há anos, uigures são presos ou precisam buscar asilo no exterior por serem acusados de terrorismo. Os principais motivos para as detenções são o uso de locais não autorizados para orações, vestir um véu no rosto, ter uma barba longa, praticar ou ter familiares com tradições religiosas, peregrinação não autorizada, possuir passaporte sem ter viajado e ter mais filhos do que permitido pela ditadura chinesa.

Documentos publicados pela imprensa norte-americana mostraram que, ao serem aprisionados, são submetidos a tratamentos para se livrarem do “vírus do extremismo religioso”.

O governo também é acusado de tentar diluir a influência uigur em Xinjiang, promovendo migrações em massa de chineses han para a região. Além das muitas atrocidades que são obrigados a passar, os muçulmanos também são forçados a gritar slogans do Partido Comunista, declarar lealdade exclusiva ao ditador chinês, Xi Jinping, e recebem lições sobre “os perigos do islã”. Esses imensos campos de internação foram classificados como uma espécie de “zona sem direitos”. 

Um milhão de pessoas estão passando por essa situação, sendo reprimidos e negados da sua própria identidade cultural. É um número absurdamente alto. Segundo a ONU, atualmente, há cerca de 11 milhões de uigures em Xinjiang, portanto, 1 em cada 10 deles são presos. Por isso, a revista estadunidense The Economist rotulou a China como “Estado policial” e a sua situação é considerada um “apartheid à moda chinesa”.

uigures na China
Os uigures não são bem vistos pelo governo chinês. | Foto: Reprodução.

Resposta mundial à política chinesa destinada aos uigures

O trabalho de jornalistas, tanto locais quanto estrangeiros, é monitorado pelas autoridades da China e existem poucos veículos de comunicação independentes na região. Por esse motivo, a situação dos uigures de aprisionamentos arbitrários em centros de contra extremismo não foi tão divulgada nos territórios chineses. Porém, as notícias de Xinjiang que são divulgadas internacionalmente não têm recebido atenção de nenhuma potência mundial.

O país recepciona diversos líderes políticos anualmente, incluindo de nações integrantes do Conselho de Segurança da ONU, mas nunca comentaram publicamente a questão dos uigures. Os governos dos países de maioria muçulmana também não expressaram sua indignação, os 57 estados-membros da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) ainda não fizeram nada para socorrer seus irmãos e irmãs de Xinjiang.

Atualmente, há uma falta de empatia sobre o sofrimento humano, mortes e conflitos estão sendo normalizados e a população encontra-se cada vez mais anestesiada.

A China está promovendo uma campanha violenta de limpeza étnica com características genocidas, submetendo os uigures à detenção em massa, tortura e lavagem cerebral. O mundo está assistindo a uma etnia inteira ser apagada e não está fazendo nada para impedir que isso aconteça. Enquanto os uigures enfrentam uma das maiores crises humanitárias da atualidade, o resto do planeta os recebe com um silêncio mortal.

__________________________________
Por Amanda Moraes – Fala! Cásper

Tags mais acessadas