UFRJ: Alunos apoiam gestão da universidade e criticam governo Bolsonaro
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UFRJ: Alunos apoiam gestão da universidade e criticam governo Bolsonaro

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A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das maiores instituições de ensino superior do Brasil, pode fechar suas portas em julho de 2021. Apesar de seu renome, a falta de verbas e o enxugamento do orçamento por parte do governo federal inviabilizam que a universidade mantenha as atividades em suas unidades.

Durante a pandemia da Covid-19, a instituição foi fundamental em relação ao enfrentamento. Dessa maneira, conforme a reitora, o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho integrou um CTI, com mais de 100 leitos de enfermaria para tratar a doença. Além disso, a UFRJ também foi peça essencial na pesquisa científica, já que reconheceu novas variantes do vírus e desenvolveu testes sorológicos.

Ainda, de acordo com a reitoria da universidade, o governo Bolsonaro bloqueou cerca de R$ 41,1 milhões do orçamento discricionário, que disponibiliza verba para bancar os gastos básicos, como água e luz. Sendo assim, entenda melhor por que a UFRJ pode encerrar suas atividades presenciais por completo.

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UFRJ pode fechar suas portas em julho; entenda os motivos a seguir. | Foto: Reprodução.

Por que a UFRJ pode fechar suas portas

Em um artigo publicado no jornal O Globo, a reitora e o vice-reitor da UFRJ, Denise Pires de Carvalho e Carlos Frederico Leão Rocha, confessam que a universidade pode fechar suas portas a partir de julho devido à falta de dinheiro e pela impossibilidade de pagamento das contas de luz, água e outras para manter o local funcionando.

Além disso, a reitoria alega que, em consonância a isso, o governo federal tem contribuído para que isso aconteça. Afinal, cortou verbas de maneira excessiva e o orçamento iguala-se ao de 13 anos atrás. Dessa forma, o menor orçamento em educação inviabiliza as atividades acadêmicas.

A UFRJ fechará suas portas por incapacidade de pagamento de contas de segurança, limpeza, eletricidade e água. O governo optou pelos cortes, e não pela preservação dessas instituições. A Universidade nem sequer pode expandir a arrecadação de recursos próprios, pois não estará garantida a autorização para o gasto. A Universidade está sendo inviabilizada

Reflete o artigo da reitora e do vice-reitor.

Mesmo que a reitoria tenha divulgado um artigo apontando o possível fechamento da universidade, ainda não se sabe se o ensino remoto será paralisado. A estudante de jornalismo da UFRJ, Ana Flávia Pilar, acredita que “os salários dos professores e o EAD serão mantidos”, uma vez que as unidades serão fechadas por falta de verba, além da falta de pagamento de água, luz e manutenção.

Vale ressaltar que, nesta quarta-feira (12), haverá uma coletiva de imprensa da reitoria, às 11h. A transmissão ao vivo ocorrerá no canal da UFRJ no YouTube.

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Coletiva de imprensa sobre a situação orçamentária da universidade. | Foto: Reprodução/UFRJ.

Universitários apoiam gestão da UFRJ e criticam governo Bolsonaro

Em uma entrevista com quatro estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, todos concordam que a gestão é boa e declaram apoiá-la. Além disso, acreditam que o maior problema foi o repasse de verbas do governo federal, que tem investido cada vez menos no setor educacional público.

A gente vê um grande descaso com a educação pública e com o fazer científico no Brasil. Cortes absurdos do Ministério da Educação, da União, que não atinge só os estudantes, corpo docente e servidores. O orçamento de 2021 da UFRJ é 38% do de 2012, surreal. E também tem o bloqueio de 18,4% desse orçamento aprovado. É um projeto de desmonte gradativo da educação pública: começa pela falta sabonete nos banheiros, depois com a diminuição do número de bolsas de auxílio, redução de ajudas de custo em projetos e agora, corre o risco do fechamento de uma Instituição centenária que é a UFRJ.

Ressaltou a estudante de jornalismo Ana Paula Jaume.

Ana Flávia Pilar cursa jornalismo e acredita que um problema da universidade é a sobrecarga das pessoas que ficam à frente da UFRJ. Com isso, a falta de recursos apenas realça ainda mais a situação.

Cada unidade tem seu diretor (…). Então, acho que este seria o ponto que eu mais destacaria: a questão da sobrecarga dessas pessoas que estão à frente da universidade. Eu acho que a universidade peca um pouco nesse sentido, não a universidade em si. Existe uma questão de falta de verbas, de falta de concursos.

Contou a aluna.

Por mais que as alunas ressaltem os prós da reitoria e da faculdade, um estudo divulgado na plataforma ArXiv indica que a energia foi utilizada de maneira ilegal. Conforme a pesquisa, ela foi usada para a mineração de criptomoedas e começou em 2018, sem o reconhecimento da instituição.

Adaptação à pandemia da Covid-19

Apesar de a universidade paralisar suas atividades em um primeiro momento, depois disso, correu atrás de ajustar as aulas de seus alunos. Assim, com a pandemia da Covid-19, a UFRJ decidiu priorizar aqueles que estavam prestes a concluir os cursos, o que atrasou o ensino dos demais estudantes.

Com a pandemia, demorou cerca de 6 meses até que as aulas retornassem de fato. Antes disso, já haviam atividades de projetos em andamento, eventos, reuniões (todos on-line). Só depois passamos a ter aulas, mas não era exatamente um período “oficial”, a continuação do curso. Eram matérias complementares ou optativas, geralmente com um tempo de aula cada. Foi um Período Letivo Excepcional (PLE), que durou 2 meses mais ou menos.

Afirmou Jaume.

Por outro lado, o estudante Vinicius Macêdo comentou sobre a recepção de alunos em meio à pandemia. “Com a pandemia a recepção foi ainda melhor, antes das aulas começarem tivemos várias chamadas ao vivo com a coordenação, as quais nos instruíram muito bem como se adaptar e se desenvolver bem na faculdade.”

Alunos lamentam possível fechamento da UFRJ

Para a estudante de jornalismo Ana Paulo Jaume, “é inacreditável” pensar no fechamento da UFRJ. Assim, a universitária completa: “Isso preocupa muito. É triste e revoltante! Não dá para aceitar e deixar isso acontecer com a universidade eleita a melhor do Brasil e segunda melhor da América Latina”.

A universidade significa algo muito grande para mim (…). Eu nunca me senti tão acolhida em um lugar, porque instituições públicas, de uma maneira geral, faculdades públicas, escolas públicas, elas trazem histórias de todos os lugares, trazem pessoas de todos os lugares (…). Sinto que eu perco uma parte de mim, uma parte daquilo que eu vou ser, daquilo que eu serei como jornalista.

Ressaltou a estudante Ana Flávia.

Já Márcio Mendes, que também cursa jornalismo, complementa a tristeza da aluna. “Me sinto frustrado com esse sucateamento da nossa universidade por parte do governo. Só não fico surpreso. Os professores partilham da mesma indignação (…). Ainda acredito que vamos conseguir reverter essa situação de alguma forma.”

Enfim, Vinicius Macêdo também lamenta a situação e reforça que o sentimento é de “destruição” de sonhos e planos. “Eu estou me sentindo destruído, é exatamente essa palavra, pois eu demorei 2 anos para conseguir passar e parece que o meu sonho está prestes a desmoronar devido a um governo que negligencia a educação pública”.

Por mais que a UFRJ corra o risco de fechar suas portas em julho, haverá um ato em prol da universidade. Assim, no dia 14 de maio, a comunidade realizará uma manifestação contra o governo Bolsonaro no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), às 17h. O evento contará com a utilização de máscaras e álcool em gel.

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Por Isabela Cagliari – Redação Fala!

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