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Tudo sobre os 1000 dias do assassinato de Marielle Franco

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Manifestações e homenagens mostraram a importância de Marielle Franco, além de reforçarem que seu legado sobrevive e que respostas precisam ser esclarecidas

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Protesto “Despertador da justiça”. | Foto: Márcia Foletto / O Globo.

Quem mandou matar? E por quê? Essas duas perguntas, que já foram repetidas inúmeras vezes, ganharam força e destaque no dia 8 de dezembro de 2020, dia em que se concluiu 1000 dias do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes.

Normalmente, no dia 8 do último mês do ano, se comemora o Dia Nacional da Justiça, homenageando o Poder Judiciário brasileiro. Porém, neste ano, o dia marcou a falta de justiça e o descaso com o mais grave atentado político do século.

1000 dias sem Marielle Franco

Mil dias sem Marielle se passaram, mas o luto se transformou em luta, essa que vem crescendo cada dia mais. E nesse dia tão marcante, manifestações e homenagens mostraram a importância da ativista, além de reforçarem que seu legado sobrevive com a ajuda de muitas pessoas que a admiram. Familiares, artistas, ONGs, partidos e ativistas se uniram para organizar ações nas ruas e redes sociais, exigindo respostas para a resolução do caso.

Monica Benicio, viúva de Marielle e atual vereadora do Rio de Janeiro, postou um IGTV em seu Instagram como protesto por todos esses dias sem respostas. O vídeo, que traz uma mensagem forte e emocionante, conta com a participação de Camila Pitanga, Sol Miranda, Roger Walters, Táliria Petrone, André Ramiro, entre outras figuras importantes. Na legenda, Monica demonstra tristeza e sede por justiça, ela afirma:

São mil dias sem paz, uma dor infinita que atravessa meu peito diariamente. Mas existe algo que a gente pode fazer juntas, juntos e juntes. Sejamos milhões de vozes em busca de justiça.

Manifestações nas redes sociais

Outras personalidades também se manifestaram nas redes sociais. O deputado federal Marcelo Freixo, muito amigo de Franco, fez uma publicação no Twitter, “Marielle foi minha grande companheira de luta. Caminhamos juntos por 10 anos no nosso mandato, até ela se eleger vereadora e se tornar ainda mais importante na luta por um Rio melhor. Quem mandou matar Marielle?”.

Além de famosos e familiares, muitas outras pessoas homenagearam e protestaram nas redes, compartilhando fotos, vídeos, poemas e colagens. A hashtag “1000diassemmarielle” foi muito usada e se tornou um dos assuntos mais comentados no Twitter Brasil.

1000 dias sem marielle
Ativistas em Santo André, São Paulo. | Foto: Reprodução.

Além das redes sociais, muitos foram às ruas, praças e janelas a partir do nascer do sol, em diferentes cidades, realizando ações descentralizadas e simbólicas, com faixas, cartazes, intervenções e performances. Em Brasília, militantes do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) estenderam faixas em uma via principal da cidade. À noite, outra linda homenagem foi feita, a reprodução de uma foto de Marielle na cúpula do Museu Nacional de Brasília.

Já em São Paulo, não foi diferente, na cidade de Santo André, ativistas amanheceram nas ruas com uma enorme faixa, simbolizando a placa com o nome da vereadora que se tornou símbolo de luta, após ser quebrada por Daniel Silveira e Rodrigo Amorim.

Marielle Franco
Homenagem a Marielle na cúpula do Museu Nacional de Brasília. | Foto: Reprodução.

Repercussão no meio político

O PSOL, ao lado de diversos movimentos sociais, coletivos, organizações não governamentais, partidos e ativistas do mundo inteiro, montou a programação “O Amanhecer por Marielle”, contando com ações que exibiram a necessidade imediata de respostas e exaltaram o legado da vereadora. Às 8h da manhã, ocorreu uma das ações mais lindas do dia, a Anistia Internacional e o Instituto Marielle Franco realizaram uma intervenção na Cinelândia, denominada como “Despertador da Justiça”, com o objetivo de romper o silêncio das autoridades.

O protesto contou com 550 relógios que dispararam alares simultaneamente em frente à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, simbolizando que já passou da hora da justiça despertar. Além do som, juntos, os relógios formavam a frase “1000 dias sem respostas”.

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Despertadores que fizeram parte do protesto. | Foto: Reprodução.

Um jogral virtual também fez parte da programação do PSOL, às 21h30, horário em que a vida de Marielle foi interrompida em 14 de março de 2018. O partido convidou todos para repetir o mesmo texto ao vivo, cada um em sua rede social, buscando simular o efeito de um jogral, em que uma pessoa fala e todos repetem, amplificando, assim, o alcance das palavras coletivamente.

Outras ações também foram organizadas por eles, como: debates, por meio de lives, sobre o legado de Marielle e o brotar de suas sementes nas lutas e no cotidiano das mulheres, LGBTs, moradores de favela e de negras e negros; e a proposta de todos gritarem por justiça em suas janelas.

A força dessa mulher negra que lutava por uma sociedade mais justa, livre de toda forma de opressão e exploração é enorme e continua presente. Marielle fez – e faz – muita diferença em diversos aspectos da sociedade e merece justiça.

Mil dias se passaram sem respostas, mas a luta ainda não acabou, e os questionamentos continuarão. Marielle perguntou e a questão se repete a seguir: “quantos mais têm que morrer para essa guerra acabar?”.

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Por Fernanda Fernandes – Fala! PUC

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