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Cultuando o Treinamento Saudável

Cultuando o Treinamento Saudável


Por Fatime Ghandour – Fala! Cásper
Fotos por Thaís Silveira Lima – Fala! Belas Artes

O culto ao corpo afeta diversas áreas da vida, porém o foco é a “fábrica de corpos perfeitos”. Como lidar com a situação?

Academias, as fábricas de corpos perfeitos – ou pelo menos assim utilizadas durante a latente globalização incitadora do narcisismo do século XXI. Em busca da perfeição estética, pessoas passam da linha tênue entre a saúde e a compulsão por perfeição. O limite não pode ser dado por ninguém além de si mesmo, pois não pode ser imposto, apenas compreendido, mesmo que a lição por vezes seja aprendida apenas a partir das consequências deste culto ao corpo.

 O limite a ser entendido é o limite do próprio corpo, porém o professor de musculação Renato Oliveira afirma que o adequado a qualquer um é começar pela construção de uma base estruturada, com treinos de adaptação e aprendizado da postura certa para realizar os exercícios.

Que não adianta apressar resultados, pegar pesos além do que sua força permite, etc., todo mundo sabe. Mas quando se está no ambiente da academia, observando tantas pessoas em tantos níveis diferentes do treinamento, com corpos tão distintos entre si, a comparação emerge na superfície da pele como o suor e o instinto de se sentir tão capaz quanto, tão forte quanto, tão sequinho quanto o outro é inevitável, e é então que as barreiras começam a ser transpassadas e a obsessão pela figura ideal pode causar lesões sérias no músculo e levar o indivíduo à frustração, pela impaciência na realização do objetivo. É também papel da academia o de oferecer suporte ao aluno quando percebem uma atitude extrema na hora de malhar.

Jacqueline Marques, formada em educação física, é honesta ao dizer que há vezes em que a palavra do profissional não basta para quebrar a fissuração pela forma. Ela diz inclusive que foi vítima do overtraining, resultado de fazer mais exercícios do que seu corpo é capaz de suportar: ao correr tanto e todos os dias até ter se lesionado, ela agora diz que foi “uma lição a ser aprendida”. Todos pensam que têm controle sobre si mesmo, então o que o treinador pode fazer é criar uma relação próxima com os alunos, conhecê-los bem, assim como a seus limites para poder aconselhá-los, corrigi-los. É fundamental a qualidade de vida, que só se pode obter com o equilíbrio: saúde do corpo, com idas ao nutricionista e com atividade física, saúde da mente, psicoterapia, e saúde da alma.

No balanceamento dos fatores, a ida à academia faz parte do pacote, e Jacqueline afirma que vê o ato de se exercitar como um refúgio, liberando o hormônio endorfina, que tem papel regulador nas emoções, mas frisa o aspecto da moderação no exercício.

O culto ao corpo, porém, é próprio do ambiente da academia, e a esta afirmação o treinador Adriano Prado assegura que, de tão prejudicial que o narcisismo com o próprio corpo é, faz as pessoas nunca se sentirem satisfeitas consigo mesmas e com os seus resultados. Adriano diz que não é culpa da instituição, mas sim das pessoas que frequentam esse ambiente, procurando a satisfação estética, promovendo a escravidão à beleza idealizada pela pressão social, tornando um ambiente feito para obtenção de saúde em uma grande bolha opressora que vende o culto ao corpo através das propagandas das próprias academias, que mostram mulheres torneadas e “caras sarados”, induzindo o cliente a pensar que a única razão pela qual vale a pena se exercitar é obter um “tanquinho”, e que este é o único sinal válido de qualidade de vida.

Parte dos extremos na corrida pelo “shape” são os anabolizantes, os quais os três profissionais entrevistados declararam não aprovar – Jacqueline foi a mais enfática ao dizer “zero pra eles!”. Já sobre suplementos, afirmam que são benéficos apenas sob recomendação e acompanhamento médico.

A questão da supervalorização da aparência nas academias tem de ser lidada com uma relação próxima entre aluno e professor, em que o segundo se faça entender ao explicar qual é o limite e, principalmente, o porquê deste limite. Sempre lembrando que treinar sozinho(a) é um risco, sendo recomendada a presença de um profissional.

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