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Depressão – como tratar o mal do século que assombra a nossa geração

Por: Larissa Nicoletti – Fala! M.A.C.K

 

A depressão se tornou o verdadeiro mal do século, e isso se reflete numa sociedade que não se sente preparada para debater sobre o assunto, e lança um olhar carregado de preconceito por aqueles que possuem a doença.

Muitos cometem suicídio buscando a resposta para os seus problemas, pois não encontram outra saída para se sentirem bem, seja por baixa autoestima, falta de motivação, pessimismo, seja por irritabilidade e falta de capacidade de expressar o que sente – mas uma ferramenta que demonstra grande eficácia em auxiliar esse conflito, é a prática do teatro, que por sua vez, abre as portas para aqueles que viviam mergulhados em uma realidade fechada e escura.

No Brasil, mais de 11,5 milhões de pessoas sofrem da doença, sendo este o maior índice da América Latina, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Outro problema que muitas vezes acompanha a depressão é o desenvolvimento da ansiedade ou síndrome do pânico, aos quais o Brasil é o país com mais prevalência no mundo: 9,3% da população.

Katheleen Kravicz, 26 anos e youtuber, nos conta sobre como descobriu que possuía a doença:

“Eu percebi no início das minhas férias do ano de 2017. Eu geralmente viajo na época das férias, e jamais recuso uma praia, mas neste ano eu simplesmente me recusei a viajar. Não senti vontade nem ânimo. Minha mãe viajou e eu fiquei em casa com meu pai, ficava a maior parte do tempo sozinha, o que para mim nunca foi um problema, mas nessas semanas comecei a sentir uma tristeza gigantesca, uma vontade de não existir. Fui ao banheiro, deitei no chão e tudo o que eu queria era me afundar nele. Milhares de pensamentos invadiram a minha cabeça em meio a uma crise de choro. E então vieram as vozes – essas diziam que eu deveria tomar todos os remédios da casa pois eu deveria morrer, eu era inútil, eu não tinha o direito de viver. Sendo bem sincera, elas diziam que eu era um lixo humano. Nesse estágio, eu liguei para a minha mãe dizendo que não estava bem e precisava ir ao médico, e então fui diagnosticada com depressão maior e síndrome do pânico”.

 

Confira abaixo o vídeo de Katheleen, que conta sobre sua história com a doença:

Nesta atmosfera ainda existe o preconceito daqueles que pensam em depressão como uma simples tristeza passageira, ou uma forma de um indivíduo chamar atenção para si.

Katheleen também nos conta sobre isso:

“Sofro de preconceito diariamente. Para muitas pessoas a depressão é frescura, drama… Mas só quem realmente passa por isso, ou já passou, entende o quão difícil é controlar seus pensamentos, ou como é repentino, você estar bem e em questão de segundos uma nuvem negra invade sua mente. Eu ouço frases do tipo: ‘Isso já passa, é apenas uma tristeza, todo mundo tem’, ou o clássico ‘Para! Isso é muito drama’! Sendo que não é bem assim. Não é drama, não quero chamar a atenção. Quanto menos se espera, a crise vem e te abraça, e sair dela é realmente muito difícil”.

A falta de conscientização da doença faz com que o caso de Katheleen não seja uma exceção, e sim a realidade da maioria dos que vivem no combate da depressão. Ao contrário do que pensam, o oposto da doença não é a alegria, mas sim a vitalidade.

A dificuldade de expressar o que se sente também é um fator comum entre muitos depressivos, e Kravicz também compartilha sua opinião sobre a questão:

“Dizer o que sinto é complicado. É um turbilhão de sentimentos. Não sinto dificuldade de me expressar, porém, conheço pessoas que sentem. Eu aprendi a exteriorizar a minha dor, criei um blog e também comecei a gravar vídeos de desabafo – e dessa maneira eu consigo me sentir um pouco melhor. Mas quando me pedem para explicar o que sinto, eu me perco nas palavras, porque é medo junto de tristeza, junto de uma angústia sem fim. Explicar o que eu sinto é bem difícil e doloroso”.

Maria de Fátima, psicóloga formada na Universidade Do Grande ABC (UniABC), nos conta sobre os fatores que podem causar a depressão:

“As causas são muito estudadas e, de fato, encontra-se uma relação entre alguns acontecimentos estressantes na vida das pessoas e o início de um episódio depressivo, contudo, não são eles os responsáveis pela manutenção da depressão. Pela experiência clínica, observamos que os fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais também podem ter influência em alguns episódios depressivos. É possível curá-la, sim. Com suporte social, mudanças de estilo de vida, desenvolvimento de habilidades emocionais e a ajuda de um profissional, além de, quando necessário, associado ao uso de antidepressivos”.

Fátima ainda dá um alerta para que amigos e familiares permaneçam atentos, caso percebam traços depressivos em alguém próximo, como mudanças no humor, o isolamento e a fácil irritabilidade. Caso seja confirmado o diagnóstico da doença, é preciso buscar entender que é algo que lhe causa muito sofrimento, e que é preciso lhe dar apoio e incentivar a busca de ajuda profissional.

Quando lhe perguntamos se o teatro pode tornar uma boa ferramenta no auxílio da depressão, obtemos a seguinte resposta:

“A arte pode ajudar sim, porque vai contribuir para a interação social, para expressar seus sentimentos e trabalhar o corpo e a mente.”

Maria de Fátima

 

Neste contexto, Beatriz Ropaf, 23 anos, formada no Teatro Escola Macunaíma, nos conta sobre sua experiência com a arte e suas superações:

“O teatro me ajudou a evoluir. Tenho outra percepção sobre o mundo e as pessoas. O principal benefício que me trouxe foi falar melhor, com uma boa articulação. Passei a confiar mais em mim mesma”.

Ropaf também nos conta sobre o auxílio da arte em sua disfunção psicológica:

“Já tive síndrome do pânico. Eu desenvolvi a doença no início do meu curso de teatro, e no começo, logo quando procurei tratamento psicológico, eu ainda tinha muitas crises de ansiedade. Acreditava que o teatro piorava minhas crises, pois ficava muito nervosa com os ensaios e durante as apresentações. Porém, ao longo do tratamento percebi que o teatro na verdade me ajudava. Eu tinha que me concentrar mais, manter o foco, e assim aprendi a ser mais segura comigo mesma. Hoje, possuo facilidade em expressar o que sinto.”

Beatriz Ropaf

 

Katheleen Kavicz, por fim, também dá uma última dica para aqueles que têm depressão:

“Primeiramente, busquem um profissional da área. Isso é fundamental para que ele guie você para os caminhos certos. Não deixem de fazer terapia, pois nela encontramos forças e também saídas que não imaginávamos que poderiam existir. Busquem estar perto de quem te ama e de quem entende o seu quadro – sem essas pessoas acho que eu nem estaria aqui para dar esta entrevista. Façam as coisas que vocês gostem ou então encontrem hobbies, tudo para ocupar a mente, e se esforçar para fazer aquilo que o terapeuta lhe indica. Apenas ir na consulta para depois chegar em casa e não praticar nada do que foi dito não irá surtir efeito algum. Tenha fé de que você é capaz de sair dessa, viva um dia de cada vez. E por fim, seja grato por ter a oportunidade de poder lutar para se superar. Existem grupos de apoio nas redes sociais para pessoas que sofrem com depressão, e eles nos ajudam muito pois todos sabem o que a gente passa, entendem e partilham de suas dificuldades e superações. Acho que fazer parte desses grupos ajuda muito.”

A prática teatral não existe apenas para as pessoas extrovertidas e desinibidas, que desejam se tornar atores no futuro. A arte promove autoconhecimento e confiança, além de propor uma nova visão de mundo. Visam aumentar a autoestima de quem pratica para se sentir seguro em um palco diante de muitas pessoas. Até mesmo o mais tímido consegue se soltar ao longo do processo, criando maior conhecimento corporal, raciocínio rápido e criatividade. Qualidades que podem servir de salvação para aquele que já não acredita em si mesmo, ou nas pessoas a sua volta.

Confira também:

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Um comentário

  1. DEPRESSÃO E ESPIRITUALIDADE

    entro da Psiquiatria, o termo depressão é aquele que mais tem crescido nos últimos tempos, tanto nos consultórios particulares como em ambulatórios públicos, além de promover inúmeras internações em hospitais psiquiátricos, constituindo-se em verdadeira epidemia do século XXI e definindo-se por si mesmo como uma “doença da alma”.

    E qual a visão médico-espírita para este transtorno afetivo do humor, que tem arrebatado milhões de pessoas? Onde e como a hipótese da reencarnação poderia explicar a gênese de inúmeros sinais e sintomas clínicos, que caracterizam esta patologia, correlacionando-a à responsabilidade de cada um de nós no cultivar de pensamentos, sentimentos, ações para si mesmo e para os outros, na maneira de ser, ver e reagir diante dos fatos da vida, ou melhor, das vidas, visto que precisamos ampliar a visão míope do ser humano, que insiste em somente pensar sobre o tempo, tão relativo e limitado a estas poucas décadas que passamos aqui neste plano físico, como encarnados?

    Sabe-se que a depressão clássica caracteriza-se por um humor persistentemente rebaixado, apresentando-se como tristeza, angústia, sensação de vazio e redução na capacidade de sentir satisfação ou vivenciar prazer por no mínimo duas semanas. Cerca de 10 a 20% da população mundial já sofreu de depressão, e sua prevalência é de dois casos em mulheres para cada caso em homem, provavelmente pela variação hormonal cíclica presente no sexo feminino.
    Como sintomas gerais, há uma associação de quadros mistos de ansiedade, isolamento social de amigos e parentes, cansaço com sensação de perda de energia, falta de vontade de realizar tarefas que outrora o enfermo fazia com satisfação, alastrando-se para atividades como estudo, trabalho, lazeres e hobbies. Também há uma labilidade emocional intensa com grande vontade de chorar, explicitamente ou às escondidas. Diminuição da capacidade de concentração com posterior queda de rendimento laborativo e dificuldade em tomar decisões. Alta sensibilidade a barulhos, sons do ambiente. Intenso sentimento de tristeza persistente, sem uma causa aparente. Queda de autoconfiança e de autoestima em graus variados, com desleixo de si mesmo, como higiene, aparência e vestimenta. Sentimentos de culpa, desamparo, desesperança, solidão e inutilidade. Medo de não mais dar conta do que antes fazia e vir a prejudicar terceiros. Alteração no ritmo do sono para mais ou para menos, com inúmeros pesadelos. Sensação de inquietação, de dores pelo corpo, mau humor e irritabilidade estão presentes. Alteração do apetite, com posterior perda de peso, ou, ao contrário, intensa compulsão alimentar. E o que seria mais grave: a autoagressão, com intensos pensamentos negativos, com pensamentos de morte e de suicídio.

    Ao médico cabe diferenciar os transtornos depressivos, que podem ocorrer secundariamente a algumas doenças orgânicas, tais como acidente vascular cerebral, tumores no sistema nervoso central e hipotireoidismo, por exemplo. E também de transtornos reativos às situações de perdas na vida, como falecimento de um amigo ou ente querido, situações de desemprego, carência afetiva em geral, enfim, dificuldades em aceitar frustrações da vida, que eventualmente qualquer pessoa estaria vulnerável a vivenciar, e diante das quais cada um vai reagir conforme sua forma de pensar e de ver a vida, personalidade e situações de maturidade bem especificamente.
    No sistema nervoso, os principais neurotransmissores mediadores dos transtornos de humor são a serotonina e a noradrenalina, que percorrem o neurônio, como um todo e, em sua fenda sináptica, passam de uma célula para outra e se encaixam nos receptores pós-sinápticos, transmitindo adiante a sua mensagem química. O que ocorre na depressão é uma diminuição na quantidade destes neurotransmissores, bem como a dos neurorreceptores e sua sensibilidade em algumas partes do cérebro, visto que a herança genética familiar poderia explicar, em parte, a etiologia deste transtorno de humor.

    A Ciência relata que este quadro depressivo tem como etiologia fatores múltiplos. Além das alterações bioquímicas, das causas psicossociais externas, dos traumas pessoais de questões íntimas, emocionais e/ou situações de problemas físicos, tudo isso é ampliado pela visão reencarnacionista, pela questão do temperamento e da formação histórica atemporal do nosso Espírito, a qual vem se fazendo ao longo dos séculos nas vivências sucessivas, e pelas consequentes interferências de cunho espiritual, propriamente dito, em processos obsessivos leves, moderados ou intensos, em que “intuições negativas” recheiam a mente do paciente. Que tipos de pensamentos, sentimentos, ou de “jeito de ser” poderiam ser corresponsáveis em nossos estados mentais, implicados no mecanismo saúde-doença dos transtornos depressivos que acometem tanta gente? Estaria tudo isso a depender unicamente das alterações bioquímicas do cérebro?
    Ao médico-espírita, não é mais possível falar de psicopatologia, sem falar da questão da reencarnação, da mediunidade e da ação dos Espíritos obsessores. O tempo da loucura incompreensível é passado e os novos psicólogos e psiquiatras têm grande dívida para com o entendimento e o tratamento das doenças mentais. Os psicólogos se recusam e se esquivam desta responsabilidade e os psiquiatras materialistas, por sua vez, simplesmente não as entendem ou as ignoram, não sabendo, portanto, o que fazer com elas, lançando mão de psicofármacos, úteis, não resta dúvida, mas que nada mais fazem do que sedar o paciente, diminuindo a depressão ou a ansiedade e, provavelmente, a do médico também… Os remédios promovem uma sutil alteração no nível da consciência do paciente, o que o torna menos receptível aos estímulos recebidos do exterior, promovendo assim uma gradativa indiferença às próprias dores, reais ou imaginárias: o doente pensa menos e, portanto, sofre menos. Isto muda a sua faixa vibratória, como se lhe diminuísse ou anulasse a força psicológica para exercitar seu real jeito de ser. E se há uma atenuação de seu caráter/temperamento, mesmo que artificial ou passageira, os obsessores não encontram tanta facilidade de atuação, pelo menos até que haja uma readaptação de ambas as partes neste processo simbiótico, movido a ódio e vingança. Enquanto isto não acontece, o paciente “melhora” em parte. Se houvesse cura de fato, não estariam todos a clamar suas dores pelo mundo afora pouco tempo depois, porquanto, mesmo com o aumento das doses dos remédios, sua eficácia diminui progressivamente, salvo quando os obsessores se dão por satisfeitos com as condições em que o paciente ficou incapacitado para o cotidiano e sujeito, muitas vezes, a internações prolongadas, evoluindo frequentemente para a cronificação. Nas situações menos graves, torna-se um sofredor crônico, com fases de altos e baixos, a depender dos estímulos do ambiente. É comum adotar o seguinte discurso: “só me descontrolo quando algo de ruim acontece”. Mas a vida não poupa ninguém neste mundo…
    A Doutrina Espírita explica que somos, atualmente, o resultado de nossas escolhas de toda uma existência secular. Precisamos agora tentar ver o que estaria por detrás de uma queixa de depressão, tentando perceber como somos hoje e perguntando às pessoas: “quem gosta de ser contrariado?” Como a resposta óbvia é: “ninguém”, pois somos todos assim mesmo, queremos sempre tudo do nosso jeito. De alguma maneira, a prepotência, em seus graus mais variados, é um traço de caráter inerente ao ser humano e, de modo velado, também na depressão. Imaginemos o que a vida faz com pessoas que têm dificuldade em lidar com frustrações, que não toleram ser contrariadas, que gostam de dar ordens, ou que se acham, de alguma forma, melhores do que as outras… A vida simplesmente não vai nos acatar sempre; mais cedo ou mais tarde chegam as vicissitudes, temos que cumprir a nossa programação reencarnatória, de nada adianta reclamar. Quando o homem percebe que seu poder é impotente fica com raiva, irritado, magoado e melindrado; no fundo, tudo isso é a mesma coisa, pois a vida, ou seja, ou outros, não o obedeceram. Esta raiva, extravasada ou não, essa emoção ruim faz cair a faixa vibratória do paciente e o coloca em sintonia com seus antigos desafetos do passado, os obsessores, que podem então, de maneira mais consistente, atacá-lo com segurança. Semelhante atuação leva o indivíduo, por mais incrível que pareça, a uma posição de vítima: o ser humano geralmente é cego para os defeitos que carrega. E, de passo a passo, esse distúrbio do pensamento pode levar a situações graves, como ideação suicida e tentativas de suicídio, o que representaria formidável vitória para os obsessores de plantão. Caso o suicídio se consuma, será completa vingança daquela provável situação mal resolvida que o paciente tem com seus algozes de hoje, vítimas de seu passado equivocado.

    – Continua –
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    Continuação –

    A raiva rapidamente se transforma em frustração, por não ser capaz de reverter os acontecimentos da vida. E a frustração, por sua vez, evolui rapidamente para depressão, porque ninguém liga para o seu sofrimento. A depressão é apenas uma palavra, um rótulo, como todos os diagnósticos, que representa uma série de sinais e sintomas, os quais, quando agrupados, tomam este nome formal. Esta tristeza, geralmente falsa, sem uma causa palpável, pois não contagia ninguém e é o principal parâmetro para uma emoção verdadeira, dura muito, irrita e cansa as pessoas que estão por perto do doente. Quando confrontado, o que o paciente confessa sentir mesmo é raiva e frustração, alternadamente. Torna-se rebelde intimamente. Sem nenhum descrédito de nossa parte à dor do indivíduo, é como se ele estivesse a dizer nas entrelinhas: “parem o mundo que eu quero descer”; “se não for do meu jeito eu não brinco mais”; “então prefiro morrer”.

    E aí, como ficamos? Aprendemos a viver ou não? O mundo, a vida e as pessoas continuam suas trajetórias, como se nada houvesse acontecido, além de uma carícia, de uma lágrima aqui e ali, e o ciclo da doença continua. O que deveria ser tratado de fato: causas ou efeitos? O externo ou o interno?

    Portanto, se erramos em nossa trajetória e nas escolhas do nosso processo evolutivo espiritual, desta vida ou de todas as outras por que passamos, o que se há de fazer é tomar consciência do fato ocorrido, arrepender-se e reparar os erros cometidos; embora isso venha gerar tristeza transitória, não deixa de se constituir em importantíssimo aprendizado. Se, ao contrário, a tomada de consciência gerar complexos de culpa, com posterior ideia fixa de remorso e autopunição física ou psicológica crônicas, fatalmente ocorrerá um transtorno de humor depressivo.
    Segundo André Luiz, no livro Evolução em dois mundos, os processos cármicos advindos de outras encarnações estão marcados em nosso código genético por meio dos cromossomos (disposições do destino, ou, mais recentemente, a epigenética), sendo, portanto, irreversíveis nessa encarnação. A evolução da doença e a aquisição de novas moléstias seriam controladas pelo citoplasma, pela ação “dos bióforos ou unidades de força psicossomática” nas mitocôndrias que atuam neste citoplasma e consequentemente no corpo físico, que modificam a informação enviada pelo núcleo celular ao citoplasma, podendo, a partir das ações mentais, impedir sua manifestação ou torná-la mais ou menos grave. Assim, por exemplo, um paciente que encarna com a programação de câncer, poderá, pela sua conduta equilibrada, mudar a informação cármica do núcleo celular por meio dos bióforos e apresentar um tumor benigno, sendo esta a Lei de Misericórdia Divina que concede “a cada um segundo suas obras”. Ou seja, no núcleo celular (cromossomos) traríamos as disposições cármicas e no citoplasma (por meio dos bióforos), a evolução da doença cármica e a formação de moléstias não cármicas de acordo com nossas atitudes mentais (livre-arbítrio). Portanto, o psiquismo penetra o seu perispírito. A célula morre e se refaz mediante o molde que nela plasmamos ou imprimimos. Nosso corpo se destrói e se refaz pela vida inteira. Nós materializamos doenças se não nos dispusermos a melhorar nosso nível vibratório e sairmos de condicionamentos doentios que se demoram há séculos. Ao desencarnar, temos que refazer o perispírito. As células involuem e tornam-se células embrionárias; de acordo com o que fixamos na memória expandimos a célula, mediante o molde da última encarnação, pois o que de fato manda na histogênese espiritual é o grau da nossa vibração mental.
    No que respeita ao tratamento da depressão, teríamos várias frentes. Poderíamos citar a eletroconvulsoterapia, a estimulação magnética craniana, como algo ainda a ser estudado, visando à matéria cerebral como causa e não consequência de um estado depressivo. Suplementos alimentares, atividade física e a prática da caridade como reinteração ambiental e social. O medicamentoso, sempre que necessário for, sem nos esquecermos de uma boa psicoterapia, a apontar caminhos para a mudança interior, revendo-se valores, hábitos, condutas etc. E, por fim, a terapêutica complementar espírita, como o estudo e a vivência do Evangelho, o passe, a água fluidificada e o tratamento de desobsessão.
    REFERÊNCIA:
    XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. Evolução em dois mundos. Pelo Espírito André Luiz. 27. ed. 5. imp. Brasília: FEB, 2016. cap. 7 – Evolução e hereditariedade, it. Hereditariedade e conduta.
    Fonte: Revista Reformador, julho/2018
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