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Three Mile, Chernobyl e Fukushima – a tríade que abalou o século XX/XXI

Three Mile, Chernobyl e Fukushima – a tríade que abalou o século XX/XXI


De Demócrito a Dalton, o conhecimento acerca dos átomos ganhou proporções “explosivas” inimagináveis para a humanidade que ainda teme seu uso.

Se Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman ainda estivessem vivos, 80 anos após a comprovação do método de fissão nuclear para obtenção energética resultante da quebra dos átomos de um elemento radioativo, talvez a concepção física de “avanço” para a ciência e tecnologia não fosse comemorada tão avidamente como fôra pela sociedade. 

Logo após a comprovação da “eficiência” proposta pela fissão nuclear, coincidentemente no mesmo ano, 1939, desencadeou-se a II Guerra Mundial.

E grandes nomes da física moderna tais como Enrico Fermi, Hans Berth e Leo Szilard, estiveram frente ao projeto Manhattan que culminou às catástrofes nucleares em Hiroshima, e posteriormente, em Nagasaki, Japão; sob liderança dos Estados Unidos e com prerrogativa de aterrorizar o inimigo e evitar danos maiores à sociedade; o fato é que não só os japoneses como o restante do mundo viram-se vulneráveis pela dimensão “indomável” que um processo físico-químico pode ocasionar.

O uso da energia nuclear, contudo, veio a se expandir a partir da década de 1960 e atualmente ainda é uma das formas de obtenção de energia bastante utilizada nos países, principalmente europeus, correspondendo a 15% de toda a produção mundial.

Three Mile Island
Three Mile Island

Dentro de um período de 40 anos, desconsiderando-se seu uso bélico, ocorreram-se 3 “acidentes” em usinas nucleares que proporcionaram danos irreparáveis à humanidade e ao meio ambiente: Three Mile Island, nos EUA; Chernobyl, pertencente à antiga União Soviética; e Fukushima, no Japão.

Todos causados pelo superaquecimento dos reatores, onde, porém, nos dois primeiros casos, excepcionalmente ocasionados por falhas humanas resultantes da ineficiência estrutural e técnica que pudessem evitá-los. 

De Chernobyl – maior acidente nuclear da História – é possível imaginar tamanho dano causado, visto que cerca de 5 milhões de pessoas ainda são consideradas contaminadas pela radiação e recebem assistência média em favor dos sintomas (segundo o Sputnik Brasil).

Chernobyl
Chernobyl – GETTY IMAGES

E as polêmicas acerca do acontecimento são muito mais complexos e incompreensíveis. Tais abordagens que fizeram a nova série da HBO com parceria com a Sky Atlantic receber críticas melhores que a própria Game of Thrones. 

A série mostra o lado até então desconhecido pela maioria da população mundial e abafado pela própria URSS que de certa forma, devido à negligência e despreparo, demoraram a conhecer o teor da situação na época. Centenas de pessoas se expuseram devido a própria ignorância aos altos índices de radiação, algumas, morrendo sem ao menos saber o motivo.

A partir de suas consequências e pelo fato de Chernobyl ter sido um “caso nunca antes ocorrido”, a Organização Nuclear Mundial passou a exigir ferozmente procedimentos de segurança no que diz respeito à energia nuclear.

Atualmente na Rússia, as usinas existentes e em atividade dispõem de sistemas automáticos de controle de radiação e são uma forma mais eficaz de se evitar tamanhos acidentes. 

Fukushima
Fukushima – AP 

Alguns pontos, contudo, devem ser levados em consideração. A partir da expansão do seu uso e, recentemente com maiores estudos a respeito do aquecimento global e alternativas limpas, baratas e eficientes para a obtenção de energia, os átomos voltam a ser uma das “mais viáveis”. Mas essa afirmação, feita em vários discursos principalmente políticos, são premissas inválidas.

Primeiramente, a obtenção de energia pela fissão nuclear está longe de ser limpa decorrido do fato de que para se executar o processo, é necessário que haja, antes de tudo, energia proveniente de combustíveis fósseis para que as novas usinas “funcionem”.

Em segundo lugar, instalar-se uma usina que demanda tamanho conhecimento técnico-científico e tecnológico está longe de ser um processo barato – um dos motivos pelo qual a última usina da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (Angra III) não foi concluída passados 35 anos do início de sua construção e foi usada a fins de corrupção deflagrada pela Operação Lava Jato -.

E, em terceiro lugar, a eficiência garantida por adeptos à ideia pode ser facilmente contestada se levarmos em consideração os impactos sociais e culturais que a má utilização, despreparo, ineficiência e desatenção – além obviamente de fatores naturais como o que ocorreu em 2011 em decorrência do tsunami de Tohoku, que atingiu a costa do Japão. É um risco muito alto mesmo com as tecnologias e métodos de segurança já existentes.

Felizmente após Fukushima, nenhuma usina sofreu algum acidente de tal proporção, mas ainda hoje algumas localidades tanto no Japão quanto na Rússia e até seus vizinhos, lidam com a presença de radiação – proveniente da nuvem causada, e na época chegaram até a costa oeste do Canadá, e pode se estender por centenas de milhares de anos – e a questão que deve ser levantada é o quão longe o homem deve ir para demonstrar poder bélico e econômico utilizando-se de um recurso instável devido às falhas humanas e com justificativa de se “preservar o meio ambiente” sendo que o mesmo pode ser desintegrado a partir dessa tão defendida e temida tecnologia.

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Por Camilo Mota – Fala! PUC

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