'The Umbrella Academy': Leia a crítica da segunda temporada
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‘The Umbrella Academy’: Leia a crítica da segunda temporada

‘The Umbrella Academy’: Leia a crítica da segunda temporada

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The Umbrella Academy retornou para uma segunda temporada em 31 de julho, após um ano desde o lançamento de sua primeira temporada na Netflix. O sucesso que a série obteve desde o início sempre foi positivo e o seu retorno foi ainda mais positivo, sendo um assunto nos trendings do Twitter na última sexta-feira de julho e que ainda está gerando discussões.

A série conta a história de sete irmãos entre 43 crianças que nasceram no mesmo dia, ao mesmo tempo, de mães diferentes e que não estavam grávidas até a hora do parto, dotados de poderes e que foram adotados por Reginald Hargreeves, que criou a Umbrella Academy, um grupo de super-heróis composto pelas crianças.

A segunda temporada se passa após o final apocalíptico da anterior, que fez com que a família Hargreeves tivesse que viajar no tempo para sobreviver a esse apocalipse, parando em Dallas, no Texas, nos anos 60. Embora cada irmão tenha parado em um mês diferente entre os anos 1962 e 1963. 

Caso você ainda não tenha assistido à segunda temporada e não goste de spoilers, não recomendo a leitura, pois irei dissertar sobre diversos pontos da série que comprometem o enredo.

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Leia a crítica da segunda temporada de The Umbrella Academy. | Foto: Reprodução.

Crítica da segunda temporada de The Umbrella Academy

A segunda temporada tem um ritmo mais frenético do que a primeira, que contou a história de cada um dos personagens separadamente antes de apresentar o plot da temporada. Já nesta segunda, a mistura de flashbacks e acontecimentos em tempo real foram a escolha perfeita para manter um ritmo que não fosse cansativo e entediante.

Enquanto Cinco (Aidan Gallagher) tentava reencontrar seus irmãos para prevenir o apocalipse que os seguiu até os anos 60, suas histórias individuais eram contadas ao decorrer dos primeiros episódios, o que é um aspecto positivo, considerando que muitos reclamaram do ritmo lento no início da primeira temporada.

Falando em anos 60, fotografia, paleta de cores e os cenários são perfeitos para a época estabelecida para essa nova fase. Em comparação com a primeira temporada, que tinha uma paleta de cores bem escuras, com muitos tons frios e acinzentados, a segunda temporada é uma grande explosão de cores, o que contribuiu para a melhoria de um fator muito cobrado pelos fãs, a melhoria dos efeitos especiais.

O fato da série receber uma paleta viva e clara, com grande parte das cenas no período diurno fez com que os produtores da série aumentassem seu orçamento para melhorias na parte de efeitos visuais, o que é notório em diversas cenas, como os saltos do Cinco, as cenas de luta com o Luther (Tom Hopper) e até mesmo na revelação final da temporada, com Reginald Hargreeves (Colm Feore) sendo um alienígena.

Nessa temporada, fomos introduzidos a três personagens novos que não existiam nos quadrinhos e foram criados exclusivamente para a série. A introdução de dois deles foram extremamente importantes para introduzir algumas questões que devem sempre ser discutidas.

Sissy Cooper

Começando por Sissy Cooper (Marin Ireland) que é uma das primeiras personagens a aparecer na série por ter atropelado Vanya Hargreeves (Ellen Page) nos primeiros minutos do primeiro episódio. Ela acolheu Vanya após a mesma sofrer de amnésia após o acidente, trazendo-a para viver com sua família, seu marido e filho autista. As duas ficam muitos próximas com o passar do tempo e, eventualmente, se envolvem amorosamente.

Sissy e sua família não são apenas importantes para mostrar a vida de uma pessoa autista nos anos 60 quando ainda não existia um diagnóstico para o transtorno, mas também é importante para a representatividade LGBTQ+ numa época em que ser uma mulher lésbica não era aceito.

Sissy Cooper e Vanya Hargreeves
Sissy Cooper e Vanya Hargreeves. | Foto: Reprodução.

Raymond Chestnut

Outro personagem que também foi introduzido é Raymond Chestnut (Yusuf Gatewood), ativista negro envolvido com o movimento de direitos civis dos negros no Texas e que acaba casando-se com Alisson Hargreeves (Emmy Raver-Lampman) após a sua chegada ao Texas.

Alisson ganha um destaque ainda maior nessa segunda temporada, utilizando acontecimentos da anterior – como o corte que sofreu na garganta como consequência dos poderes de Vanya, fazendo-a perder a sua voz – para passar uma mensagem ainda maior sobre o racismo e a segregação dos Estados Unidos nos anos 60.

A sua impossibilidade de falar tem um significado mais profundo, já que ela, sendo uma mulher negra, não tinha voz naquela época. Ray a conheceu nesse momento e, com o tempo, acabaram se apaixonado, casando-se e lutando juntos como ativistas.

A personagem de Alisson também mostra que aprendeu que seus poderes podem ser mais uma maldição do que uma bênção, tendo um controle maior sobre eles na segunda temporada e os usando apenas em momentos cruciais.

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Raymond Chestnut e Alisson Hargreeves. | Foto: Reprodução.

Lila Pitts

E por último Lila Pitts (Ritu Arya), que definitivamente é uma das personagens mais interessantes que foi introduzida e que surpreendeu todo público com a revelação de que ela tinha relações com a Comissão e com a The Handler (Kate Walsh). Ela iniciou a temporada sendo uma pessoa e terminou a mesma sendo uma outra completamente diferente.

O fato dela ter poderes como todos os irmãos Hargreeves e ser uma filha adotiva da Handler puxa um gancho para a terceira temporada de que ainda existem outras crianças que nasceram na mesmo dia que os irmãos Hargreeves e que ainda estão por aí com seus poderes.

Lila também foi importante para o desenvolvimento de Diego Hargreeves (David Castañeda), que se mostrou um pouco mais vulnerável em relação aos seus sentimentos com a família e até se permitiu gostar de Lila, que conheceu enquanto internado num hospício e tentando escapar do mesmo para impedir a morte de John F. Kennedy. O relacionamento deles até contribuiu com uma segunda ponte entre os Hargreeves e a Comissão, além do Cinco. 

Lila Pitts e Diego Hargreeves
Lila Pitts e Diego Hargreeves. | Foto: Reprodução.

Kennedy

Falando no trigésimo quinto presidente dos Estados Unidos, Kennedy foi importantíssimo para a ambientação da história e trouxe um toque de realidade, sendo que sua morte foi utilizada como ponte onde a ficção e a vida real se encontram.

O fato de que a Guerra Fria ainda estava acontecendo, com um mundo bipolarizado e o medo de uma guerra nuclear estourar no mundo, fez com que essa versão do apocalipse fizesse mais sentido no contexto dos anos 60. Lembrando que ele quase aconteceu por Vanya ter sido confundida com uma espiã russa e torturada pelo FBI, levando a repetir os eventos da primeira temporada, salva apenas por seu irmão Ben Hargreeves (Justin H. Min).

Ben e Klaus Hargreeves

Os personagens de Ben e de Klaus Hargreeves (Robert Sheehan) ganham um destaque maior após a descoberta de que Klaus é o personagem favorito de todos e pela vontade do público de conhecer Ben um pouco mais após sua história tão vaga na primeira temporada.

Klaus volta como alívio cômico e está mais engraçado do que nunca, com cenas icônicos e hilárias que fizeram o público gargalhar. Agora que ele tem um culto e está sempre manipulando seus seguidores com frases de músicas e truques irreais, ele faz com que a série tenha uma pegada mais leve após tantos momentos de tensão. A sua relação com o Ben é um dos melhores aspectos da temporadas, com diálogos muito engraçados e cenas incríveis de interação entre os dois.

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Ben e Klaus Hargreevess. | Foto: Reprodução.

Embora a importância de Ben na série tenha sido algo que incomodou. No início, era de se acreditar de que ele só estaria ali para ser um alívio cômico ao lado de Klaus e nada mais que isso, mas a sua habilidade de possessão – revelada em meados da temporada – foi um dos fatores mais importantes para o plot dessa temporada, quando ele é o único que pode ajudar Vanya e salvar o mundo do apocalipse em 1963. O momento de seu sacrifício é um dos mais emocionantes da série, junto com a cena de seu velório, trazendo – mesmo que tardio – a sua importância para a temporada.

Luther Hargreeves

O personagem de Luther Hargreeves ficou em segundo plano nesta temporada, embora ele tenha tido cenas importantes como as cenas de luta, o fato dele ser o guarda costas de Jack Ruby – famoso por ter assassinado o suspeito de matar Kennedy, Lee Harvey Oswald – e as cenas de reconciliação e aproximação de seu irmão Diego. A história dos seus outros irmãos foram tão grandiosas e interessantes que ofuscaram a sua.

Número Cinco

O Número Cinco continua sendo um dos personagens favoritos do público e Aidan dá um show de interpretação ao entrar no papel de um homem de 60 anos preso no corpo de um menino de 13 anos. Ele sempre se mostra um dos mais maduros entre os irmãos, o que é até engraçado considerando que ele possui a aparência física de uma criança.

Suas cenas de ação nessa temporada estão incríveis e bem executadas, assim como a sua interação com o elenco mais velho, tomando como exemplo a sua relação com a The Handler e com Reginald Hargreeves. Cinco ainda tem muito espaço para brilhar nessa série.

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Handler e Número Cinco. | Foto: Reprodução.

A série terá uma terceira temporada?

A terceira temporada ainda não foi confirmada pela Netflix, porém, considerando o enorme sucesso de The Umbrella Academy, é quase garantido de que os irmãos Hargreeves retornarão para mais uma temporada após um final tão surpreendente quanto àquele. Mas o que esperar da terceira temporada?

A Comissão pode ter tido um grande destaque nessa temporada pelo simples motivo de que ela terá uma maior importância nas temporadas seguintes. Então, é de se esperar que o seu papel na história seja muito importante, já que a Handler deixou uma ponta solta ao matar um homem que teria visto algo que não devia e que seria um momento crucial para o controle da linha do tempo. 

É de se esperar também o envolvimento de Diego na Comissão e seu reencontro com Lila, que fugiu com uma pasta nos momentos finais do último episódio. E, além da mesma, é esperado que outros dos bebês que nasceram no mesmo dia dos irmãos Hargreeves reapareçam ou até mesmo façam parte da Sparrow Academy – apresentada na última cena dessa temporada.

Um maior aprofundamento no personagem de Reginald Hargreeves também seria interessante, considerando que houve uma grande revelação sobre a sua origem nessa temporada e que o seu personagem não morreu em 2019, como consequência dos acontecimentos nos anos 60. A sua interação com a família adulta depois de todos esses anos é ansiada por muitos.

Reginald Hargreeves
Reginald Hargreeves, de The Umbrella Academy. | Foto: Reprodução.

Caso queira saber um pouco mais sobre The Umbrella Academy, recomendo o canal da Natália Kreuser. Ela comentou muitos aspectos de ambas as temporadas e também trouxe uma maratona de vídeos sobre a recém-lançada, além de uma série de entrevistas com o elenco que são muito interessantes.

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Por Rafaela Bertolini – Fala! Cásper

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