'The Circle': Análise do filme estrelado por Tom Hanks e Emma Watson
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‘The Circle’: Análise do filme estrelado por Tom Hanks e Emma Watson

‘The Circle’: Análise do filme estrelado por Tom Hanks e Emma Watson

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The Circle (O Círculo), como apresentado no começo do filme, é uma empresa de tecnologia avançada que apresenta muitas características semelhantes com grandes nomes atuais: Google e Apple. Logo nos primeiros minutos, somos apresentados à nossa protagonista, Mae (Emma Watson) e, continuando a referência, nosso Steve Jobs da companhia, Eamon Bailey (Tom Hanks).

The Circle
Filme The Circle. | Foto: Reprodução.

Análise do filme The Circle

Um dos projetos da empresa é logo citado em uma cativante palestra estilo Ted Talk de Eamon recheada de gatilhos mentais, cultura exagerada da empresa e mantras muito bem colocados e repetidos, o SeeChange, projeto com mini câmeras de fácil portabilidade que se acoplam em diversos lugares para filmagem em alta qualidade rastreada por satélites e são expostas aos membros da empresa como AllSeeing, ”Knowing is goog, but knowing everything is better”.

Além de tais mantras, o principal dito pelos funcionários é ”Sharing is caring”, muito reforçado pouco depois, quando Mae é instigada e questionada de forma amigável e manipulativa por seus superiores sobre não estar postando nas redes sociais da empresa e não estar aumentando seu ”Party Level” (como uma taxa de popularidade).

Quando senadores norte-americanos começam a questionar o uso de dados de The Circle, o discurso de um dos responsáveis pela companhia aponta o ponto-chave de todo o resto da trama: segredos são mentiras e, junto disso, a privacidade seria um roubo e a democracia só poderia ser efetiva com o livre acesso.

A crítica de governadores não serem transparentes, mentirem e esconderem dados essenciais será a base da disseminação quase teológica de livre acesso da companhia. Mas o filme toma outras proporções após Mae se aventurar em uma noite, andando de caiaque, e estar a ponto de se afogar, quando é surpreendida por uma equipe de socorros que foi acionada por pessoas que a viram através das mini câmeras espalhadas.

Depois deste incidente, Eamon a convence a ser a primeira pessoa a testar o uso de tais câmeras para observar a rotina, os hábitos e o padrão de vida do ser humano (muitíssimo parecido com o fenômeno influencer visto nas redes sociais como Instagram) sob a máxima de que o ser humano ”age melhor quando está sendo filmado e precisa ser exemplo”.

A magia apelativa do discurso do fundador sobre como seu próprio filho, estando em uma cadeira de rodas, apenas vivencia experiências através de mídias produzidas por outras pessoas vivenciando algo é o que move Mae a acreditar mais no processo que está vivendo.

A experiência transparente dura pouco antes de causar impactos em sua vida pessoal. Cenas dos pais em momentos íntimos, a clara insatisfação de Mae, o afastamento de uma amiga, mas, ao se reunir em um conselho político extremamente sigiloso, Mae propõe algo completamente fascinante e assustador: um ”Sistema Único”.

The Circle, até então, é um facilitador: suas tecnologias estão presentes em pulseiras, smartphones, computadores e até equipamentos médicos, mas a ideia colocada na mesa é torná-lo praticamente obrigatório e, se não obrigatório, essencial. Pagar impostos, fazer compras on-line e até votar através de seu perfil no The Circle. A possibilidade de parar de ”duplicar serviços”, colocar tudo on-line e economizar muitas horas de inconvenientes (além de bilhões de dólares).

Porém, tudo muda com o mais novo serviço da plataforma: o Soul Search, uma invenção para encontrar pessoas. O primeiro teste é com uma mulher fugitiva da polícia, onde os ”circles’‘ conseguem encontrar em menos de 20 minutos. O segundo teste é com um amigo de infância de Mae, que, ao tentar ser encontrado, acaba sofrendo um acidente de carro e morre em rede global. Estes acontecimentos fazem Mae questionar toda a simbologia por trás do mantra pregado de acessibilidade e transparência.

A falsa liberdade das redes conectadas que geram expectativas externas e consequente máscara de todo aquele que se porta frente a uma câmera. Mae decide, no final da trama, em contato com o verdadeiro criador do sistema operacional, Ty Laffite (John Boyega), apresentar essa experiência de transparência para os detentores do poder de The Circle, Eamon Bailey e seu sócio, onde propõe que, além de supervisionados, todos os seus e-mails (até os de contas secretas, por mais controverso que isso pareça) vão para a rede disponível.

O filme não possui uma conclusão em si sobre o que aconteceu com todos esses dados expostos, mas deixa reflexões justas e coerentes com a era digital da qual vivemos. Seria mesmo a total acessibilidade o futuro? Privacidade, em algum nível, poderia ser considerada maléfica? Nossos segredos são obrigatoriamente mentiras? E, mais importante, teriam os avanços tecnológicos nos transformado em personas televisionadas que não necessariamente condizem com quem pensamos ser? Assim, finalizo essa análise completa e convido você a assistir ou assistir novamente ao filme com um olhar ainda mais crítico!

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Por Vittória Murari – Fala! UFG

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