Terceiro mandato de Juvenal: o início da derrocada tricolor
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Terceiro mandato de Juvenal: o início da derrocada tricolor

Terceiro mandato de Juvenal: o início da derrocada tricolor

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A data é 12/12/2012, e o São Paulo Futebol Clube se sagrava o campeão da Copa Sul-Americana daquele ano, após uma partida que não terminou, pois os argentinos do Tigre se recusaram a voltar ao gramado após o intervalo e estarem perdendo por 2 a 0, com gols de Lucas e Osvaldo. Para o torcedor mais supersticioso, desde esse dia, a “Maldição do Tigre” se faz presente no gramado do Morumbi, pois desde o fatídico dia da conquista da Sul-Americana, o tricolor paulista não levantou uma única taça sequer, e amarga uma fila de oito anos de secura que não dá indícios de que será superada tão cedo.

Superstições e “maldições” à parte, o fato é que o clube da zona sul paulistana vem seguindo à risca, a receita do fracasso, repleto de administrações terríveis e nocivas à imagem e, principalmente, ao financeiro do clube, hoje afundado em dívidas e que parece não ser uma prioridade da gestão atual, saná-las, pensando em um futuro melhor para o clube.

O atual presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, popularmente conhecido como Leco, já cravou seu nome da história da instituição como um dos piores presidentes da história, porém, a culpa do clube estar vivendo uma constante crise há quase uma década não é exclusiva dele.

São Paulo tricolor
Juvenal Juvêncio, ex-presidente do São Paulo. | Foto: UOL.

São Paulo e a derrocada tricolor

Retornando ao longínquo ano de 2008, o São Paulo chegava a um dos maiores momentos de sua rica história e conquistava um inédito tricampeonato brasileiro consecutivo, o seu sexto no total. O time comandado pelo técnico Muricy Ramalho e que contava com nomes como Rogério Ceni, Miranda, Richarlyson, Jorge Wagner, Hernanes, Borges e Dagoberto, era presidido por Juvenal Juvêncio.

“JuJu”, como era chamado pela torcida, foi presidente do clube de 2006 a 2008, formando o time tricampeão brasileiro naquele período, e foi reeleito para mais três anos, até 2011. Neste período o clube não conquistou títulos, mas a gestão não era considerada temerária. Porém, com uma mudança no estatuto do São Paulo, Juvenal permaneceu na presidência por mais três anos, para exercer um terceiro mandato no clube… e foi a partir daí, que os verdadeiros problemas começaram a surgir.

Se o seu antecessor e possível melhor gestor da história do São Paulo, Marcelo Portugal Gouvêia, buscava acima de tudo, tornar a instituição forte, estruturada e financeiramente saudável, indo muito além dos onze jogadores que entravam em campo, Juvenal, a partir de seu terceiro e ilegítimo mandato, começou a transformar a imagem do tricolor do Morumbi de “Modelo de Gestão” para “Símbolo de Incompetência Administrativa”. O presidente tricolor passou a adotar a ideia de gastar desenfreadamente contando com receitas vindas de possíveis vendas de jogadores, acreditando que, dessa forma, as contas estariam balanceadas e o time seguiria reforçado.

O grande problema dessa prática é que a venda de jogadores não é uma receita certa, garantida, e que nem sempre seria possível vender um Breno ou um Lucas, o que inflaria a entrada de dinheiro no São Paulo. O que mantém um clube de pé financeiramente é a entrada das receitas operacionais que envolvem o futebol, como bilheteria, direitos de transmissão, receitas de marketing, sócio-torcedor, venda de produtos do clube e afins, como aponta o jornalista Emerson Gonçalves, em sua coluna do Globo Esporte de outubro de 2015. Portanto, investir baseado em uma receita incerta é definitivamente uma prática equivocada, e que custou muito caro à equipe do Morumbi.

O resultado? O clube se colocou em uma situação onde a saúde financeira da instituição já respirava por aparelhos. Juvenal, em seus anos finais na presidência, desvalorizou a marca SPFC, tendo muita dificuldade de atrair investimentos e patrocínios, e mesmo assim seguia gastando sem parar em contratações de jogadores. O “Cardeal” são paulino deixou o cargo no começo de 2014 com uma dívida colossal, e quem assumiu foi Carlos Miguel Aidar, o qual tinha a incumbência de recolocar o clube nos trilhos (breve spoiler: ele piorou ainda mais a situação).

Juvenal Juvêncio faleceu em dezembro de 2015, ficando marcado na história do São Paulo Futebol Clube como um dos responsáveis por formar um time multicampeão e, ao mesmo tempo, por iniciar a maior crise financeira e esportiva que o clube já enfrentou.


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Por Filipe Saochuk – Fala! PUC

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