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Tempos Macabros – Confira a Opinião de um Aluno Sobre o Nosso Atual Contexto Político

Tempos Macabros – Confira a Opinião de um Aluno Sobre o Nosso Atual Contexto Político


Na vida, as coisas nunca funcionam do jeito que a gente quer. Volta e meia nos decepcionamos com alguém e a nossa vontade é nunca mais olhar para a pessoa, queremos mais é que ela suma. Isso se reflete na política também. Temos uma Presidente que se perdeu entre saudações a mandioca e planos econômicos falhos e acabou decepcionando até aqueles que a apoiaram. Queremos mais é que ela suma.

Todavia, amigos, a democracia não é como a nossa vida. A democracia é um modelo de estado que tende a nos levar, sempre, a um consenso. Não é um governo da maioria, é um governo da maioria e da minoria – acredite se quiser, é assim desde que Clístenes instaurou suas reformas na Grécia Antiga. Além disso, no Brasil, a democracia não é somente jovem, é imatura, está em formação.

Neste cenário, temos os três principais articuladores de um Impeachment contra a Presidente Dilma Roussef no Congresso. Eduardo Cunha, que tem seu mandato cassado no Conselho de Ética e é hexacampeão em corrupção ;Gilmar Mendes, ministro do STF ; José Serra, além de corrupto, um homem que já colocou tantos suplentes em seus cargos que trocaria até a própria mãe pela presidência; e por último, Aécio Neves, vaiado na manifestação que ele mesmo apoiou e já é heptacampeão em delações.

Nada é tão ruim que não possa piorar. Se você apoia esse processo de impeachment, certamente sabe que ele está baseado no processo de pedaladas fiscais, aquela manobra política feita por diversos governantes, como FHC e Obama, que não se caracteriza como crime de responsabilidade – não me chame de petralha, apenas pesquise. Se você continua apoiando esse processo de impeachment, lembre-se da linha sucessória em caso de impedimento: Michel Temer (vice-presidente) , Eduardo Cunha (Presidente da Câmara dos Deputados) e Renan Calheiros (Presidente do Senado). Todos, repito, todos em processo de julgamento por corrupção. Se você, mesmo assim, continua apoiando esse processo de impeachment, deve saber que a irônica Comissão de Impeachment aberta na Câmara, tem 36 deputados sob investigação do STF por corrupção.

Isso me fez lembrar uma história, muito boa de se relacionar. Em 1999, meu pai, eleitor de Lula e ex-secretário regional do PT, discordou das manifestações da UNE, CUT e MST por pedirem o Impeachment do presidente legitimamente reeleito, Fernando Henrique Cardoso. Disse que os manifestantes do processo não sabiam o que ele havia passado na Ditadura para ter FHC em Brasília. Disse que o certo era esperar as eleições de 2002.

Hoje, mudam-se os papéis, mas a história é a mesma. E a posição do meu pai, agora minha, mantém-se. A esquerda, não-partidária, se decepciona com a presidente que se contradisse, pondo em prática uma agenda completamente antipopular. A direita quer tirá-la da presidência não por ter tido seus projetos recusados, mas por Dilma não ter sido capaz de efetuá-los com êxito – porque de esquerda ela só tem sua mão. Diante desse palco, os dois lados entopem as ruas, por isso não se deve criticar as duas manifestações, talvez alguns excessos dos dois lados. As classes A, B, C, D e E têm que se manifestar, a democracia nos dá esse direito.

Em suma, o governo federal é, de fato, indefensável. Todas as críticas de ambos os lados são dignas de um governo que, em meio ao sistema político, não teve caráter para continuar cumprindo sua proposta inicial, deu continuidade a corrupção por poder e, tentando agradar o mercado e o grande capital, aumentou a desigualdade, brecou programas sociais, perdeu-se na economia e caiu de cara em uma crise.

Todavia, não temos um impeachment em curso. Temos uma luta interesseira do PMDB, orquestrado por pessoas que marcham contra a corrupção (dos outros), junto com um Judiciário que começou de forma incrivelmente importante seus julgamentos, mas que escancarou sua seletividade, todos nadando na onda que as manifestações causaram. Vê-se um cenário desastroso de incompetência governamental, busca pelo poder e shows midiáticos manipuladores. Muita sujeira para pouca festa, onde quem sai perdendo é a democracia e, diretamente, nós. Os gritos de “Impeachment já” e “Não vai ter golpe”, definitivamente, não traduzem a gravidade da situação.

Não defendo um partido, não defendo uma mulher, não defendo um homem sem o mindinho. Defendo a luta dos que morreram injustamente para que pudéssemos apertar um bocado de números para escolher nossos representantes. Dentre as manifestações, há quem ainda sugira a posse dos inesquecíveis militares, talvez por ausência de aulas de História, talvez por amnésia ou talvez por excesso de selfies com a Polícia Militar. É hora de deixar a intolerância de lado. Temos de refletir o melhor caminho. Talvez o maior problema dessa crise política seja a falta de diálogo dos dois lados, aliás, mais importante que isso, falta de paciência para ouvir algo diferente. A esquerda também é de oposição ao governo de direita [o PT], incompetente, e também quer que esse partido saia do poder. A diferença é que só estamos querendo respeitar a democracia e, caso você tenha entendido, a consequência do nefasto PMDB tomando conta de todo esse Boteco Brasil, você deveria fazer isso também.

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Fonte: www.notibras.com.

Leonardo Martins – FalaCásper

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1 Comentário

  1. Jorge Covac filho
    4 anos ago

    Orgulho de ter sido professor de alguém que cresceu tanto é se tornou tão brilhante. Parabéns Leo.

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