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Teatro Independente: “Investir em cultura não é caridade”

Teatro Independente: “Investir em cultura não é caridade”


Por Bruna Janz – Fala!PUC

Com a crescente oferta de grandes espetáculos teatrais em São Paulo, como “O Fantasma da Ópera”, em cartaz no Teatro Renault desde agosto de 2017, e o espetáculo “Ovo”, da companhia circense canadense Cirque du Soleil, estreado em abril, o teatro independente acaba por ser ignorada pelo público.

Segundo o Dicionário Michaelis, independência é o “estado, condição ou característica daquele que goza de autonomia ou de liberdade completa em relação a alguém ou algo”, portanto o teatro independente é aquele que não está vinculado a uma instituição. Sendo assim, a maior parte das companhias de teatro é independente, porém a falta de incentivos do governo à cultura e de estímulo por parte do público fazem com que o teatro independente esteja em crise e com grandes dificuldades financeiras.

Muitas das peças apresentadas por companhias menores acabam sendo produzidas e financiadas pelos próprios membros das companhias, desde a cenografia e o figurino até o aluguel do local para apresentações, muitas vezes sem garantias de retorno, como foi apontado por Isack Gonçalves, membro da Companhia High de Teatro de 2015 a 2017: “Os custos são sempre muito altos, o aluguel dos teatros em São Paulo para um fim de semana ou três dias acaba sendo muito caro”. Para ele “o retorno financeiro costuma acontecer apenas pelos lucros da bilheteria. A peça precisa se pagar para que seja um sucesso, e nem sempre isso acontece”.

Uma das alternativas para a diminuição dos custos, utilizada pela Companhia Teatro Expresso, de São Bernardo do Campo, na região da Grande São Paulo, é a apresentação em teatros municipais, com baixos ou nenhum custo de aluguel, de acordo com Gabriella Baleeiro, na Companhia desde 2015.

Alternativa apontada pelos atores é a busca pelos recursos dentro da própria companhia, como direção, cenografistas, direção de luz e som, roteirista, etc., pois uma vez que a maioria dos componentes necessários para uma peça se encontrem na companhia, não será necessário contratar alguém de fora, o que contribui para a diminuição dos gastos.

Há também o desafio de conseguir público para que exista o retorno financeiro. “Nosso principal meio [de divulgação] é através das redes sociais”, aponta Gabriella. “E também tem muito da divulgação boca a boca, pela família, amigos e colegas de trabalho”. Já Isack também menciona outros meios, como a panfletagem em outros espetáculos e em escolas e cursos de teatro e artes.

O teatro é um trabalho árduo que exige muito esforço tanto físico quanto mental dos atores, e, nas palavras de Gabriella, “não é só aquilo que aparece nas redes sociais. Não é glamour“. Os dois atores concordam que, no final, tudo se dá pelo amor à arte.

Em relação às dificuldades e ao espaço do teatro independente na atualidade, Gabriella ainda diz: “Fernanda Montenegro já disse: ‘você já tentou se afastar do teatro alguma vez? Se sim, e não conseguiu respirar, não conseguiu ficar sem, então o seu lugar é o teatro’. E eu penso isso, a gente não pode deixar ninguém dizer que ali não é o nosso lugar, porque a gente sabe que ali é o nosso lugar”. Já Isack acredita que “sempre existirão pequenas companhias de teatro resistindo. É notável que o teatro sofreu um grande impacto e diminuiu muito por conta da TV e da Internet. Muitos fecharam as portas, porque um teatro dificilmente se paga. Os custos são altíssimos e muitas vezes não tem retorno suficiente. Mas a arte do teatro sempre existirá, mesmo que em menor escala”.

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