'Te Amo Lá Fora': A obra contemporânea definitiva de Duda Beat
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‘Te Amo Lá Fora’: A obra contemporânea definitiva de Duda Beat

‘Te Amo Lá Fora’: A obra contemporânea definitiva de Duda Beat

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Se em Sinto Muito Duda Beat se mostrou apta a adentrar o panteão de novos ressignificadores da música brasileira, com Te Amo Lá Fora, a artista consagra seu lugar definitivo como um dos grandes nomes a oferecer brasilidade pura através de uma mistura inteligente de ritmos e poesia. O segundo álbum de Duda Beat é uma verdadeira festa dos sentidos.

Reconhecida por trabalhar a “sofrência” em suas composições, Duda Beat se mantém em seu reino de construções líricas que encontram na desilusão amorosa material para faixas incrivelmente emocionantes, que movem o corpo ao ritmo das rimas e melodias complexas, assim como levam a mente para um novo plano, onde os sentimentos desorganizados das dores do coração fazem total sentido. A artista é capaz de pegar um emaranhado de pensamentos conturbados sobre amar e não ser amado, jogos de ciúmes e reconhecer as fraquezas que vivem em cada um, e tornar toda essa confusão em uma linha coesa de pensamentos tão universais que assusta.

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Duda Beat é uma das artistas mais queridas no Brasil atualmente. | Foto: Reprodução.

Te Amo Lá Fora, novo álbum de Duda Beat

A atmosfera em que o álbum nos insere é uma de celebração do sentir. É um álbum da noite. Uma festa escura iluminada por um jogo de luz intenso. As músicas que escutamos seduzem os corpos e corações. A faixa que abre este espetáculo, Tu e Eu, é a escolha perfeita para fazer a transição do primeiro álbum de Duda para este. Somos apresentados a uma miscigenação de ritmos miscigenados que já mostra logo no início o valor de produção do álbum.

Em Tu e Eu, temos ainda traços da musicalidade mais limpa de Sinto Muito, que vai, gradativamente, ganhando camadas de som sintetizado. As melodias de Te Amo Lá Fora são viagens sinestésicas que lembram álbuns como Melodrama, de Lorde, em que cada faixa é seu próprio mundo obscuro de sons e sentimentos, mas muito bem conectadas umas as outras.

De sons regionais nordestinos até hip-hop e instrumentos de corda, que fazem uma aparição mais grandiosa após um pequeno interlúdio, a sonoridade deste álbum é rica e cinematográfica. Um Brasil todo de ritmos. É a complexidade da produção que eleva a maestria das letras a um novo patamar. Em Meu Pisêro, single de promoção do álbum, Duda Beat nos leva a uma reflexão sobre um desamor. Ao cantar que “tá tudo perdoado, ninguém é obrigado a me amar assim”, vemos um amadurecimento que não deixa de lado o sofrimento, mas que o enxerga como uma fase de transição para a aceitação. A jornada de Te Amo Lá Fora é uma em que se sofre, chora, lembra com carinho, com raiva, com dor, finge e finalmente supera.

Quando mal utilizados, interlúdios podem acabar apenas como momentos sonoros que se encaixavam melhor como finalização de alguma faixa, porém, com ≈(♡ω♡), temos um processo de transição que faz sentido. O instrumental leva a um novo momento do álbum: mais introspectivo em letra e som.

Em Meu Coração, penúltima faixa do álbum, temos nuances de uma voz como Maria Rita, em Encontros e Despedidas. Duda explora uma desaceleração da batida e da voz para dar um grande suspiro antes do fim do álbum. Um momento de reflexão e autoanálise que absorve tudo que foi expresso nas músicas anteriores para, então, decidir que o melhor a se fazer é desapegar.

Com Tocar Você, a última faixa do disco, Duda Beat faz um verdadeiro hino ao desapego, mostrando-o como necessário, mesmo que dolorido. É possível sentir este processo demorado e cansativo de deixar ir através da musicalidade intensa que toma conta da faixa. São canções com uma lógica palpável por trás de cada arranjo. Este álbum se trata de uma montanha-russa com grandes voltas, idas e vindas de sentimentos confusos e complexos, bem como é o processo de luto.

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Por Vinícius Soares Pereira – Fala! Cásper

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