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Opinião: Suzano – O amor ainda é a melhor arma

Opinião: Suzano – O amor ainda é a melhor arma

Por Daniela Veloso – Fala! Cásper

Dez vidas. Oito inocentes. Duas vítimas que tinham suas vidas abaladas por bullying se tornaram culpadas por abalar a vida de outros. Nesta última quarta-feira, ocorreu um dos maiores massacres em um ambiente estudantil na história do país. Uma tragédia irreparável tornou-se uma memória que, infelizmente, acompanhará os sobreviventes para sempre.

A motivação do ocorrido ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades, mas, segundo a mãe de um dos assassinos, o seu filho sofria bullying constantemente no colégio, fazendo com que ele desistisse de estudar em 2017. O que ela não sabia era que Guilherme planejava se vingar dos colegas alguns anos depois.

O bullying tornou-se um tema de debate constante nas instituições estudantis, surgindo campanhas contra este tipo de ato. Porém, será que as escolas realmente se preocupam com a situação mental e física daqueles que praticam e/ou sofrem bullying ou é apenas uma falsa preocupação para manter uma imagem de uma “boa” instituição?

Admito que, por anos, fui vítima de bullying e minha vida chegou a entrar em risco por conta de um distúrbio alimentar. A pressão exercida pra ser “querida” por colegas que eu considerava importantes no círculo social me afetava tanto que tentei fazer de tudo para ser como eles – até eu perceber, anos depois, que ser diferente era muito melhor. Porém, até ter esse insight, precisei passar por vários obstáculos, sempre recebendo muitos conselhos da minha família, a qual me incentivou a encarar o bullying de frente e conseguir superar sem machucar os outros. Acredito que se não tivesse tido essa base e o amor envolvido, não teria obtido tanta força pra enfrentar o que estava por vir e nem mesmo seria quem eu sou hoje. Talvez, provavelmente, não estaria aqui para contar minha experiência.

Estudei a minha vida inteira em um colégio particular em São Paulo e nunca obtive ajuda da coordenação, mesmo havendo inúmeras reclamações sobre casos de bullying. Por conta disso, sempre que via algum caso, fazia questão de conversar com quem praticava e com quem sofria, pois ambos os lados podem estar prejudicados tanto emocionalmente quanto fisicamente e nem sempre têm com quem conversar. Depois de um tempo passando por coisas semelhantes, você começa a entender os dois lados e é necessário ter empatia por eles igualmente.

É muito comum ver instituições estudantis pressionarem os alunos a atingirem o primeiro lugar em competições e vestibulares, porém, elas esquecem que em primeiro lugar tem que vir a sanidade física e mental de cada estudante. É necessário que as escolas deixem de ver o aluno como um número e passem a ver como um indivíduo que possui sentimentos, traumas e que nem sempre vai estar tão apto a atingir o primeiro lugar em vestibulares. Ao primeiro passo que surge uma acusação de bullying, as autoridades do colégio necessitam, de imediato, conversar com a vítima e quem praticou, entendendo o que se passa na mente de cada um e o que estão sentindo no momento. Após a conversa, o próximo passo seria contatar as famílias dos envolvidos e, caso sinta-se necessário, aconselhar a encaminhar a criança ou o jovem para um acompanhamento psicológico. Tanto o apoio familiar quanto a ajuda de um psicólogo são muito importantes para evitar a prolongação de casos de bullying.

E digo mais: uma tragédia como a de Suzano poderia ter sido evitada caso Guilherme e Luiz Henrique tivessem sido ouvidos quando precisaram. Como isso não ocorreu, a empatia pelo outro desapareceu, dando lugar ao ódio e ao desejo de vingança. A carência de atenção e de amor, junto com a necessidade de aceitação por suas diferenças, em ambos os jovens, acabou tirando não somente suas vidas, mas a de oito pessoas inocentes, as quais não tiveram chances de se defender e, muito menos, de se despedir de alguém. Trajetórias, histórias e sonhos foram interrompidos, mas continuarão vivos na memória daqueles que sempre estiveram ao lado das vítimas. Uma tragédia como esta nos faz refletir em como, às vezes, só precisamos de amor, porque ele realmente pode impedir que vidas sejam perdidas e que o ódio se alastre, fazendo com que as trajetórias, histórias e sonhos finalmente sejam realizados.

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