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Suicídio e religião

Suicídio e religião


“Prazer, prezado leitor, eu já faleci. Meu nome tornou-se irrelevante, mas vou deixar para vocês minha história. Sempre fui uma pessoa muito confusa. Nasci há 35 anos, em uma família tradicionalmente católica. Fui batizada, crismada… Conforme fui crescendo, percebi que as ideologias daquele lugar não eram para mim. 

Comecei a conhecer religiões novas, e me tornei membro da comunidade evangélica. Passei alguns anos por lá, mas me sentia perdida novamente pelo fato de ter pensamentos muito distintos, ideologias distantes daquelas. 

Tentei me encontrar no espiritismo e em outras tantas religiões, mas no fim conclui que não acreditava em nenhuma ‘figura superior’. Desse jeito, não daria certo em nenhuma! Tornei-me atéia, decidi ser só eu por mim mesma.

Minha família e amigos me criticaram muito, o que foi cansativo demais. Minha vida tomou formas estranhas e acabei entrando em depressão. Quem eu considerava ser o amor da minha vida me largou, e encontrei-me perdida no mundo. Os remédios não faziam mais efeito algum contra a tristeza que se instalava em mim. Eu só queria acabar com ela. 

Planejei tudo, detalhe por detalhe. Em um dia bem chuvoso, aqueles dias tristes, sabe? Em um dia desses, me joguei da janela do apartamento, do 14º andar ao chão. Foi meu fim. 

Cortei minha grade e me deixei cair, a depressão me deu coragem. Eu fiz essa opção, planejei e executei. Sem ninguém para me dizer sim ou não. E agora estou aqui, morta, com o corpo sendo consumido por todo tipo de vermes e insetos. Compartilho minha história para dizer a vocês que o suicídio é algo maior que a religião, a sociedade ou até você. Nós vivemos dores todos os dias, e cada dia é decisivo. Cuidem-se uns dos outros”.

Suicídio é algo a ser compreendido além do ato de “se matar”, há toda uma base anterior para tal façanha. Às vezes o suicida nem considerava a ocorrência, mas um momento de coragem mudou tudo. Estudos e especialistas avaliam que existem circunstâncias variadas com capacidade de deixar uma pessoa a ponto de negar a própria vida. 

Segundo os princípios de Freud, o suicídio é uma autopunição: o ser humano possui vontade de matar alguém, mas acaba se autodestruindo para não dizimar o outro – já que o assassinato ao próximo é algo moralmente condenável. 

Antes de matar-se, há indivíduos que também pensam na condenação segundo sua religião, elaborando uma punição antecipada. Algumas religiões pregam a total rejeição do ato, e o suicídio torna-se um pecado e até um possível castigo diante à figura Divina de cada credo. 

Estudos apontam que o crescimento social acelerado está ligado ao aumento de doenças físicas e mentais, as quais geram uma população que se automutila e se mata. O suicídio atinge majoritariamente a massa masculina, e as taxas de morte transfiguraram-se em um fator social, um grande problema de saúde pública que entrou em crescimento nos últimos anos. 

Há uma estimativa de que alguns cidadãos evitam suicidar-se por medo da condenação religiosa. Em uma visão geral, a imensa maioria das religiões enxerga o ato como algo repulsivo, um atentado à vida, uma interrupção incorreta do ciclo natural das coisas. 

O suicídio é tratado como falta de fé do indivíduo, por não conseguir esperar a figura divina o ajudar, por não ter crença suficiente. É válido pontuar que existem religiões, como a palestina, em que o ato suicida pode ser visto como um ato heroico. Nessa ideologia, a pessoa realiza um ato de coragem, destinado a seu deus. 

Entretanto, na grande maioria das religiões, o suicídio é tido como falta de coragem e desvalorização do maior presente divino: a vida.

Diante das diferenças de princípios religiosos, é muito necessário se informar. Caso saiba de alguém que pensa em realizar o ato, procurar ajuda é o primeiro passo. Um pensamento idêntico em todas as vertentes é a ideia de total importância à vida, e independentemente de sua crença ou a falta dela, prezar o bem maior.

Como a Igreja Católica enxerga o suicídio

O catolicismo é uma religião crente na salvação pela vivência e fé. Prezando a salvação da alma, pregam que cada um é responsável pela vida, necessitando preservá-la. O suicídio é avaliado, pela igreja, como algo contrário ao amor de Deus. Também é oposto do amor ao próximo, pelo fato de desamparar a família. 

Ademais, se a pessoa sofre de alguma doença psicológica, angústia ou medo da falta de aprovação, pode acarretar na diminuição da responsabilidade do suicida. A Igreja manifesta oração a almas em conflito, para que elas se arrependam do que fizeram e possam ir para o céu.

 O catolicismo diz que só Deus pode condenar ou não a pessoa que se mata. Entendem que grupos de jovens e grupos de oração são uma maneira de prevenção. Especificando também, em alguns casos, que a falta da figura divina pode trazer transtornos psicológicos ao indivíduo, levando-o a vontade de se suicidar. 

A vida humana, por mais fraca que seja, é o maior dom que Deus pode dar, a intenção é valorizá-la.

Como a Igreja Evangélica enxerga o suicídio

O movimento evangélico é uma vertente do movimento cristão. A base religiosa evangélica diz que o suicídio é um atentado contra a si mesmo, mas a decisão de ser salvo ou ser condenado pertence somente a Deus. 

O papel da igreja, enquanto o indivíduo está vivo, é aconselhar pessoas que possuam esse pensamento e motivá-los a buscar ajuda em Deus. O suicida é considerado um sujeito que carece de ajuda, e em alguns casos, a igreja indica à pessoa que consulte um psiquiatra.

 A visão em relação ao poder terapêutico de grupos de jovens é positiva. Pensam que gera um acolhimento, além de ser um momento em que a pessoa é escutada. Consideram, também, que a falta de uma figura divina pode gerar uma carência de força, desestrutura emocional, psicológica e espiritual. 

O ato suicida é considerado um pecado, um ato condenável, mas entendem a pessoa suicida como alguém que não resistiu às pressões e tentou livrar-se de suas angústias. 

Como o espiritismo enxerga o suicídio

O espiritismo é uma doutrina de cunho filosófico e científico, cujos pensamentos giram em torno da evolução da espiritualidade humana. Acreditam que sua alma retorna a um corpo por sucessivas reencarnações, até evoluírem por completo. 

No caso dos indivíduos que se suicidam, os quais buscam a morte como fuga do sofrimento, ficam com a alma parada no tempo. Causando uma deficiência no processo evolutivo de cada criatura. 

Consideram um atentado à lei da preservação que há dentro de cada um. Pode gerar o sentimento de culpa ao espírito, levando-o à beira da loucura espiritual. A religião dispõe de uma limpeza enérgica, para ajudar com os pensamentos e a culpa. Pedem para ter fé e procurar ajuda de um profissional, e buscar amigos e família é um auxílio importante. 

Quanto a quem já realizou o suicídio, suplicam a oração pela pessoa, para que seu espírito consiga evoluir e ter paz. Procurar ajuda é o mais aconselhável em qualquer caso e indivíduo.

 Há muitas ideologias, cada uma com sua posição e tratamento. Enxerga-se que todas abrem algo para ajudar e tentar tirar pensamentos de morte da cabeça das pessoas. Ao suicida, é preciso procurar auxílio, perceber que precisa de ajuda. Caso não concorde com nenhum princípio religioso, recorrer a familiares, amigos, psicólogos ou psiquiatras pode ser um socorro. 

Há, também, o Centro de Valorização à Vida (CVV), criado justamente para o apoio emocional e a prevenção. O CVV realiza atendimento telefônico no número 188, pela internet no chat e por e-mail. É possível encontrar mais informações no site:www.cvv.org.br; o sigilo é total e fica disponível por 24 horas.

 Independentemente de sua crença, a vida é algo muito importante, não é preciso sentir a dor, pode-se resolvê-la. Você não será mais fraco ou mais forte por pedir ajuda. E, caso há conhecimento de alguém na atual situação, ampare a pessoa. Ninguém está sozinho, existe alguém que quer te socorrer.

Por Tayna Fiori – Fala! Cásper

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