Solidariedade Espontânea e o Espírito Natalino
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Solidariedade Espontânea e o Espírito Natalino

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Minha primeira matéria do período de quarentena aqui no Rio de Janeiro (a partir do 16/03) foi feita no final de Março, e a motivação para escrevê-la se deu após assistir ao longa Espanhol da Netflix – O Poço. Não foi uma crítica, muito menos uma resenha sobre o filme, a intenção do texto era simplesmente relacionar um conceito levantado por uma das personagens, com o cenário que vivíamos (e ainda vivemos) imersos numa Pandemia Global. Empatia para com o outro e ajudar aqueles que se encontram numa situação menos favorável que a sua sem a necessidade de uma coerção externa –  pode-se dizer que assim o filme resume a ideia de Solidariedade Espontânea. E foi a partir desse assunto que o texto se desenvolveu. 

Passaram-se nove meses e volto com essa temática, mas agora impulsionado não por um filme mas por uma data, muito simbólica e celebrada. O evento em si, tem sua comemoração relacionada a fé e a crenças de cada um, no entanto, o espírito do Natal vai muito além das fronteiras da religião, tendo como principal base valores como a fraternidade, o amor, a compaixão, a bondade, a empatia e claro a solidariedade. O final de ano evoca nas pessoas esse sentimento de compaixão, que vai ser ainda mais forte num ano marcado pelo desamparo e pela vulnerabilidade, onde pequenos gestos já fazem a diferença na vida de muitas pessoas. 

E, felizmente, 2020 foi repleto de ajudas e projetos colaborativos dos mais variados tipos. O Chef Henrique Fogaça em Abril, por exemplo, preparou milhares de marmitas junto com sua equipe do restaurante Jamile em SP, para doar a moradores de rua, com a campanha Marmita do Bem. Além disso, as lives musicais que viraram uma verdadeira febre no meio da quarentena, muitas delas adotaram o esquema de vaquinha online e faziam arrecadação para orfanatos, institutos, e projetos sociais.

Alguns exemplos de ações solidárias serviram de inspiração para muita gente. Uma delas foi um projeto criado em 2019 mas que teve um papel fundamental neste ano, chama-se Absorvendo Amor. O principal objetivo do grupo é a doação de absorventes e produtos de higiene feminina nas escolas públicas do Rio. Com a pandemia, as escolas fecharam e as doações passaram a ser direcionadas às famílias que mais sofriam com a crise, que por vezes não podiam comprar absorventes para não deixar de botar a comida na mesa. O impacto foi grande e sem dúvida marcou a vida de todas as mulheres e famílias que foram abraçadas com esse gesto.

Trazendo especificamente para ações no período de Natal, uma das maiores campanhas solidárias na época de Natal, que há 26 anos ajuda milhões de pessoas – a organização Natal sem Fome, da Ação Cidadania. Clique no link do site do projeto para quem desejar saber mais e doar.

Diversos shoppings do Rio de Janeiro também foram responsáveis por conduzir campanhas de doação. O NorteShopping,  o Shopping Tijuca e o Plaza Niterói, por exemplo, adotaram uma campanha digital com intuito de arrecadar cestas básicas, a ação foi em parceria com o Instituto Devolver.  As cestas podem ser adquiridas nos valores de R$25 ou R$50 até o dia 07 de janeiro. E a doação é feita através do site do instituto ou pelo QR Code que pode ser encontrado ao longo dos corredores dos shoppings.

O Natal cumpre sua função se consegue estimular nas pessoas essa solidariedade, porém isso deve ser parte de um grande processo. Essa condição não pode ser exaltada em apenas um dia no ano, ou em um período especifico. Se o espírito natalino combinado com a virada do ano, puder transformar as pessoas, tornando a solidariedade como um hábito, aí sim estamos falando de um cenário ideal, onde finalmente o que parecia uma utopia em O Poço se concretizará, e será uma realidade inerente aos indivíduos, onde as ações serão naturais, sinceras, espontâneas.

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Por Pedro Tavares – Fala! UFRJ

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