'Sol da Meia-noite': 'Crepúsculo' pelos olhos do vampiro
Menu & Busca
‘Sol da Meia-noite’: ‘Crepúsculo’ pelos olhos do vampiro

‘Sol da Meia-noite’: ‘Crepúsculo’ pelos olhos do vampiro

Home > Entretenimento > Cultura > ‘Sol da Meia-noite’: ‘Crepúsculo’ pelos olhos do vampiro

Uma crítica sobre a nova obra de Stephenie Meyer, Sol da Meia-noite

Sol da Meia-noite foi lançado há poucos dias e reviveu a história de Bella Swan e Edward Cullen nos corações de muitos fãs — dentre esses, eu. Com mais de 90 mil cópias vendidas no Brasil em menos de uma semana (segundo a coluna de Guilherme Amado na Revista Época), a obra narra os acontecimentos do primeiro livro pelo ponto de vista do vampiro.

Mas, ao contrário do que eu esperava — os mesmos acontecimentos de Crepúsculo com a única diferença sendo o narrador — Sol da Meia-noite dá mais detalhes do que imaginei e também oferece ao leitor momentos que não estavam presentes na versão de Bella Swan.

Sol da Meia-noite
O kit Sol da Meia-noite, da Editora Intrínseca: o livro, um cartão e um pôster. | Foto: Caroline Névoa.

Não se preocupem com spoilers, este texto é apenas a opinião de uma antiga twilighter sobre como foi voltar a Forks, agora, com 26 anos. Comecei a ler os livros em 2008, alguns meses antes do lançamento do primeiro filme, e fiquei apaixonada pela história criada por Stephenie Meyer.

Os três primeiros livros foram os primeiros “livros grandes” que devorei em questão de dias, algo novo para uma Caroline pré-adolescente. Impaciente para esperar o lançamento de Amanhecer no Brasil, embarquei na minha primeira leitura em inglês que não era imposta pelo curso ou pela escola. Dito isso, esta é uma saga literária que marcou profundamente minha adolescência, assim como a de muitos jovens millennials.

Lembro também de ler alguns capítulos em inglês de Sol da Meia-noite, em algum momento entre 2008 e 2009, em um blog aleatório na Internet. O livro já vinha sendo trabalhado pela autora há algum tempo, porém ela havia parado a escrita quando a história vazou. Fiquei desolada por não saber como a história terminaria.

E quem diria que mais de uma década depois eu saberia como termina a versão de Edward? Com poucas expectativas, comprei meu livro no primeiro dia de pré-venda e fui me vendo cada vez mais ansiosa até que ele chegasse até mim. Uma semana depois, meu novo Crepúsculo estava em minhas mãos, e o velho modo devoradora de livros de 2008 voltou com tudo.

Sol da Meia-noite

O livro começa com Edward na Forks High School, logo no dia em que a nova aluna havia chegado do Arizona e causava um alvoroço no corpo estudantil. A forma como o vampiro narra mais um dia no ensino médio é “sem saco” e ranzinza. Adorei! Foi aí que ele me conquistou — ele descreveu exatamente como eu me sinto ao lembrar dos meus dias no nada saudoso Colégio Santa Cecília.

O ponto de vista do livro é, ao mesmo tempo, mais maduro — visto que estamos falando de um senhor de mais de 100 anos — mas também tem um lado infantil, especialmente no que diz respeito a seu relacionamento com Bella.

Diverti-me mais do que esperava lendo Sol da Meia-noite. Edward Cullen é um personagem peculiar: é sarcástico, ocasionalmente debochado, obviamente velho e bizarramente obcecado pela heroína. A narrativa conta momentos e histórias que não foram muito explorados ou nem estavam presentes no primeiro livro: a relação de Edward com seus pais e irmãos, a história da transformação de Carlisle Cullen e, claro, como foi para ele se apaixonar por uma garota que era “sua presa perfeita”.

De início, demorei para entrar no ritmo do livro, algumas partes são tão descritivas que ficavam, para mim, um pouco monótonas. A parte em que Edward sente o cheiro de Bella na aula de biologia é detalhada até demais para uma leitora apressada como eu. Mas essa lentidão e a forma extremamente descritiva fazem parte da ótica do narrador.

Ainda assim, existem partes que, ao meu ver, que ocuparam páginas demais e não são tão necessários ao plot, como o capítulo em que acontece o jogo de baseball dos Cullen e descreve minuciosamente a partida com termos do esporte completamente desconhecidos — e desinteressantes — para mim, uma pessoa que não gosta de esportes.

Outra parte muito boa do livro é poder “ler” os pensamentos das pessoas junto de Edward. Isso permitiu conhecer mais a fundo alguns personagens secundários da trama, como os colegas de escola de Bella, e até um Jacob Black mais infantil — não em um sentido ruim, e sim como um adolescente normal e despreocupado antes de todos os acontecimentos de Lua Nova.

Sol da Meia-noite também me fez recordar como a performance de Kristen Stewart não fez jus à personagem criada por Stephenie Meyer. A Bella dos livros parece mais uma garota de verdade, com emoções, não aquela cara de pastel que vi nos cinemas. Na verdade, a leitura me fez ver como os livros da saga são melhores que as adaptações cinematográficas.

Sempre tive a impressão de que os filmes retratavam tudo, especialmente o relacionamento de Bella e Edward, de forma muito tensa — como se a relação entre os protagonistas fosse marcada por uma tensão desconfortável acima de tudo — enquanto, nos livros, tudo se desenrola de maneira mais descontraída. Ainda tensa, sem dúvidas, mas com mais nuances de um romance “adolescente”.

O que posso dizer é que gostei de ler o novo livro de Stephenie Meyer. Não é a maior obra-prima da literatura, mas, para quem esperava uma fanfic chata e cheia de clichês, foi uma leitura surpreendentemente gostosa — boa parte graças aos pequenos comentários debochados e sutis de Edward. Claro que ainda lembra uma fanfic, afinal, ainda estamos falando de Crepúsculo, porém, voltar a esse universo foi divertido, rápido e muito nostálgico. Levou-me de volta às minhas madrugadas lendo escondida porque eu não conseguiria dormir enquanto não soubesse como ia terminar o livro.

Acho que a questão principal é que, para mim, Crepúsculo não é só um livro, é uma fase da minha vida, uma época nostálgica onde tudo era mais simples. Portanto, acho que é uma ótima pedida para esquecer um pouquinho a situação complicada que vivemos e relembrar os dias de adolescente twilighter.

_________________________________
Por Caroline Névoa – Fala! PUC – Rio

Tags mais acessadas