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SHOEGAZE: O ALTERNATIVO DOS ANOS 90 NOS PALCOS DOS ANOS 2010

SHOEGAZE: O ALTERNATIVO DOS ANOS 90 NOS PALCOS DOS ANOS 2010


14 de maio de 2017. Uma data provavelmente memorável para muitos jovens que, pela primeira vez na vida, puderam ver de perto uma das maiores bandas da cena alternativa dos anos 90. A banda Slowdive, ao lado de My Bloody Valentine e Cocteau Twins, era e continua sendo um dos maiores nomes de um estilo musical denominado shoegaze, caracterizado por chiados, distorções instrumentais e vocais etéreos.

A maior parte dos jovens que estava no Cine Joia surtando por ver aquela banda ao vivo não era nascida no auge do sucesso do Slowdive, mas o conheceu através do gosto por discos antigos e pela internet, que, além de disponibilizar as músicas, possibilita a discussão em fóruns e o compartilhamento musical na rede social Last.fm.

Shoegaze
Shoegaze

Vale tomar cuidado, no entanto, ao dizer que o shoegaze estaria fazendo um sucesso exponencial hoje em dia: na verdade, o público que escuta esse estilo musical é menor do que, por exemplo, o daqueles que escutam rap nacional, funk ou outros estilos musicais mais populares, o que acontece com a maioria dos estilos alternativos.

Porém, para além de um crescimento elevado na fanbase – uma fanbase que, curiosamente, não viveu os primórdios do gênero – existe um fenômeno paralelo. O que acontece é que há um surgimento bastante difuso de bandas de shoegaze (ou “rock triste”, como às vezes é conhecido) aqui no Brasil.

A principal delas é a carioca Gorduratrans, caracterizada por distorções tensas e pela mescla de elementos do noise-rock, que já teve até um documentário em sua homenagem. Outras bandas que tem ganhado relevância são Eliminadorzinho, Terno Rei e Lupe de Lupe. Há, inclusive, selos que produzem esse tipo de banda, como é o caso da Balaclava Records.

O SHOEGAZE NOS ANOS 90

De acordo com a história da música, o shoegaze surgiu no final dos anos 80, mas só adquiriu um certo sucesso nos anos 90. Diz-se que “Isn’t anything”, de 1988, do My Bloody Valentine, teria sido a primeira música de shoegaze, uma espécie de rock alternativo.

A etimologia do nome “shoegaze”, aliás, significa (em uma tradução literal) “olhar para o sapato”, surgida pelo episódio em que Russell Yates, da banda Moose, que teria olhado para o chão enquanto fazia um show.

Talvez por isso, o termo começou a ser usado de forma pejorativa pela imprensa e a ser criticado por pessoas como Miki Berenyi, da banda Lush, e Simon Scott, do Slowdive – afinal, a postura “anti-showman” já era utilizada por suas influências, como Robert Smith, do the Cure, e Siouxsie Sioux, do Siouxsie and The Banshees.

Apesar disso, os movimentos de shoegaze se tornaram populares nos anos 90, mas declinaram logo em seguida, em decorrência das críticas e da emergência do britpop, “mais acessível”, de certa forma.

No entanto, nos anos 2000, ele teria sido retomado pela criação de novos gêneros derivados do próprio, como é o caso do blackgaze, uma mistura de black metal com shoegaze.

O RESSURGIMENTO DO SHOEGAZE: O JOVEM E A MÚSICA

“(…) No Brasil, onde a gente vê um monte de banda que tem referências claras ao shoegaze, ao dream pop e afins. Tudo isso paralelo com o ressurgimento do emo também. Pode se dizer que a música independente finalmente ficou independente de novo.”

Em uma pesquisa online realizada com 54 pessoas entre os dias 10 e 11 de maio, ficou claro que o shoegaze e gêneros alternativos, como o emo, estavam emergindo em alguns meios. Apesar da entrevista ter sido realizada com grupos mais específicos, surpreendentemente 5,6% das pessoas responderam que não ouviam ou gostavam desse tipo de música. A maioria, porém, respondeu que escutava com frequência.

Em sua grande maioria, as pessoas que escutam esse gênero atendem o seguinte perfil: entre 15 e 24 anos (aproximadamente 90% dos que responderam), aparência alternativa, gosto por arte no geral e por pesquisa (57,4%).

São pessoas que, portanto, nasceram e cresceram com a internet – e suas respostas acerca do “revival” do shoegaze, como alguns chamaram, tinham fortes relações com o fenômeno do streaming e da acessibilidade através de aplicativos e sites, como o mu (board do 4chan destinado a discussão de música), YouTube, Deezer e Spotify.

Alguns citaram os algoritmos das últimas três redes sociais como importantes na pesquisa por música. Além disso, a internet possibilitou que obscuras gravadoras, selos e revistas musicais (como a Hits Perdidos) estivessem nas mãos dos jovens, que consideram esses agentes os mais essenciais no acesso à música.  

Além disso, os jovens e os poucos adultos que responderam o formulário apontam para a influência dos anos 80 e 90 no vestuário e na música pop que podem ter alavancado este ressurgimento da popularidade do shoegaze.

Alguns chamaram atenção para uma lei que acontece em geral no mundo da moda: o fato de que as tendências vão e voltam, e nunca morrem de fato – e que, talvez, isso seria um aspecto dos gêneros musicais, não só o shoegaze, que se mostram atemporais.

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Loli Navarro – Fala! Cásper

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