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Senegaleses tentam recomeço em São Paulo

Senegaleses tentam recomeço em São Paulo

Por Joice Martins – Fala!MACK

 

Recomeço – Senegaleses tentam nova vida em São Paulo

Imigrantes trabalham como camelôs na região do Capão Redondo, o novo paraíso do comércio informal

 

O entorno da estação lotou-se de camelôs

 

A região do entorno da estação Capão Redondo, da linha 5-lilás do Metrô, viu o seu número de vendedores ambulantes crescer nos últimos anos, graças a crise econômica. Imigrantes vindos do Senegal, na África, são cada vez mais comuns no lugar. Eles dividem o espaço com brasileiros em busca de atrair os milhares de usuários do transporte público que passam por ali diariamente.

Jhon Bakhoum, 30, é um dos senegaleses que trabalham no local. Ele possui uma banca, onde vende-se roupas, tênis e alguns acessórios. Porém, tudo isso não é uma novidade para Jhon, que já trabalhava na área comercial no seu país de origem, antes de migrar sozinho para o Brasil há três anos. Jhon não escolheu o país por acaso. “Falava-se muito do Brasil nos jornais, das oportunidades que aqui tinham e da facilidade para conseguir o visto, por isso vim”. Ele continua dizendo que não arrepende-se de ter vindo. “A imagem que eu tinha desse país melhorou depois que eu vim para cá”, relata.

Variedade de opções na região impressiona

 

Enfrentar os desafios de um país desconhecido e de uma língua nova não é fácil, mas os imigrantes senegaleses enfrentam tudo isso em busca de melhores condições de vida. “Vim para cá para sobreviver”, relata Cheikh Ibra Fall, 32, dono de uma banca, onde vende coisas como capas de celular, fones de ouvido, óculos e bonés.  O Senegal, país de origem de Cheikh, é um dos mais pobres e com um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano do mundo, ocupando a 162° posição no ranking com um valor de 0,494. Para fugir da situação de extrema pobreza em que vivia em sua terra natal, ele viajou por diversos países, porém, segundo ele, o Brasil foi o melhor que já esteve. “As pessoas daqui são muito receptivas”, confessa o senegalês que já está no Brasil há dois anos e meio.

A nordestina Luzinethe Souza identifica-se com os senegaleses


Luzinethe Souza,
44 anos, é uma brasileira que também trabalha no local vendendo meias, chinelos personalizados e guarda-chuvas. Ela diz não ser contra a imigração dos senegaleses, porém acha injusto o tratamento que os brasileiros recebem no exterior. “Quando nós vamos para fora, o tratamento não é o mesmo que a gente dá para eles aqui”.  Ela também diz que os senegaleses que trabalham ali, apesar de serem brincalhões, são muito responsáveis e unidos. “Eles trabalham muito. Alguns possuem família lá, a qual eles ajudam, mas você não vê nenhum se divertindo aqui em festas com mulheres, quando eles relacionam-se com uma mulher é pra ser algo sério”. A vendedora também conta que identifica-se com os imigrantes, pois ela veio do nordeste para São Paulo há 30 anos em busca de uma vida melhor. “Não foi fácil, mas foi melhor que ficar lá”, diz.

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