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França: campeã e multiétnica

Por Beatriz Cruz – Fala!MACK

 

Crédito da foto: Facebook oficial do jogador

 

Os franceses, mais uma vez, ocuparam o lugar mais alto do pódio. Como em 1998, as ruas de Paris se tornaram palco da festa dos campeões mundiais. Aliás, a seleção francesa do primeiro título tem muitas semelhanças com a atual, começando pelo técnico. Didier Deschamps foi o capitão dos Les Bleus há vinte anos e se tornou, assim, o terceiro técnico na história a conquistar um título mundial como jogador e outro como técnico. Os outros são o brasileiro Zagalo e o alemão Franz Beckenbauer. Porém, o que mais chamou a atenção dos telespectadores não foi o fato do técnico ser campeão de novo ou o nível da seleção francesa em quesitos futebolísticos.

Além da crise econômica, política e social que o mundo vive, os países com maiores poderes econômicos também sofrem com a crise dos refugiados. No caso europeu, a imigração de povos da África, Oriente Médio e Ásia sempre aconteceu. Porém, a crise se agrava a cada dia com os barcos vindo da África com milhares de pessoas procurando condições de vida melhores do que as que seus países proporcionavam. Como a crise econômica também atinge os países europeus, eles estão criando leis mais duras para diminuir o fluxo de migração.

A migração tem inúmeros resultados a curto, médio e longo prazo. Mas dois principais são os que entram em questão: a questão xenofóbica desenvolvida nos países europeus e a população multiétnica. A xenofobia e o sentimento de patriotismo sempre houveram e acabaram crescendo de tamanho com as crises que os países vivem. Isso pode ser visto, não só com as pessoas que não aceitam o estrangeiro em sua terra, mas até na Marselhesa, hino da França. “Às armas, cidadãos/ formai vossos batalhões/ marchemos, marchemos! / Que um sangue impuro / banhe o nosso solo”.

Por ser extremamente popular, a Copa do Mundo aflora o nacionalismo. Ver seleções extremamente multiétnicas só reafirma que, em um mundo globalizado como o atual, é praticamente impossível de existir uma raça pura. Tanto na seleção francesa, quanto nas outras seleções, a presença de jogadores com diferentes etnias é constante. Apesar disso, o movimento de xenofobia continua a existir no cenário mundial.

Seleções como a francesa quebram os estereótipos. Mesmo sendo de etnias diferentes, eles são filhos de uma pátria em comum e fazem de tudo para defendê-la, sem se esquecerem de suas origens e descendências. Paul Pogba é um deles e demonstrou isso no final do jogo, na premiação. Enquanto esperava para ser cumprimentado pelas autoridades presentes e receber a medalha, ele quebrou o protocolo procurando a África e beijando na taça antes que o capitão do time pudesse erguê-la. Após a premiação, enquanto as famílias dos jogadores estavam dentro do campo comemorando com eles, ele entregou a taça para que a mãe pudesse levantá-la. Com isso, ele mostrou que, apesar de francês de nascença, suas raízes africanas também fizeram parte do título.

Em um mundo com tanta violência e ódio, exemplos como esse refletem que o ser humano é um só e as diferenças não devem ser esquecidas, mas apreciadas. Que o “Liberté, Égalité, Fraternité” renasça e traga novos ares para o cenário mundial.

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