Saiba tudo sobre os campos de concentração chineses
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Saiba tudo sobre os campos de concentração chineses

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Após um ataque de bomba na capital de Xinjiang em 2014, foi instalada, pelas autoridades chinesas, um sistema de vigilância, além da criação de vários campos de detenção batizados, oficialmente, como Centros de Treinamento em Formação Profissional, tais campos, localizados na região oeste da China, têm como finalidade abrigar mais de um milhão de mulçumanos, sendo em sua grande maioria os uigures.

Sendo os detentos chamados de estudantes, que têm o objetivo de se “formar” nos campos, os funcionários devem administrar a vida cotidiana deles e a garantia de terem o cabelo e a barba feitos no prazo, e, de acordo com a tradução feita, em inglês, do memorando pulicado pelo ICIJ, os estudantes são proibidos de terem celular e, consequentemente, não podem se conectar ao mundo exterior, com exceção das atividades prescritas, levando em conta que as equipes devem “lidar estritamente com os estudantes que solicitam tempo livre”.

Os estudantes, como indica o memorando, devem cumprir pelo menos um ano no campo, mas não acontece com tanta frequência, como afirmaram alguns ex-detentos ao ICIJ, mas caso necessitem abandonar o centro de capacitação devido a alguma doença, ou demais circunstâncias especiais, a pessoa deverá ser acompanhada, monitorada e controlada por algum dos funcionários. O memorando também afirma que os isolados devem ser julgados através de um sistema de pontos, o qual mede “a transformação ideológica, o estudo e a capacitação, assim como o cumprimento da disciplina”.

campos de detenção chineses
Saiba tudo sobre os chamados Centros de Treinamento em Formação Profissional. | Foto: Reprodução.

Campos de detenção chineses

As prisões têm como justificativa o uso da barba, a violação da política de natalidade e o uso do véu islâmico, sendo o motivo mais comum para a realização da prisão a violação da política oficial de natalidade que, segundo a legislação, os uigures, e as demais minorias, que vivem em áreas urbanas, podem ter dois filhos e, aos que vivem em regiões rurais, três, assim, um número elevado de homens, do que de mulheres, foram detidos por terem violado a lei e tido mais filhos que o permitido.

O ato dos homens serem os principais alvos pode indicar que o governo chinês os considera a principal ameaça na região, como afirma o especialista da Universidade do Colorado, Darren Byler, “Em termos de islamofobia, homens em geral, especialmente os mais jovens, são sempre alvos e vistos como potenciais terroristas”. Em um discurso de 2014, o presidente chinês, Xi Jinping, após o ataque de um militante uigur a uma estação ferroviária, ordenou aos seus funcionários que agissem sem piedade contra o separatismo e o extremismo.

Segundo um empresário cazaque, depois de ter passado cerca de dois meses em um dos campos, em uma entrevista para a AFP, informou que os estabelecimentos tinham como objetivo erradicar as crenças religiosas de seus prisioneiros e acrescentou que eram obrigados a comerem carne de porco e, pela manhã, a cantar hinos da pátria, todos os dias.

Pequim afirma que os Centros de formação profissional lutam contra a radicalização islamista, por conta dos atentados a militares uigures, mas a DW, NDR e WDR e o jornal Süddeutsche Zeitung, ao analisarem os documentos, foi indicado que quase nada demonstra as medidas tomadas contra os uigures estão de acordo com o combate ao extremismo, pelo contrário, os dados informam sobre a perseguição da minoria de acordo com a religião e cultura na China.

Um dos jornais que publicaram as informações a respeito dos campos na China foi o jornal britânico The Guardian, em que a embaixada da China de Londres rejeitou tais informações afirmando serem notícias falsas e fabricadas, “Não existem tais documentos ou ordens para os chamados ‘campos de detenção’. Os centros de educação e formação profissional foram estabelecidos para a prevenção do terrorismo”.

Já para o especialista em minorias étnicas chinesas da Universidade La Trobe, na Austrália, James Leibold, os documentos confirmam “a natureza calculada, coercitiva e extrajudicial das detenções”, de acordo com o Partido Comunista. Em uma declaração para a AFP, disse que os campos “destroem a propaganda do Partido de que são inocentes centros de formação profissional onde os uigures e outros muçulmanos chineses seguem livremente um período de formação”.

O governo tem evitado falar sobre as acusações de pessoas presas nos campos de internação e estarem submetidas a jurar lealdade ao presidente chinês, Xi Jinping, contudo admite que os “extremistas religiosos” estão sendo mantidos nos Centros de reeducação na região próxima à fronteira com o Tibete. A maioria dos mulçumanos internados nos campos de Xinjiang, região noroeste da China, foi libertada e, de acordo com uma das autoridades regionais, conseguiu encontrar trabalho.

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Por Sabryna Grechi – Fala! ESPM

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