Saiba de onde surgiu o medo do "comunismo"
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Saiba de onde surgiu o medo do “comunismo”

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O medo do comunismo tem sua origem na Guerra Fria. Entre os brasileiros, devido à forte influência americana na história da política brasileira durante essa época. 

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Saiba de onde surgiu o medo do comunismo. | Foto: R7.

Medo do comunismo

No contexto da Guerra Fria, onde havia uma luta ideológica entre as duas superpotências da época, a União Soviética (comunista) e o Estados Unidos (capitalista), qualquer indício de políticas de esquerda nos países dentro da área de influência norte-americana, como os países sul-americanos, eram considerados uma afronta à ideologia americana e uma aproximação à sua ideologia opositora. 

A partir de 1960, após a Revolução Cubana de 1959 instaurar um governo comunista, a preocupação dos demais países latinos aderirem à ideologia soviética se tornou real. Temendo uma revolução comunista nos países da América Latina, as Forças Armadas do EUA intensificam sua estratégia de segurança do hemisfério Oeste para intervir nos processos políticos da região. Para a manutenção de sua área de influência, golpes militares foram estabelecidos ao longo do período da Guerra Fria na América do Sul com o auxílio dos EUA – inclusive o golpe de 1964.

No Brasil, o Estados Unidos julgavam o governo de João Goulart à beira de um Estado revolucionário e, por isso, era necessário tirá-lo do poder. Na verdade, Goulart apenas visava ampliar sua diplomacia para países não aliados aos Estados Unidos, com o intuito de crescimento econômico nacional, e não por motivos ideológicos.

A mídia teve forte influência na desestabilização do governo brasileiro, influenciando a população a defender os interesses anticomunistas propagados pela superpotência. Para isso, Lincoln Gordon, embaixador estadunidense, foi enviado ao Brasil com o objetivo de promover uma campanha contra o governo e coordenar propagandas com o intuito de incentivar os telespectadores à oposição.

Em um telegrama para Washington, Gordon admite: “Estamos tomando medidas complementares para fortalecer as forças de resistência contra Goulart”. Segue alguns exemplos da ação midiática: 

Folheto anticomunista
Folheto anticomunista produzido pela USIA (United States Information Agency). | Foto: Reprodução. 
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Folheto anticomunista produzido pela USIA (United States Information Agency). | Foto: Reprodução. 
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Folheto anticomunista produzido pela USIA (United States Information Agency). | Foto: Reprodução.  

Algumas citações das grandes imprensas a favor do golpe:

Ressurge a democracia! Vive a nação dias gloriosos… Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

O Globo, 4 de abril de 1964.

Desde ontem se instalou no país a verdadeira legalidade. (…) A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas. 

Jornal do Brasil, 1º de abril de 1964.

A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. (…) Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil. 

O Povo, 3 de abril de 1964.

O golpe militar se consumou no dia 1 de abril de 1964 e instaurou no Brasil um governo ditatorial politicamente aliado aos Estados Unidos, legitimado com o argumento de defesa à democracia. Na verdade, o que ocorreu foi justamente o contrário: 21 anos de ditadura.

A influência midiática sob auxílio americano ajudou na criação do sentimento anticomunista entre a sociedade brasileira, facilitando na execução do golpe. Surge-se, então, o medo do comunismo entre os brasileiros, que perpetua até os dias atuais principalmente entre os defensores do golpe, enquanto os norte-americanos conquistaram o que visavam desde o início: um governo brasileiro aliado à sua ideologia, assim como visavam em toda sua política externa durante a Guerra Fria.

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Por Gabriela Caloni Rampazzo – Fala! PUC

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