Saiba como surgiu o mito do lobisomem
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Saiba como surgiu o mito do lobisomem

Saiba como surgiu o mito do lobisomem

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Quase todas as culturas antigas tinham lendas que misturavam homem e animal (como o lobisomem), como forma de explicar, por exemplo, crimes violentos e surtos de fúria

A lenda do lobisomem

O lobisomem é uma das lendas mais famosas do mundo, e existe no folclore de diferentes países do continente. Ele é conhecido por se transformar em um lobo em uma noite de lua cheia e depois sair para encontrar vítimas, para sugar sangue ou matá-los. Essa capacidade de transformar-se em lobo é geralmente associada a uma maldição e é chamada de desfiladeiro do lobo.

A cultura popular moderna alastrou a ideia de que o lobisomem é vulnerável somente à bala de prata ou a objetos cortantes feitos também de prata. Assim, a única forma de matá-lo seria por meio de objetos feitos desse metal.

No folclore de lugares cristãos tradicionais, as pessoas acreditam que essa maldição pode ser causada por um propósito predeterminado ou pela punição de certos pecados. Quando a lua cheia passa, o portador do ogro deixa esse estado até que a lua retorne.

A cultura popular moderna também espalhou que a maldição do lobisomem pode ser transmitida hereditariamente, isto é, de pai para filho, e que aqueles que são mordidos por ele, e sobrevivem, transformam-se também em lobisomens pouco tempo depois.

lobisomem
Saiba como surgiu o mito do lobisomem. | Foto: Reprodução.

De onde surgiu o lobisomem

A origem da lenda do lobisomem é europeia e, provavelmente, disseminou-se a partir do século XVI. Entretanto, ela aparece em alguns mitos gregos, como em Licaão e Damarco.

Diz a lenda que, no início, um homem foi mordido por um lobo e depois ficou fascinado. Portanto, na noite de lua cheia, ele se reformou, obtendo garras de lobo e um cadáver coberto de pelos, e gritou como encontrar seu alimento favorito: sangue. Até os dias de hoje, essa criatura feroz e imbatível, gera muito medo nos moradores, principalmente de áreas rurais e distantes da cidade.

O antropólogo brasileiro, Luís da Câmara Cascudo, traçou a origem da lenda do lobisomem no mundo clássico. Portanto, a lenda do lobisomem foi descoberta na mitologia grega e, posteriormente, trazida para o mundo romano. Nesse sentido, existe uma lenda da mitologia grega narrada sob diferentes versões que trata sobre o Licaão, um rei mítico de uma região da Grécia chamada Arcádia.

Nas diferentes versões desse mito, fala-se que Licaon realizou ações que desagradavam a Zeus, o grande deus do panteão grego. Zeus teria então punido esse rei com a maldição da licantropia, fazendo com que ele fosse transformado em um lobo. Uma das versões fala que Licaon teria tentando matar Zeus, enquanto outra versão fala que ele teria tentado dar carne humana para o grande deus durante um jantar. Depois de transformado em lobo, Licaon seria capaz de livrar-se da maldição se ficasse 10 anos sem consumir carne humana.

Essa última informação parece relacionada com a condição de Licaon ser um lobisomem, mas alguns estudiosos da cultura grega acreditam que ele era uma figura relacionada ao culto de tribos canibais que habitavam a Grécia. Inclusive, existem algumas teorias que demonstram que, há cerca de três mil anos, existiram gregos que acreditavam que quem consumisse carne humana poderia tornar-se um lobo.

Com a expansão das terras romanas, a lenda do lobisomem espalhou-se pela Europa e adaptou-se à cultura de cada local. A influência cristã fez com que a licantropia deixasse de ser uma maldição de Zeus e se tornasse uma punição pelos pecados. Na Rússia, por exemplo, acreditava-se que os lobisomens eram pecadores cumprindo a penitência pelos seus erros. Em cada novo local a que a lenda do lobisomem chegava, ela adquiria um novo nome: os franceses chamavam-no de loup-garou; em Portugal, ele ficou conhecido como lobisomem.

A história

Os lobisomens são muito famosos no folclore brasileiro e latino-americano, mas essa lenda pode mudar dependendo do país/ região. Em alguns lugares, acredita-se que o lobisomem somente transforma-se em uma encruzilhada na noite de sexta-feira e, ao amanhecer, ele volta à encruzilhada e se torna-se um homem. Em outras regiões, acredita-se que a oitava criança, de aparência pálida, orelhas grandes e nariz grande, provavelmente se tornará um lobisomem.

Algumas pessoas pensam que o lobisomem é o sétimo filho de um casal, e os casais anteriores eram todos mulheres. Quando isso acontecer, pensa-se que o menino se tornará um lobisomem desde a adolescência. Isso significa que o 13º aniversário marcará o primeiro momento da conversão e durará toda a noite de lua cheia até o fim da vida. Ao amanhecer, a criatura voltará às características humanas.

Existem algumas versões lendárias em que os lobisomens preferem sequestrar bebês não batizados, então muitas famílias batizarão rapidamente seus filhos. Dessa perspectiva, se a criança não for batizada, é provável que se torne um lobisomem.

Segundo a lenda, para lutar contra um lobisomem, o indivíduo deve atingi-lo com objetos de prata ou fogo e balas.

Influência portuguesa na lenda

Naturalmente, a lenda do lobisomem chegou ao Brasil por meio dos portugueses, durante o período em que eles colonizavam o Brasil. Em nosso país, a lenda chegou e assumiu diferentes características em cada região.

Em Portugal, acreditava-se que o lobisomem era um homem muito magro, com orelhas compridas e nariz avantajado. Falava-se que ele poderia ser um homem amaldiçoado por ser predestinado à maldição, bem como esta poderia ser uma penitência de pecados cometidos.

Havia também uma relação da lenda com o aspecto moral, pois acreditava-se que o filho nascido de um incesto seria um lobisomem. No caso da predestinação, acreditava-se que o primeiro filho homem nascido depois do nascimento de sete filhas seria o monstro. Uma vez transformado nisso, o ser partiria à procura de cemitérios e de pessoas para alimentar-se.

Brasil

Aqui no Brasil, como mencionamos, a lenda chegou por meio dos portugueses e alguns estudos realizados concluíram que não existia uma lenda desse tipo entre os povos indígenas. O mais próximo disso eram lendas que acreditavam que homens ou mulheres poderiam transformar-se em alguns animais da floresta.

Essa lenda no folclore brasileiro acabou adquirindo elementos presentes na sua versão portuguesa. Assim, era comum acreditar que o lobisomem era o homem nascido depois que a mãe tivesse sete filhas, embora versões da lenda falem que se nascessem sete filhos homens, o oitavo filho também seria o animal.

No Norte do Brasil, o lobisomem era o homem que tinha a saúde debilitada, e aquele que fosse anêmico acabaria transformando-se nele. Uma vez transformado, alimentaria-se do sangue de outros humanos para compensar a pobre dieta. A transformação aconteceria nas noites de quinta para sexta-feira.

No Sul, por sua vez, o fato que transformava o homem em lobisomem era o incesto. No Brasil, não houve registro no folclore da crença na transformação de mulheres em lobisomens. Em nosso folclore, somente os homens tornam-se os bichos.

Outra crença relacionada ao lobisomem no Brasil é que, no interior do São Paulo, acreditava-se que esse ser tentava invadir as casas para comer as crianças. Muitos acreditavam que o lobisomem ia atrás, especialmente, de crianças não batizadas. Acreditava-se, no interior do Brasil, que a bala revestida com cera de vela usada em missas de galo era o necessário para matá-lo. No entanto, ferimentos no lobisomem causados por objetos como uma faca ou foice eram suficientes para quebrar a maldição e fazê-lo voltar à sua forma humana.

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Por Sabrina Ferreira – Fala! Centro Universitário Brasileiro de Pernambuco – Recife

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