Opinião - Sabedoria e Felicidade: A sabedoria como plena realização da natureza humana
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Opinião – Sabedoria e Felicidade: A sabedoria como plena realização da natureza humana

Opinião – Sabedoria e Felicidade: A sabedoria como plena realização da natureza humana

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A busca pela verdade e o amor à sabedoria são temas filosóficos, os quais percorrem a história do pensamento humano. Desde a Antiguidade Oriental, é possível verificar, na cultura dos povos, um anseio recorrente pela melhor maneira como se deve viver para alcançar a plena felicidade. A partir de um estudo da filosofia antiga, é possível deduzir um axioma presente na cosmovisão dos povos da Antiguidade, a saber: não é possível ser feliz sem a busca incessante pela verdade por meio da sabedoria.

No Livro de Provérbios, o rei Salomão, clássico da literatura sapiencial hebraica, escreve: “Bem-aventurado o homem que acha a sabedoria, e a pessoa que encontra o entendimento, pois a sabedoria é muito mais proveitosa que a prata, e o lucro que ela proporciona é maior que o acúmulo de ouro fino”.

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A sabedoria é um meio para alcançar a felicidade. | Foto: Reprodução.

Felicidade através da sabedoria

Segundo supramencionado, a sabedoria é imprescindível para a felicidade, já que a plena realização da natureza humana só é possível mediante ao desenvolvimento de um amor com o pensamento medidativo. Afinal, o homem é um animal racional, cujas faculdades da inteligência e da vontade almejam o conhecimento. Destarte, a busca pela verdade está no âmago da essência dos seres humanos.

Portanto, desprezar a sabedoria, compreendida enquanto o conhecimento intelectivo da realidade última, o qual se manifesta no agir cotidiano, é negar o indispensável do homem, aquilo que o difere dos animais, a saber: a consciência de sua existência e a relação de sua razão com o mundo. Desse modo, a sabedoria está na contemplação e meditação. Conforme ressaltava Platão, “admirar-se consigo e admirar-se com o mundo” são preceitos da sabedoria, pois a existência humana é belíssima e meditar acerca de sua beleza é essencial.

Ademais, existem inúmeras coisas que superam a razão e, por conseguinte, a complexidade da existência  nunca será compreendida totalmente pela inteligência do homem. Daí decorre a importância da humildade, considerada pelo filósofo Pascal, o fundamento nevrálgico da sabedoria, já que o entendimento é limitado e sempre haverá algo novo para se conhecer.

Sendo assim, viver com sabedoria é sempre uma busca, um caminho constante de compreender a complexidade do mundo, suas verdades e, ao mesmo tempo, reconhecer a ignorância pessoal diante da variedade de fenômenos da natureza e da vida. Para muitos pensadores, a sabedoria é a busca da verdade, cujo fundamento é o sentido das coisas, ou seja, o significado derradeiro da existência. Nesse sentido, disse o teólogo Agostinho de Hipona: “Mas justamente esta é a felicidade do homem: buscar perfeitamente a verdade. Isso é chegar ao fim, além do que não se pode passar”.

Destarte, o processo de trilhar o caminho rumo ao conhecimento verdadeiro, sempre com humildade e resignação, representa a suma felicidade humana. Por certo, a realização da natureza humana não se dá pela posse de bens materiais tampouco pelos prazeres sensíveis. Enfim, conforme dizia Francis Bacon, “Procure as boas coisas da mente e o resto lhe será proporcionado, ou, então, a falta do resto não será sentida”.

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Por Leonardo Leite – Reaviva Mack – Universidade Presbiteriana Mackenzie

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