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Análise: Não se pode subestimar o River

Análise: Não se pode subestimar o River

Por Renan Carvalho Nievola – Fala!Cásper

 

Foto: River Classificado. Crédito: Wesley Santos/Agência Press Digital


O Grêmio havia feito o mais difícil. Há exatos sete dias, logo depois do triunfo do tricolor gaúcho na Argentina, em pleno Monumental de Nuñez, eram poucos os que consideravam a classificação do imortal para a final da Libertadores uma façanha difícil de ser alcançada. O placar de 1 a 0, dentro da casa do River Plate, deixou o clube gaúcho em confortável vantagem para o jogo da volta, que seria disputado na Arena do Grêmio, com milhares de tricolores prontos para empurrar o time rumo à final do torneio continental. Mas não se pode subestimar o River Plate.

Tudo começou dentro do esperado. Já no primeiro tempo, após cruzamento de Alisson em escanteio pelo lado direito do ataque gremista, a bola desviou na zaga do River e sobrou para Leonardo. O Lateral chutou de primeira da entrada área, a bola desviou mais uma vez na defesa milionária e morreu à direita do goleiro Armani. 1 a 0 Grêmio.

Ao final do primeiro tempo, o tricolor gaúcho estava vencendo o River por 2 a 0 no placar agregado (somando os resultados das duas partidas). O imortal poderia até tomar um gol que se classificaria à final da Libertadores.

Antes dos dez minutos da segunda etapa, Renato Gaúcho sacou o volante Maicon e apostou em mais um atacante: Everton Cebolinha. A mudança ocorreu devido a um desconforto na coxa direita sentido por Maicon, e acabou abrindo mais o meio-campo para a equipe do River.

Everton até entrou bem no jogo. Arriscou de fora da área e obrigou o goleiro Armani a salvar o time argentino. À medida que os minutos passavam, o Grêmio demonstrava mais nervosismo na partida, e os cartões amarelos para Paulo Miranda, aos 11 minutos da segunda etapa, e para Bruno Cortez, aos 18, evidenciaram isso.

Na marca de 21 minutos do segundo tempo, Cebolinha teve a chance de sacramentar a classificação gremista: o atacante recebeu lançamento de Jael, arrancou e ficou cara a cara com Armani. O goleiro que defendeu a argentina na Copa do Mundo mostrou por que foi um dos convocados de Sampaolli para o mundial na Rússia e salvou o River mais uma vez.

Mesmo com o nervosismo digno de um jogo eliminatório de Libertadores, o Grêmio parecia que sairia de campo com a classificação, tendo em vista que o River também errava passes e se mostrava ansioso na hora de criar chances de gol. O panorama mudou depois que o zagueiro gremista Paulo Miranda começou a sentir câimbras. Ele teve que deixar o gramado, dando lugar a Bressan.

O substituto definitivamente não estava em uma boa noite. Antes sequer de tocar na bola, recebeu cartão amarelo, aos 25 minutos da etapa final e apenas um minuto depois de ter entrado no jogo. Aos 36 minutos da segunda etapa, a menos de 10 minutos do fim do tempo regulamentar, Pity Martínez cobrou falta na cabeça de Borré. Na entrada da pequena área, o atacante do River cabeceou, o goleiro Marcelo Grohe até chegou a tocar na bola, mas ela terminou no fundo da rede. Empate dos Millionários.

O Grêmio ainda estava assegurando a classificação à final. Mesmo assim, a torcida tricolor sentiu o golpe e se calou na Arena, enquanto a do time argentino subiu o volume do cântico. No minuto 41 do segundo tempo, veio o lance que culminou na desclassificação gremista. Scocco chutou um pouco à frente da linha da grande área, ela desviou em Bressan e foi para a linha de fundo. A princípio, nenhuma reação mais fervorosa foi notada, e todos acreditavam que seria escanteio para o River, inclusive os próprios jogadores argentinos, que pediram o desvio em Bressan indicando que deveria ser cobrado o escanteio do lado direito do ataque. O árbitro da partida, Andrés Cunha, recebeu um aviso do assistente de vídeo – que é responsável por checar as repetições dos lances – de que a bola teria desviado na mão de Bressan depois do chute de Scocco. Andrés Cunha foi checar o lance na tela e concluiu que, de fato, o desvio ocorreu e que, portanto, foi pênalti. Indignado com o lance, Bressan reclamou veementemente com o árbitro e levou o segundo cartão amarelo, sendo expulso do jogo. Pity Martínez converteu a cobrança e colocou o River na frente do placar.

Foto Bressan. Crédito: Reuters


 Após o gol milionário, ainda houve tempo para o goleiro gremista, Marcelo Grohe, levar cartão amarelo e o meio-campo do River, Pity Martínez, também. O tricolor gaúcho pouco conseguiu fazer após sofrer a virada. Alisson ainda tentou em cobrança de falta, mas Armani defendeu sem dificuldade. Aos 59 minutos da etapa final, Andrés Cunha decretou o fim do jogo e do sonho gremista do tetracampeonato da Libertadores.

A desclassificação gremista foi decepcionante e inesperada. O resultado serviu como lição de que é necessário ter atenção até o minuto final e não deixar o nervosismo permitir que erros simples aconteçam. No lance do primeiro gol, uma falha de marcação do Grêmio permitiu a Borré subir praticamente sozinho para cabecear. No lance do pênalti que resultou no gol da virada do River, uma atitude imprudente de Bressan fez com que ele se posicionasse com o braço aberto dentro da área para tentar cortar o chute de Scocco, mesmo sabendo já há algum tempo que a orientação dada à arbitragem é de que toque no braço ou na mão dentro da área deve ser assinalado. O nervosismo tomou conta do tricolor, e impediu o sonho do tetra neste ano.

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