Review 'Coisa Mais Linda' - 2ª temporada: O protagonismo da mulher
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Review ‘Coisa Mais Linda’ – 2ª temporada: O protagonismo da mulher

Review ‘Coisa Mais Linda’ – 2ª temporada: O protagonismo da mulher

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Após pouco mais de um ano de espera, no dia 19 de junho (sexta-feira), a Netflix estreou a segunda temporada de Coisa Mais Linda. A série, que foi lançada no dia 22 de março de 2019, teve sua primeira temporada com sete episódios publicados e agora, na segunda, com apenas seis episódios.

O enredo, que se passa na década de 60 no Rio de Janeiro, conta a história de quatro mulheres que lidam com realidades totalmente distintas, mas com algo em comum: o machismo escancarado na sociedade brasileira da época.

Desde a primeira temporada, a trama aborda questões sociais extremamente importantes, principalmente para entender a realidade das mulheres brasileiras e, mais ainda, das mulheres negras. Apesar do extenso intervalo de tempo entre 1960 e 2020, algumas situações mostradas ainda acontecem atualmente, o que nos leva a concluir que o machismo e o racismo estão interligados e completamente enraizados em nossa sociedade.

2ª temporada de Coisa Mais Linda

Mesmo sendo mais curta, a segunda temporada estende o protagonismo da série além da história de Malu (Maria Casadevall), que após a tragédia na noite de ano novo e perda de sua melhor amiga Lígia (Fernanda Vasconcellos), recupera-se rapidamente e volta para casa. Agora, ela terá que lidar com um novo problema para recuperar o Coisa Mais Linda de volta.

Nesta nova etapa, todas as histórias ganham destaque de acordo com a realidade que vivem, como a Thereza (Mel Lisboa), que está cada vez mais focada no novo trabalho da rádio, mas a situação do casamento não está nada agradável para ela e Nelson (Alexandre Cioletti)

E Adélia (Pathy Dejesus), que sofre com sua vida amorosa cada vez mais emblemática. Após revelar o verdadeiro pai de sua filha, seu coração fica dividido entre dois amores muito importantes para sua vida. Além dela, sua irmã Ivone (Larissa Nunes) entra em destaque nesta fase após reconhecer sua potência vocal e o amor pela música. 

coisa mais linda 2ª temporada
Cena da 2ª temporada de Coisa Mais Linda. | Foto: Reprodução/Netflix.

A sororidade ganha mais destaque

O brilho que cada personagem ganha nesta nova temporada influencia diretamente na relação entre as mulheres da série. Isso porque, apesar de viverem o machismo como uma realidade comum, como no trabalho e na vida como mãe e esposa, cada uma lida de forma distinta, fortalecendo cada vez mais a união entre elas.

No caso da Adélia, o machismo vem acompanhado do racismo. Em muitas situações, ela é colocada numa posição inferior, principalmente no prédio de sua nova residência, onde foi chamada de “empregada” e a filha de “bastarda”, por um morador do mesmo local, apenas pelo fato de ser mulher e negra

Essa é a realidade de muitas mulheres nos dias de hoje, que mesmo com a evolução dos direitos das mulheres e sua posição na sociedade, as mulheres negras enfrentam arduamente o machismo acompanhado do racismo. 

No decorrer da série, a união entre elas faz a força para continuarem lutando por seus direitos, pela sua liberdade individual e seu direito de escolha, mostrando que quanto mais as mulheres estiverem unidas, maior a chance de quebrar os paradigmas impostos pela sociedade extremamente machista em que vivem. Essas situações são frequentemente demonstradas na segunda temporada

A importância dos assuntos abordados pela série

O roteiro aborda questões polêmicas, mas extremamente urgentes, como o machismo, o racismo, o assédio, a desvalorização da mulher, a luta diária de ser mulher em um país machista, entre outros temas que, mesmo retratando a década de 60, hoje ainda acontecem muitas situações semelhantes com várias mulheres brasileiras. 

É importante destacar que a série lida com esses assuntos de forma muito concisa e clara, deixando escancarado para os espectadores a maneira como a mulher era tratada na época, a sua inferioridade pela figura masculina, a sua mínima voz ativa para sua liberdade individual, sua presença no mercado de trabalho, o direito de ir e vir onde quiser, todas essas situações submetidas à presença masculina em todos os campos sociais e o cumprimento de sua única obrigação como mulher: mãe, esposa e, acima de tudo, bonita e elegante. 

Mas as quatro mulheres protagonistas estão na série para quebrar diversos tabus, que, na época, eram consideradas como uma afronta aos costumes e regras sociais.

Atualmente, isso mostra que graças a essas mulheres e à emancipação de movimentos sociais em prol da igualdade de direitos entre gêneros ampliam cada vez mais o lugar de fala e a presença da mulher na sociedade, atribuindo a elas sua própria liberdade individual e o direito de escolher qual caminho quer seguir por toda a vida, sem a permissão ou submissão de um homem. 

O racismo estrutural na vida das mulheres negras

Assim como o machismo, o racismo possui grande destaque no decorrer da série, principalmente com as personagens Adélia e Ivone. De forma assertiva, as situações vivenciadas pelas protagonistas retratam a inferioridade mais acentuada na realidade das mulheres negras, pela influência do machismo e do racismo, diferentemente das mulheres brancas.

O tempo todo, em diversas cenas, tanto as personagens de Pathy DeJesus e de Larissa Nunes são colocadas em uma posição inferior ou passam por situações constrangedoras por pessoas brancas que, a todo o tempo, cismam em colocá-las em seu “devido lugar”.

Adélia foi chamada, muitas vezes, como empregada ou babá, seja na praia ou no prédio que está morando. As pessoas que usam falas extremamente racistas, fazem questão de humilhar a personagem, afirmando que “aquele lugar não era para gente como ela.”.

Já Ivone, que está cada vez mais interessada pelo mundo da música e evoluir sua potência vocal, enfrenta as dificuldades do racismo, que a coloca como inferior em diversas situações e questiona sua capacidade de conseguir uma posição de destaque dentro da música, algo que, na época, era destinada às pessoas brancas. 

Poucos episódios carregados de aprendizados

Por fim, a nova temporada de Coisa Mais Linda trouxe apenas seis episódios, menos do que na primeira, que contou com sete capítulos. 

Foi um assunto muito comentado pelos espectadores, visto que, com o grande intervalo de tempo entre o lançamento da série e da nova temporada, especularam que a produção elaborasse mais episódios do que na primeira temporada, aprofundando mais ainda o destino final das quatro protagonistas mulheres. 

Com isso, nos leva a questionar: Coisa Mais Linda terá continuação? O que vai acontecer com as personagens? Bom, ainda não é possível responder a essas perguntas. Acredita-se que pela maneira como a segunda temporada termina e o acolhimento do público com a série é bem provável que seja renovada. A Netflix ainda não confirmou uma possível terceira continuação de episódios, portanto, ainda não se sabe se isso realmente vai acontecer. 

A série Coisa Mais Linda está disponível para todos os assinantes da plataforma de streaming Netflix. Vale muito a pena usufruir de cada episódio, que, por sua vez, nos trazem aprendizados e entendimentos da realidade de todas as mulheres brasileiras e sua luta por mais direitos, igualdade, voz ativa, lugar de fala e liberdade de escolha. 

Assista ao trailer da 2ª temporada:

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Por Larissa Cassano – Fala! Cásper

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