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Netflix Presencial – A Resistência das Videolocadoras

Por Anna Capelli e Isabela Barreiros – Fala!Cásper


Netflix presencial

Afeto e nostalgia garantem a resistência das videolocadoras na era do streaming

 

Foto: Portal Communicare

Os corredores cheios de caixinhas coloridas, passar horas andando por eles, vagando por cada uma das seções e decidindo qual era a melhor opção. Pedir indicações ao dono da locadora, e às vezes até mesmo às pessoas que visitavam o mesmo corredor que você. Então devolver os filmes da semana seguinte – depois de rebobinar a fita VHS, antes dos DVDs chegarem -, frustrado quando o tempo não havia sido suficiente para assistir todos eles.  As idas a videolocadoras eram um programa frequente para quase qualquer um que tenha crescido entre a década de 1970 e meados dos anos 2000. Hoje em dia é raridade, e nos parece até estranho que alguém saia de casa para escolher um filme, quando temos milhares de títulos a apenas um clique.


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A indústria mudou rapidamente: em menos de duas décadas, rebobinamos VHS, usamos aparelhos de DVD e agora assinamos Netflix. Em 2010, havia 2 mil locadoras de filmes registradas no Sindicato das Empresas de Vídeo em São Paulo. Cinco anos depois, o número já havia sido reduzido para 532. As causas disso vêm desde a evolução da Internet em si até os serviços de streaming hoje. Primeiro, as TV a cabo, que possuíam diversos títulos de filmes e exigiam apenas a vontade de vê-los, com comodismo e facilidade. Devido ao avanço da pirataria nas redes, juntamente com a possibilidade dos downloads ilegais, o ato de sair de casa e ir até a locadora passou a parecer desnecessário. Isso é ainda mais perceptível quando os serviços de streaming se tornaram os maiores companheiros dos que gostam de cinema. É bem provável que a grande maioria dos clientes das antigas videolocadoras hoje façam parte dos 131 milhões de assinantes que a Netflix coleciona ao redor do mundo.

Foto: Lilli Sams/Mashable

 

Foto: Brad Chacos

 

Foto: Curta Mais

Mas o computador não traz o cheiro que vem junto com as caixinhas de DVD. Também não consegue repetir a sensação de ter todas as opções de títulos no toque da sua mão. Andar pelos corredores das locadoras é muito mais do que apenas escolher algo para assistir – é a experiência de estar em um ambiente que te possibilite o “além-filme”. A facilidade do streaming faz sentido em uma sociedade contemporânea que deseja rapidez e racionalidade em tudo, mas isso não quer dizer que a nossa relação com objetos de afeto precise ser analítica dessa maneira. “Existia uma magia no ato de levar um filme para casa. Eu me lembro do cheiro das fitas, de você precisar rebobina-las após assistir. Era uma experiência física, muito sensorial e também sociocultural” explica o diretor do documentário CineMagia, que narra os últimos movimentos das videolocadoras no Brasil, Alan Oliveira.

Foto: Portal Bem Paraná

E é acreditando nisso que alguns lojistas teimosamente mantêm seus estabelecimentos. Daquelas milhares de locadoras de São Paulo, poucas resistem até hoje, alimentadas por um tanto de saudosismo e outro de fidelidade. O fenômeno é mundial – nos Estados Unidos, berço de companhias como Hulu e Netflix, apenas uma das milhares de franquias da gigante Blockbuster continua de portas abertas. A dona da loja em Bend, Oregon, afirma: “eu acredito que finalmente encontramos aquele ponto confortável, onde as pessoas começaram a entender que vir até aqui, escolher um filme, andar por aí, conversar sobre filmes… É algo de que as pessoas sentem falta.”

A última loja Blockbuster americana – Foto: CNN/ Chase Millsap

 

“Há lugar para ambos. Há um lugar para Netflix e Hulu. E há um lugar para isso [as videolocadoras]”. É o que Sandy, a proprietária da última franquia da Blockbuster nos EUA, também defende. E a resistência das últimas videolocadoras do país ressalta a possibilidade de coexistência de duas tecnologias que, em suas diferenças, expressam a mesma paixão pelo cinema.

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