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Resenha: The Post – A Guerra Secreta

Resenha: The Post – A Guerra Secreta

Por Julia Helena T. Tabach – Fala!Cásper 

 O sangue e a tinta

Em um tempo em que notícias falsas proliferam na velocidade da luz, quando crenças e convicções pessoais adquirem mais importância que os fatos, um filme que aborde a apuração e a busca pela verdade por trás do processo jornalístico se torna extremamente necessário. É o caso de The Post – A Guerra Secreta, produção de Steven Spielberg que chegou às telas brasileiras no começo desse ano, em 25 de janeiro.

O longa narra a luta dos jornais The Washington Post e The New York Times para publicar documentos secretos que continham revelações comprometedoras sobre o envolvimento americano na Guerra do Vietnã. Com nomes como Meryl Streep e Tom Hanks, o filme concorreu a seis categorias no Globo de Ouro e está entre os favoritos para o Oscar de Melhor Filme, premiação prevista para o próximo domingo, dia 4.

Meryl Streep interpreta Katharine Graham, proprietária do The Washington Post, um jornal local em busca de expansão, prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores, enquanto Tom Hanks dá vida ao impulsivo e controverso editor Ben Bradlee. A trama tem início quando The New York Times publica documentos secretos sobre a Guerra do Vietnã, conflito que já durava 15 anos e que encarnava a ideologia da Guerra Fria, uma vez que os Estados Unidos auxiliavam o Vietnã do Sul na luta contra o regime comunista do Vietnã do Norte. Apesar de todos os esforços, a guerra terminou com a derrota do lado capitalista e com a unificação da região.

Os documentos obtidos pelo Times revelavam, contudo, que as tropas americanas foram mantidas por longos anos no campo de batalha, mesmo com contínuas perdas, a fim de evitar uma derrota humilhante para os Estados Unidos. Assim, as versões otimistas da Casa Branca, que por tanto tempo embalaram o sonho americano, não condiziam com a realidade do front.

Logo depois de publicar a primeira parte dos papéis, o Times é proibido judicialmente de prosseguir com a empreitada, o que deixa o Post em um dilema. Estando em vias de se expandir, veicular os documentos e desobedecer uma ordem desse porte arriscaria não só a liberdade de seus editores, mas também a própria sobrevivência do jornal.

Com direção de fotografia de Janusz Kaminski, o filme faz um retrato inusitado dessa situação, utilizando diferentes ângulos de filmagem. A câmera foca sobre os papéis e as máquinas presentes na redação, mostrando com detalhes o processo de produção de um jornal na década de 1970, algo muito distante do fazer jornalístico atual. Além disso, o filme aborda questões sociais importantes, como a igualdade de gênero, ao mostrar Katharine Graham, (Meryl Streep), ocupando um cargo alto no Post, algo incomum para a época, e a liberdade de imprensa.

Contudo, o longa peca em alguns pontos. Em comparação com outros filmes sobre o mesmo tema, como Mark Felt – O Homem que Derrubou a Casa Branca, (2017), os perfis traçados em The Post são muito rasos, privando o espectador de uma visão mais ampla de todas as implicações envolvidas na trama. Ademais, alguns personagens esbarram no estereótipo, como Ben Bradlee, (Tom Hanks), a típica figura do jornalista folclórico, inconsequente e ávido por um furo de reportagem.

Mesmo com essas falhas, pesando pontos altos e baixos, o filme vale ser assistido. Em uma época como a atual, em que a imprensa está sendo cada vez mais desacreditada, a luta de um jornal para levar a verdade até seus leitores merece ser vista e aplaudida.


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