Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Quero me cadastrar!
Menu & Busca
Resenha: Pantera Negra

Resenha: Pantera Negra

Por Isabella von Haydin – Fala!Cásper

 

Confira a resenha do filme que quebrou barreiras entre o debate social e o audiovisual mainstream.

O início é digno de um conto de fadas:  um pai conta a seu filho a história de sua terra natal, Wakanda, onde cinco tribos viviam em discórdia até se submeterem a um forte guerreiro que possuía os poderes da Pantera Negra, considerada uma espécie de divindade.  E assim, em uma das animações mais bonitas que já vi, o novo filme da Marvel dá partida a uma produção de fotografia linda, cheia de cores e paisagens vivíssimas. 

Pantera Negra conta a história de um herói africano que vivia em um país isolado, rodeado por tecnologia avançada. Todavia, após a aparição de um vilão carregado de mágoas e cicatrizes – em todos os sentidos – a segurança da nação é ameaçada.

[read more=”Leia Mais” less=””]

Mais do que um filme de super-herói, Pantera Negra discute temas importantes que, em geral, ficam reclusos a debates entre os afetados e negligenciados pela sociedade; como o racismo estrutural velado, a emancipação feminina e a ajuda ao outro, colocando sua exposição em jogo. Ryan Coogler dirigiu o filme de forma que tudo isso fosse exibido de forma leve e natural.

Os Panteras Negras dos anos 60 constituíam o partido homônimo que, em tempos de segregação racial nos Estados Unidos, lutavam por seus direitos civis sem justificarem seus meios, leia-se a partir do uso da violência também, inclusive como forma de proteção a atuação agressiva e invasiva da polícia – que, quase 60 anos depois, continua matando mais negros do que brancos. E não é só nos EUA não: no Brasil, a cada 100 mortos, 71 são negros, de acordo com o Atlas da Violência de 2017. Essa herança maldita é traço presente no antagonista do filme, que clamava vingança pelos seus ancestrais e por tudo que os negros sofreram desde o período colonial.

“Jogue-me no oceano com meus antepassados que pularam dos navios, porque sabiam que a morte era melhor do que a escravidão.”

Apesar de contraditório, devido a forte conotação política dos militantes, o filme aborda outras soluções para esses conflitos. De acordo com Wes Machado, estudante de teatro e coordenador geral do Diretório Acadêmico Pagu de Artes da Universidade Anhembi Morumbi, o antagonista, representado por Michael B. Jordan, é na verdade um mero reflexo do sistema; um homem que carrega uma herança histórica e assume uma posição de revolta.

Já era tempo de Hollywood realizar uma produção em que não só a maioria dos atores são negros, como também a maior parte da equipe. É raro ver um filme blockbuster em que alguma minoria ganhe um papel além do coadjuvante engraçado ou marginalizado e estereotipado, mas que ocupe uma posição de protagonismo e, finalmente, de maioria.

[/read]


Confira os outros indicados ao Oscar:

– Resenha: The Post – A Guerra Secreta

Resenha: Três Anúncios Para um Crime

Resenha: A Forma da Água

Resenha: Me Chame pelo Seu Nome

Resenha: Lady Bird


3 Comentários

  1. Tabaré Golmar
    1 ano ago

    É realmente um bom filme! Vale a pena assistir? Sim! O gráfico do filme é de cair o queixo, as cenas de ação são muito eletrizantes, os rituais simbolizando as tradições tribais africanas nos transportam para uma realidade totalmente diferente da nossa. As atuações dos atores estão sensacionais, eles incorporaram os papéis de forma magistral, mas entre tantas estrelas, há um nome que roubou corações: Michael B. Jordan (muito talentoso, eu compartilho seu novo projeto, Fahrenheit 451, aqui: https://br.hbomax.tv/movie/TTL711416/Fahrenheit-451 os detalhes), na pele de Killmonger, um vilão impossível de odiar, realmente muito cruel sem traços caricatos e exagerados. A forma como a tecnologia foi perfeitamente agregada à cultura africana foi simplesmente incrível. Os efeitos visuais e a agregação do moderno com o antigo foi, sem dúvida, fantástico. Um dos melhores e mais criativos filmes que já li no cinema.

  2. 1 ano ago

    amei esse filme de mais
    kkkkkkkkkkkkkkk

  3. Rodrigo Pro
    8 meses ago

    Pantera Negra não foi o primeiro super-herói negro dos quadrinhos, além de ter sido criado por dois brancos. Em 1947 já havia um super-herói negro criado por negros. Outro ponto é que Pantera Negra retrata uma sociedade reinada numa monarquia absolutista por um rei super-herói que não está nem aí para o povo negro do resto do mundo. Onde esteve Pantera Negra durante o Apartheid? E durante o nazismo na África? E durante as colonizações? Vejam as críticas em: O primeiro super-herói negro foi criado por negros em 1947. Pantera Negra foi criado em 1966 por dois brancos: https://medium.com/@thecinebuzzstop/pantera-negra-foi-o-primeiro-super-her%C3%B3i-negro-dos-quadrinhos-6249f8e16dc1

Tags mais acessadas