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Resenha: Me Chame pelo seu Nome

Por Gabriela Almeida – Fala!Anhembi

 

Me Chame pelo seu Nome, o filme que encantou público e crítica no Festival de Toronto, finalmente chegou ao Brasil – e prepare-se para sair do cinema apaixonado pela história que encantou as academias do Globo de Ouro e do Oscar deste ano.

O filme, dirigido por Luca Guadagnino, é baseado no romance italiano de mesmo nome, escrito pelo autor norte-americano André Acima. O filme conta a história de Elio (Timothée Chalamet), um adolescente de 17 anos, que se apaixona por Oliver (Armie Hammer), um universitário de 24 anos que está terminando sua tese de doutorado. Oliver vai passar seis semanas na casa de veraneio do adolescente, em alguma cidade do norte da Itália. A partir daí, os dois personagens descobrem que tem muito em comum e vivem um amor de verão inesquecível.

Estamos todos acostumados a histórias de amor em que duas pessoas se encontram e vivem momentos felizes, até que o relacionamento é posto em risco para só depois vir o final feliz para ambos. Mas sabe o que há de diferente neste filme? O desenrolar realista da história. Talvez seja por isso que o filme tenha conquistado tanta gente desde de sua estréia.

Me Chame pelo seu Nome fez-me lembrar de Orgulho e Preconceito, sim, aquela adaptação de um dos romances mais famosos de Jane Austen, em que Kiera Knightkey e Matthew Macfadyen deram vida a um dos casais românticos mais famosos de todos os tempos, Elizabeth e Darcy. Os filmes se assemelham por conta de seus ritmos e como as músicas se encaixam perfeitamente a eles, e pela urgência em que as coisas acontecem até eles perceberem que estão apaixonados. A diferença é que o par romântico de Me Chame pelo seu Nome teve apenas algumas semanas para perceber o que cada um sentia por outro, um tempo muito menor do que tiveram Lizz e Darcy em Orgulho e Preconceito. E Elio e Oliver não começam o filme se odiando. Na verdade, eles estão tentando entender um ao outro, e tentando construir uma amizade entre os dois.

A fotografia está impecável! Na verdade, houve apenas uma cena (que não vou especificar muito por conta dos spoilers), que me incomodou um pouco por conta do efeito usado pelo diretor na edição final do filme – acredito que vocês irão perceber quando assistirem.  Além disso, os tons pasteis usados ajudam a retratar uma Europa de tirar o fôlego.

A história se passa nos anos oitenta, mais precisamente em 1983. Vocês já viram o quanto essa época, que não está tão distante, está voltando com força total nesses últimos anos? Eu não digo só em questão de roupas, mas filmes e séries: It: a Coisa, que teve seu remake lançado em 2017, e Stranger Things, um dos maiores sucessos da Netflix, são exemplos dessa onda de homenagens a uma década que marcou a vida de muita gente. Fora isso, o filme, para encaixar com esse cenário dos anos oitenta, traz figurinos impecáveis e  uma trilha sonora incrível com músicas que estão disponíveis no Spotify para vocês escutarem sempre que sentirem vontade.

Os atores escolhidos para a adaptação são incríveis. Armie Hammer é veterano nas telonas, fez filmes como Agentes U.N.C.L.E e Cavaleiro Solitário, e não é estreante no Oscar. Já Timothée Chalamet está sendo considerado uma promessa do cinema. Muitos que assistiram ao filme elogiaram Armie pela sua atuação, mas vocês viram a atuação do Timothée? Ele não só fez um trabalho incrível como também recebeu o prêmio New York Film Critics Circle Award com Melhor Ator, e ainda está concorrendo ao Oscar na mesma categoria. Fora isso, os atores possuem uma química incrível, fazendo com que, durante todo o filme, torcemos para que os dois fiquem juntos e tenham um final feliz.

Talvez não haja palavra que melhor defina Me chame pelo seu nome do que sensual. Sim, sensual. O filme é incrível e a relação que os personagens constroem é linda e natural, mostrando que os atores fizeram seu trabalho de casa. Além disso, ele traz uma lição de vida incrível, passada durante uma conversa entre Elio e seu pai: no mundo real não existem finais felizes e, por isso, devemos aproveitar tudo aquilo que nos é disposto no agora, não amanhã ou depois de amanhã, e sim hoje.

“Arrancamos tanto de nós mesmos para nos curarmos das coisas mais rápido do que deveríamos, que declaramos falência antes mesmo dos trinta e temos menos a oferecer a cada vez que iniciamos algo com alguém novo…”
André Acima, em “Me Chame Pelo Seu Nome”

 

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