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Resenha: Marcha Cega

Marcha Cega retrata a violenta repressão da Polícia Militar nas manifestações populares em São Paulo, que transformaram as ruas da cidade em verdadeiros campos de batalha

Marcha Cega é um documentário pronto para cumprir um papel importante na discussão sobre democracia e segurança pública no Brasil – sobretudo em São Paulo. Com depoimentos ricos e imagens impressionantes, o filme faz um retrato maduro da repressão estatal – representada pelo seu braço armado, a Polícia Militar – às manifestações populares.

De início, o filme apresenta a história de Sérgio Silva, fotógrafo que cobria as manifestações de junho de 2013 contra o aumento das tarifas do ônibus quando levou um tiro de bala de borracha no olho esquerdo (Sérgio perdeu a visão daquele olho). A história de Sérgio é intercalada com imagens das manifestações em que é possível ver um policial militar, equipado com uma espingarda de bala de borracha, realizar disparos na altura do olho de um homem adulto – o código da PM prevê que os disparos devem ser efetuados da cintura para baixo, justamente para evitar episódios como o que sofreu Sérgio.

Assim é Marcha Cega: os depoimentos quase sempre são intercalados com imagens, provavelmente cedidas por jornalistas midialivristas (jornalismo digital independente, que não necessita de grandes aparatos, estúdios, etc., nem de mediador), que são a defesa e a testemunha da violenta repressão por parte do Estado contra os manifestantes. Contando episódios variados como a Primavera Secundarista, os atos contra a Copa do Mundo e as manifestação contra o presidente Temer, o filme ainda traz depoimentos de Luiz Eduardo Soares, ex-secretário de segurança nacional e co-autor do livro Elite da Tropa, o tenente-coronel reformado da PM Adilson Paes e Souza, o senador Eduardo Suplicy, entre outras vítimas e especialistas.

MARCHA CEGA
Brasil, 2018 | documentário, 89min – Colorido
Direção de Gabriel Di Giacomo

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