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Resenha: Eu, Tonya

Resenha: Eu, Tonya

Por Julia Helena T. Tabach – Fala!Cásper 

O pesadelo americano

A contradição entre essência e aparência, bem como a hipocrisia que busca esconde-la, está presente em todos os âmbitos da sociedade: na vida política, na vida privada e até mesmo na arte e no esporte. É este o principal ponto abordado em Eu, Tonya, filme que estreou em 15 de fevereiro nos cinemas brasileiros e que conta a história da ex-patinadora americana Tonya Harding. Com direção de Craig Gillespie e roteiro de Steven Rogers, o longa levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante e concorre, no próximo domingo, aos Oscars de Melhor Atriz (Margot Robbie), Melhor Atriz Coadjuvante (Allison Janney), e Melhor Montagem.

Com abordagem inovadora, o filme, na forma de falso documentário, apresenta uma linha temporal que intercala entrevistas e fatos, procurando mostrar várias versões dos mesmos acontecimentos. Em seus 120 minutos, o roteiro percorre a vida de Tonya desde sua difícil infância até sua situação atual, focando em seu envolvimento com Jeff Gillooly e no incidente com Nancy Kerrigan, que levou ao fim de sua carreira.

Tonya nasce em 1970, na pequena cidade de Portland, no estado do Oregon. Começa a patinar ainda criança, aos três anos, e a partir de então, destaca – se em todas as competições. Com uma fiscalização rígida da mãe, que assistia a todos os treinos, Harding cresce entre as medalhas no ringue e as brigas em casa.

Aos quinze anos, a atleta começa a namorar Jeff Gillooly, desenvolvendo com ele um relacionamento desconexo e violento. Em vários momentos, o filme mostra, de maneira tragicômica, as agressões que ocorriam entre eles. Talvez, se Tonya não tivesse conhecido Jeff, sua carreira na patinação fosse mais longa.

Entre altos e baixos nas competições, onde, apesar da perfeição técnica, raramente recebia uma nota justa por não se adequar ao padrão de beleza americano, perto das Olimpíadas de Inverno de 1994, Harding sofre uma ameaça de morte. Jeff, ao saber do ocorrido, tem a ideia de ameaçar Nancy Kerrigan, uma das concorrentes de Tonya que também buscava uma vaga no Mundial. Contudo, em um trágico telefone sem fio da vida real, o que era para ser um susto termina em uma agressão física a Kerrigan e no fim da carreira esportiva de Tonya.

Equilibrando momentos engraçados com situações extremamente tensas, (como a cena de Tonya se maquiando e chorando antes de se apresentar), o filme permanece na cabeça do espectador por muitos dias e provoca nele uma sensação melancólica. A patinadora tem dificuldades para ser aceita – pela mãe e pelo público – e em pouco tempo deixa de ser a pessoa mais amada dos Estados Unidos para se tornar a figura mais odiada pelos americanos.

O longa faz um retrato preocupante da sociedade, mostrando a futilidade, a superficialidade e a hipocrisia que a permeiam. Como Tonya diz no final do filme: “As pessoas querem alguém para amar e alguém para odiar. E elas querem que seja fácil.”



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