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Resenha: Cadáver

Resenha: Cadáver


Cadáver
já começa com um dos presságios mais temidos do gênero terror no cinema: uma cena de exorcismo. Naturalmente, o demônio em posse do corpo de Hannah Grace (Kirby Johnson) mostra-se impossível de ser expulso, e então Hannah é morta, sacrificada em uma tentativa desesperada de conter o espírito que seu corpo continha. Mais tarde, seu cadáver queimado, serrado e mutilado é entregue a um hospital em Boston, onde Megan (Shay Mitchell), uma ex-policial que sofre de ataques de pânico, acaba de começar um trabalho no turno da noite, no necrotério.

Embora o corpo massacrado de Hannah já seja assustador só de se contemplar, a edição de som é quem domina o horror aqui. O diretor, Diederik van Rooijen, cria um clima tenso alternando altíssimos berros e ruídos demoníacos com longos períodos de silêncio. A técnica, habitual no gênero, tem sucesso em deixar a audiência ansiosa, mas no filme é exagerada a tal ponto que torna o espectador refém do som, e não da trama: em uma cena em que Megan vai ao banheiro, a simples ativação do secador de mão com ar quente fez algumas pessoas da minha sala pulassem da cadeira.

Lamento o uso excessivo desses jumpscares, como convencionou-se chamar esses sustos fáceis de monstros gritando enquanto pulam em direção à tela, tanto por uma preferência pessoal pelo suspense psicológico quanto pela razoável qualidade do filme nas partes em que impera o silêncio. No cimento gelado e sufocante do necrotério, é mais assustador assistir a Megan esmiuçar as feridas escancaradas de Hannah com compostura técnica do que ver a mandíbula do cadáver se desarticular em um grito. No fim, a impressão que fica é que o diabo inspira menos terror do que qualquer doutor.

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