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Resenha: Batman – O Cavaleiro Branco

Por Paulo Raposo – Fala!FIAM FAAM

Um excelente exemplo do famoso “o que aconteceria se…”

 

O universo do Batman, ao longo de seus 79 anos, sempre foi explorado das mais diversas formas e jeitos. Quer seja nas HQs, ou até mesmo nos filmes, sempre tivemos um herói que alternava do vigilante implacável ao maior detetive dos quadrinhos.

Contudo, ainda faltava uma abordagem mais focada em desmistificar o mito sem torná-lo um real vilão. Era preciso criar uma trama onde víssemos o homem-morcego como um perigo à sociedade. E, para esse feito, foi chamado Sean Murphy, que nos deu a história mais fora da curva do vigilante de Gotham.

O autor nos entregou a história do Cavaleiro Branco, que basicamente nos mostra um mundo onde o Batman passa dos limites e chega às vias de matar seu maior rival, o Coringa. Porém, após dopá-lo com remédios, o palhaço do crime é curado e aí que temos todo um enredo trabalhando a persona normal do vilão, cujo nome real é Jack Naiper.

Dá para explicar toda narrativa da trama de uma forma dinâmica e bem encaixada dentro do que nos é proposto. Temos o início da série com uma rápida conversa entre o Naiper e o Batman, e daí seguimos para entender todos os pontos até chegar no momento em que começa a edição #1.

Muito do mérito que a série carrega, principalmente sua narrativa ágil, se deve à capacidade de Murphy em conseguir trabalhar com todo o universo do herói sombrio da DC Comics – e, mais do que isso, em como ele domina com maestria este enredo que mostra a redenção do principal vilão do panteão do morcego. Afinal, estamos falando daquele antagonista que possuí uma relação de amor e ódio com o Batman, e isso já foi abordado em diversas histórias fora da cronologia básica do personagem.

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Todavia, conhecer a faceta do Naiper nos ajuda a humanizar o palhaço: por trás de toda aquela fachada homicida e louca, há um homem muito inteligente e que deseja fazer o melhor pela sociedade de Gotham. Ele deseja provar que o problema da cidade não são os vilões, mas sim o próprio Batman e seu desejo de fazer justiça.

Dá para dizer de uma forma mais direta que essa minissérie é uma carta honesta do Coringa para o homem-morcego. É onde ele expõe que amou muito o herói, sempre achou que o conhecia, mas quando deu por si era tudo mentira e agora deseja acabar com todo esse show. Ele deseja enterrar todo esse passado, e acabar com todo problema que já causou no passado.

Cabe citar que, além disso, também temos o Naiper fazendo um bom uso da mídia para que a opinião pública vire a seu favor, e isso nos ajuda a pensar ainda mais referente ao papel da mídia perante a sociedade, pois cerca de semanas atrás ele era um vilão inescrupuloso, mesmo que nunca tivesse sido autuado de fato por isso; agora ele é visto como uma vítima da sociedade e que merece uma chance como cidadão.

Outro ponto digno de menção, além do enredo, é a arte que é bem competente e consegue nos entregar o dinamismo pedido, funcionando bem dentro do universo composto pelo autor, que também assina os desenhos da obra.

Como dito anteriormente, a obra é uma minissérie que saiu lá nos Estados Unidos em 8 edições e já garantiu uma continuação pelo selo Black Label da DC. Aqui no Brasil o quadrinho começou sua publicação em agosto deste ano e também terá 8 edições.

Dá para dizer que essa HQ é a pedida certa para todos que desejam ler algo diferente sobre o Batman, pois é uma história que se foca em criar uma crescente rumo a ascensão do Jack Naiper (o curado Coringa) enquanto desfaz a figura heroica do homem-morcego – e isso não podia soar mais interessante para os fãs do personagem.

 

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