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Resenha: Assassin’s Creed Odyssey

 


Por: 
 Killy

Peloponeso, 431 a.C. As ligas de Delos e do Peloponeso subiram para Atenas e Esparta, respectivamente, em confronto com a Grécia, que acabava de sair das Guerras Médicas. Na esteira desse conflito, fomes, epidemias, e revoltas atingem os territórios envolvidos. Neste cenário recheado de lanças e capacetes coríntios, o destino do herói ou da heroína – de acordo com a escolha do jogador – não é mais tão invejável. Sacrificado por seus pais, o personagem principal deve a sua vida a um milagre e vaga, órfão, roubando contratos mercenários para apostar em uma grande aventura. Esmagado pela vida, ele descobrirá uma nação muito mais complexa do que pensava, principalmente quanto às relações de poder de sua pequena ilha, aprendendo política da maneira mais difícil.

O jogo possui uma relação entre discurso e tomada de decisões que combina muito bem com um sistema de diálogo de múltipla escolha. Essa talvez seja a grande novidade. As escolhas feitas durante as várias missões tentam oferecer profundidade adicional a este Assassin’s Creed e, para isso, vários tipos de gatilhos são levados em conta: a ordem de certas missões, a resposta do personagem em um diálogo ou uma ação realizada como parte de uma missão. Embora a maioria dos caminhos propostos permaneçam óbvios e não tragam muito mais do que um estilo de conclusão binária a la Mass Effect 3, alguns percursos são mais distorcidos, e se parecem mais com as linha alternativas de The Witcher 3.

A surpresa, inclusive, chega com estes desfechos “imprevistos”, muitas vezes mais bem escritos e mais bonitos No entanto, parece haver uma certa falta de controle em referências a ações que nunca foram realizadas, ou em uma conclusão diferente daquela prometida por alguns personagens. O jogo tem um sistema bastante sólido de progressão, menos óbvio do que jogos passados, mas que não surpreenderá ninguém que já tenha jogado RPG em mundo aberto. A verdade é que Assassin’s Creed Odyssey é um grande passo para transformar a série em um RPG de estilo ocidental.

 

RPG na Grécia

Com suas missões marcadas por colunas, assim como seu sistema de níveis, sua tirania do saque e seu diário de missões fluindo como um fichário de faculdade, sem dúvida, Odissey mudou-se para a categoria RPG. Iniciada por Origins, a transformação foi quase total e envolve um novo ritmo, focado na delimitação de zonas e confrontos baseados em níveis de lugares ou de personagens. Se já é pouco provável alcançar a jugular de um grande Hoplita orgulhoso de seus dois níveis a mais, é impossível matá-lo ao mesmo tempo. Este é um elemento herdado do jogo anterior, mas que se encaixa perfeitamente aqui no conjunto de novas mecânicas do game, que assumiu essa mudança. Será necessário completar, ou melhor, aniquilar sua missão para aumentar seus status e conseguir progredir sem impedimentos em um arquipélago gigantesco, digno de Skyrim.

A curva de progressão é bem equilibrada. Se o jogador adere às missões principais, o avanço na história ocorre rapidamente. Por outro lado, os amadores de atividades auxiliares serão atendidos, graças à avalanche de missões secundárias, variadas, ainda que muitas voltem a girar em torno do trabalho de assassino. A variável aparece, portanto, em algumas relações de causa e consequência dentro de missões que, infelizmente, não são tão bem representadas. As idas e vindas às costas da Ática ou aos inúmeros canais das Cíclades valem mais pela mudança de cenário do que pelo interesse nos destinos de personagens desinteressantes.

Esta é o mapa escondido na manga da Ubi junto com seu golpe de brilhantismo. A Grécia retratada no jogo é um resumo detalhado de uma vida passada, sem apoio de uma certa fantasia do mundo antigo povoado apenas por pessoas esclarecidas e cheias de detalhes. Um mergulho em um cotidiano rodeado de mármore e águas em ruínas, onde uma sensação de animação emerge das ruas, dos templos e das estátuas. Um pequeno universo em movimento, que não deixa de lado uma visão às vezes até muito suave da moralidade ou pelo menos modernizada demais, que se estende sob a onipresença das divindades.

Essa imersão é o principal argumento da Assassin’s Creed Odyssey, caminhando lado a lado com o trabalho titânico realizado em ambientes repletos de lugares inesquecíveis. Mesmo que haja comida e bebida, o Mundo Aberto proposto aqui é convincente, sem estar no topo da lista: a falha de muitas repetições na estrutura dos edifícios, especialmente as casas de régua que é, na pior das hipóteses, as mesmas. Já na melhor das hipóteses, há uma grande quantidade de bandidos e animais ferozes na natureza, provavelmente um artifício escondido em Far Cry 5. Dois jogos que possuem muito em comum e podem cometer os mesmos erros.

Homero que vemos dançar/ que vemos dançar

Enquanto movimenta uma nova estrutura que funciona sem muita preocupação, Assassin’s Creed Odyssey às vezes dá a impressão de tentar esconder debaixo do tapete o que é um problema na série por anos. Os primeiros ataques por trás de um gatilho disparam e gotas de suor escorrendo na testa. Sim, a AI ainda é um desastre de infiltração. Guardas treinados para ver através das paredes, soldado que vê o personagem a 800 metros na chuva, mas que não se importa em ouvir o barulho de seu amigo Alexandros a 30 cm de sua orelha, circuitos de busca que não fazem sentido, o jogo nem ao menos tenta. Nada incomum na saga e, claro, esse tipo de absurdo não é sistemático, mas a diversão do jogo pode ser prejudicado.

Confrontos em grupo agora ganham maior destaque e maior intensidade que exigem tanto observação quanto agilidade, embora algumas habilidades abusivas permitam aniquilar qualquer um. A palavra “assassino” do título torna-se uma memória até bonita nesse contexto. Não, Alexios e Cassandra são mercenários, divididos em combate cara a cara, assim como aqueles que os perseguem.

Muitas coisas têm acontecido no mundo dos videogames nos últimos anos, incluindo a incrível série Shadow of the Mordor / Shadow of the War, cujo conceito principal era o sistema de gerenciamento de hierarquia Orc. Mas a Ubisoft não foi insensível, porque Odyssey retoma a idéia, limitada aqui a caçadores de recompensa que perseguem o herói ou a heroína, registrado em uma espécie de ranking onde é possível subir para obter recompensas. Um desafio adicional que promete apimentar as missões, além de ser sempre bom ver uma terra malabar acertar as contas quando a situação já está bastante complicada. Porém, no fundo, sabemos que toda essa falta de finesse chega justamente para adicionar uma camada já grossa ao jogo.

Foi sem contar as lutas pelo poder, onde, uma vez que o líder de uma província enfraquecida, abre uma luta em grande escala com o objetivo de mudar os lugares da mão. A batalha, confusa e básica, tem o único mérito de juntar um grande número de soldados, um momento libertador oferecido pela rivalidade entre os gregos. Especialmente porque quase não tem consequências. Uma vez tendo conquistado uma área, nada impede o jogador de repetir o tiro em outro lugar, sem qualquer reação dos aliados. Um novo sistema oco, obviamente adicionado para criar conteúdo, é dado à um dos mercenários, já abrangendo as missões secundárias.

E esse é o principal problema da Assassin’s Creed Odyssey. Por querer colocar tudo em toda parte, o tempo todo, ele acaba por saturar a sua proposta, enquanto uma simples concentração no essencial era suficiente para mostrar fortes argumentos. O jogo é constantemente diluído em pistas falsas e um pouco nulas, o olhar maluco abotoado em todos os cantos, como uma criança que tem muitos brinquedos. O eterno problema do mundo aberto que um estúdio tem medo de não ser capaz de preencher. Mas, ao contrário de muitos, se forçar um pouco, continua sendo um conhecimento sagrado e uma aventura ímpar.

Conclusão

Sempre mais longe, mais forte, mais rápido, até o limite do extremo, não disse Eurípides, no entanto, isso é o que melhor caracteriza essa odisséia. Forma final da tradução de Assassin’s Creed Origins para o RPG, Assassin’s Creed Odyssey, que poderia ter ficado satisfeito. Embelezado com um sistema de causa e consequência muito bom, uma atmosfera viciante e uma tonelada de objetos para conquistar, especialmente em um universo tão poderoso quanto o da Grécia Antiga. Com o talento das equipes da Ubi para dar vida a um mundo, o caminho já estava traçado. Mas não foi algo de repente que apareceu para mudar o ponto de vista. Há uma série de elementos que pesam no jogo, como uma adição que não soma em nada em seus mecanismos e jogabilidade. Assassin’s Creed Odyssey é diluído no Mar Egeu, perto da costa, e um jogo que se mostra generoso em momentos bonitos, mas que merecia um novo foco. Porque, caramba, sem todo esse excedente, que viagem seria!

Nota: 7/10

[Isso é uma tabela de dois lados das impressões do JdG] —>

 

Lado positivo

Uma Grécia antiga palpável

Um mapa enorme

Uma mudança louca de cena

A atmosfera que se destaca dos primeiros minutos

O sistema de escolha / consequência correta

Modo de exploração que não mastiga o trabalho

Lutas navais sempre bom, mas abaixo da bandeira negra

Um mundo aberto coerente …

Lado negativo

… mas mecanicamente cheio

Grandes problemas de escrita

Muitos sistemas matam o sistema principal

AI, em socorro

As missões secundárias não são muito empolgantes

Um jogo muito longo

As Batalhas da Conquista

O sistema de diálogo que não traz os traços do tempo

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