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Representatividade Negra também Atrás das Câmeras

Por Beatriz Oliveira – Fala!PUC


É importante que obras audiovisuais abordem questões relacionadas ao negro; importante também o fato destas terem participação de pessoas negras, capazes de traduzir nas obras a problemática racial vivenciada no dia a dia. Contudo, representatividade negra no audiovisual não se trata ou não deveria se tratar apenas disso.

Um estudo realizado pela Ancine, a partir dos longas-metragens brasileiros lançados em 2016, revelou a enorme discrepância de raça no audiovisual. Nenhum filme foi dirigido por uma mulher negra, enquanto 75,4% foram dirigidos por homens brancos. A ausência de mulheres negras se repete na categoria roteiro. A participação de homens negros é menor que 4% nessas duas funções.

Há atualmente uma premissa de obrigatoriedade de que negros no audiovisual devem tratar de racismo. Relacionar o trabalho de profissionais negros apenas  à obras que tratem desta questão ou a abordem em algum momento é limitador.

Ter uma obra audiovisual reconhecida por sua boa qualidade, que não trate de racismo e que teve a decisiva colaboração de profissionais negros é representatividade, expande horizontes para além de uma temática pré-definida.

 

Divulgação: Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Um exemplo positivo nesta questão é o longa-metragem, que entrou em cartaz em agosto deste ano, Café com Canela, dirigido por Glenda Nicácio, uma mulher negra, fato que não ocorria há 34 anos no Brasil. O filme tem elenco majoritariamente negro e não trata da temática racial. Filmado no Recôncavo Baiano, o longa fez parte da seleção oficial do International Film Festival Rotterdam, venceu como Melhor Filme pelo Júri Popular no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, conquistou o Prêmio Petrobras de Cinema e o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília. O combate ao racismo está presente ao disponibilizar para o público uma boa obra com atores e atrizes negros, está em se tomar conhecimento de que a diretora é negra; isso sem precisar tratar do tema racismo no filme.  

Que outros projetos sigam esse exemplo para que o combate ao racismo não se torne um fator limitador, mas sim uma luta com várias abordagens no meio audiovisual.

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