Reparo voluntário de respiradores pulmonares ajuda no combate ao Covid-19
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Reparo voluntário de respiradores pulmonares ajuda no combate ao Covid-19

Reparo voluntário de respiradores pulmonares ajuda no combate ao Covid-19

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No meio de uma pandemia do Covid-19, os olhos do mundo se voltam para a medicina e os avanços na área da saúde, mas não podemos esquecer que outras funções também são essenciais. Provando a necessidade de apoio tecnológico, o professor Mauricio Motta, em conjunto com o engenheiro Alexandre Pinhel, começou um projeto muito importante.

Localizado na faculdade federal Cefet, no campus Maracanã do Rio de Janeiro, a iniciativa promove o conserto e melhoria de respiradores pulmonares de hospitais públicos. Os aparelhos, que teriam como fim uma caçamba de lixo, são levados ao local para aumentar sua vida útil. 

Esta iniciativa surgiu de um recorte feito na situação dos hospitais públicos durante a crise:

Ficou muito claro no começo da pandemia que um dos pontos fracos era o respirador mecânico, como a gente trabalha há bastante tempo com manutenção, ocorreu que pudesse ser interessante consertar o que está quebrado.

Explica Pinhel.

Assim, os profissionais uniram o espaço preparado da faculdade com mão de obra qualificada de vários lugares e especialidades. Graças à pandemia, as instalações do Cefet-RJ estavam inoperantes, mas dada a necessidade de um espaço físico, o engenheiro comenta que “como a faculdade estava fechada, conversei com o Mauricio, ele achou boa a ideia, e começou a viabilizar a reabertura de uma área bem específica, só usando esse corredor, para a gente realizar as atividades”.

Projeto conserta respiradores e auxilia combate ao Covid-19

Contando com o apoio de algumas empresas, o projeto tem uma boa base tecnológica. Graças a elas, atualmente trabalham com compressores de ar -usados para testar as maquinas -, câmeras de alta tecnologia e uma impressora 3D.

Foi uma experiência muito interessante do ponto de vista de integração da sociedade civil. Você pega uma instituição de ensino público, pega empresas estatais (…) você tem empresas privadas também, de várias áreas diferentes, de informática, de química, da própria engenharia clínica, todas interessadas em colaborar de alguma forma.

Explica Alexandre.

Depoimento dos voluntários

Os voluntários receberam treinamento de como manusear os respiradores antes de começarem o trabalho. O responsável por isso foi Wanderson, que trabalha em uma empresa privada especializada com engenharia hospitalar, “Já trabalhava com os ventiladores há 20 anos e já tinha um bom conhecimento sobre esses respiradores, e acabou sendo muito útil”, explica.

Wanderson conta que está no projeto desde o inicio e que: “já liberamos uma boa quantidade de respiradores (…) mesmo contando com problema de peças, e com doação e parceria que a gente conseguir, porque o estado não tem perna para resolver essas coisas”. Ele explica também seu incentivo para o trabalho voluntário: “a vontade de fazer alguma coisa, de fazer um a mais, a gente estaria aqui ajudando a população, a sociedade como um todo e eu estaria aqui emprestando meu conhecimento”.

Conversando com alguns voluntários, os estímulos para ajudar se mostram bem parecidos. Anderson Patrício, estudante de Engenharia Nuclear da UFRJ, conta que “adoraria fazer parte, achei o projeto bem interessante principalmente pra ter a oportunidade de ajudar alguém nesse momento de pandemia”.

Mesmo não tendo formação acadêmica especializada na área de elétrica, Anderson garante que aprende muito com o projeto, já que vai além da sua grade curricular. Relata também que teve muitas experiências variadas, que não conseguiria normalmente, e que foi apresentado ao projeto por contatos em comum com os coordenadores.

Yuri, conheceu a iniciativa por meio do IEEE, profissional formado em Engenharia Elétrica, o seu incentivo foi “poder ajudar na luta contra a pandemia do Covid-19, (…) fiquei sabendo que tinha essa necessidade de corpo técnico para atuar no reparo, e procurando parceiros para fazer o projeto conseguimos um auxílio de financiamento global de luta contra o Covid, de 5.000 dólares para ajudar”, conta o voluntário.

combate ao Covid-19
Voluntários do projeto realizado no Cefet-RJ auxiliam no combate ao Covid-19. | Foto: Reprodução.

Como a iniciativa funciona

A demanda é identificada pela Secretaria da Saúde, que direciona os hospitais necessitados para o projeto e indica como mandar o equipamento para as instalações. Desde o início, a ação já recebeu respiradores de quatro hospitais diferentes e já devolveu cerca de onze unidades, fato que economizou quase 1 milhão de reais dos governos estaduais e municipais.

O que é muito aparente na pandemia, na linha de frente, os essenciais são os profissionais da área da saúde, mas se eles não tiverem o apoio tecnológico, eles trabalham numa condição que não é a ideal. Então eu acho que a engenharia está mostrando a importância da engenharia dentro das instalações hospitalares.

Conta Mauricio.

A impressora 3D, concedida pelo Furnas, usada no projeto também ajuda muito, pois várias peças são fabricadas para melhorar a performance e suprir partes que, originalmente, seriam muito mais caras.

Além de engenheiros, a iniciativa recebe apoio da equipe de enfermagem do Cefet para a esterilização dos equipamentos que chegam e dos que vão voltar para o hospital. Todos os profissionais de nível técnico ou formados e graduandos em engenharia que tiverem interesse e responsabilidade podem ajudar. Passada a pandemia, o projeto pode ser ajustado para funcionar dentro do Cefet-RJ para enriquecer a formação de profissionais.

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Por Rebecca Henze – Fala! UFRJ

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