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Rememorando

Rememorando

Lembro que depois de terminarmos o relacionamento, eu passei a odiar todas as músicas do James Bay, meu cantor preferido na época. De ter parado de ir à Fnac, uma vez que íamos lá para comprar os cd’s que ele tanto gostava de colecionar. De ter desgostado da livraria cultura pelo simples fato de termos ido umas vezes juntos. Não queria ter nenhum contato com objetos, lugares e paisagens relacionado à nossa história, como se todas as coisas se resumissem à evasão das lembranças da mente. Embora não funcione assim.
Tive muita dificuldade para esquecer. A avenida paulista, o beijo em minha mão na escada-rolante da linha verde do metrô, o Bigmac do McDonalds no Shopping Center 3. Sentia pavor de passar perto de qualquer fast-food que me lembrasse a forma egoísta e medrosa com a qual lidamos com tudo. Fim de namoro é como ter que fazer um esforço diário para relembrar os porquês de se ter ficado com tal pessoa, e permanecido por algum tempo. Porque no momento é bom, intenso e inteiro. O problema é o depois. Ele odiava Beyoncé e eu quase odiei também. Ele detestava beijo molhado. Passei a desconfiar deles idem. Ele orava ao silêncio, e eu passei a temê-los.
Isso durou incríveis quatro semanas, até eu perceber o quão idiota era esta coisa de desgostar de algo que me fazia lembrar. Pois lembrar é bom, e significa que sua cabeça ainda funciona, faz sentido, e tem o poder de guardar memórias afetivas e não afetivas. Há a capacidade inerente de rememorar e, embora com dor, ampliar o significado. Compreendi que não precisava mais adequar-me à forma dele, ao pensamento dele, bem como não deveria minimizar minhas opções de lugares só porque pensava que ele poderia levar outra pessoa e poderíamos nos esbarrar. Não tinha nexo parar de ouvir James Bay apenas porque era a voz e trilha da nossa relação.
Vejam vocês, 3 meses se passaram e eu estou aqui, misturando James Bay, Beyoncé, McDonalds e Fnac tudo num mesmo dia. Superar também é se permitir livre.

 

Por: Igor Pires – Fala!M.A.C.K

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