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Qual o nosso lugar em um relacionamento?

Qual o nosso lugar em um relacionamento?

Por Tayna Fiori – Faculdade Cásper Líbero

“Quando comecei a pesquisar sobre relacionamentos abusivos, só sabia chorar e pensar: como fui capaz de deixar isso acontecer? ”

No Brasil, manhã fria, uma mulher é violentada. A cada 100 mil “donas de casa”, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 5 sofrem feminicídio. Há uma natureza por trás disso, relacionamentos abusivos são um caminho de início, levando à morte. A definição desse método de união não é, somente, a violência física. O abuso pode ser físico, psicológico, sexual ou, até mesmo, verbal. Muitas pessoas que sofrem com isso não sabem identificar. Chantagem emocional, escolher a roupa, o local onde ir, delimitar amizades, abalar sua autoestima, são primeiras mostras do modo que se encontra, de limitação. É aceita a primeira proibição, o primeiro grito, o primeiro tapa…

“Quando ele ia para balada e me deixava em casa, caso eu sentisse vontade de sair ele SURTAVA !!!”

Falar sobre esses modos de relação, ainda é um tabu. Numa sociedade machista, há namoros sofridos, porém, a massa vitima o homem e culpa a mulher. Foram entrevistadas 13 pessoas no total, incluindo os dois gêneros. Em sua grande maioria, garotas privadas e violentadas por seus ex-companheiros.

Foto: Paulo Pinto/ AGPT/ Fotos Públicas

Dentre elas, 64% disseram ter sido alertadas e realizar algum tipo de terapia para amenizar as dores do pós. Em relação à violência, a sua grande maioria (42.86%) declarou ter sofrido apenas agressão psicológica. Possuo uma porcentagem assustadora de 7.14% de pessoas que tiveram violência psicológica, física, verbal e sexual, imagina estar no lugar dessa vítima, encontrava-se a um passo do feminicídio. Em 100% dos casos, as atingidas alegaram não ter forças, a união retirava seus momentos de estabilidade. 

“Ele não me tratava como prioridade, era como se eu fosse qualquer coisa. ” 

No meio de muitas visões e histórias distintas, nenhuma manifestou acreditar, em primeiro momento, que estava em um relacionamento abusivo. A maior crítica social é sob a parte feminina. Quase 80% manifestaram a dependência e o medo de ficar sozinha como o maior ponto que as mantiveram na condição de violentada. 

“As violências psicológicas, eu sofria diariamente…Era o jeito que ele me tratava. As violências físicas foram em alguns momentos, o primeiro foi quando ele estava bêbado.”

A mulher tira seu batom vermelho, desce do salto e se desfaz. A dor de sentir-se destruída, machucada, não tem explicação. Escondem marcas, mentem, inventam. Perde-se amigos, como alegados por 79% das sofredoras, mantem-se privadas e afastadas; com medo de ninguém entender o que passam. No entanto, para que tudo isso? Porque se ama, idealiza-se que isso é amor. A relação de posse é iniciada, um passo mais perto da morte. 

“Com ele eu achava tudo ótimo. Sem ele, eu percebia o quanto me fazia mal, mas eu sempre queria estar com ele no final do dia.”

Em briga de marido e mulher, se mete a colher sim! O mesmo é usado para qualquer relacionamento abusivo…“Meter a colher” pode significar salvar a vítima, seja de qual gênero for. Mulheres morrem a cada dia, morrem todo dia, se destroem…A falta de coragem ou credibilidade extermina a grande massa feminina. O feminicídio tornou-se algo comum, na visão social. Entretanto, o lugar da vítima, na relação, é no posto de fala. Não se cale! A luta é diária, afim de acabar com todo sofrimento.

É preciso se colocar em primeiro lugar e perceber que algo está errado. Não se acanhe e procure ajuda, seja de quem for. Saiam desse tipo de união, antes que seja muito tarde. Não deixe as pessoas te machucarem, procure se amar, você é mais do que isso, é incrível e consegue realizar tudo. Seja quem você quer ser!

“Todo mundo tem que ter consciência de que o amor próprio precisa vir antes de qualquer coisa. Quando a gente não se ama, até a nossa forma de amar o outro passa a ser afetada. Mas, se nos colocarmos em primeiro lugar, fica mais fácil conciliar nossos sentimentos com nossa estabilidade emocional. Além disso, é importante lembrar que não precisamos de ninguém para nos manter vivos e, qualquer pessoa que diminua ou menospreze quem nós somos, não é digna de estar do nosso lado. ”

3 Comentários

  1. Caroline Guelfe
    2 meses ago

    Parabéns pelo texto, sou agradecida por você abrir os olhos de tantas pessoas em relação a isso. Você vai longe!

  2. Érica Kiss
    2 meses ago

    A violência contra mulher precisa ser combatida desde a infância. É a construção de uma autoestima feminina na menina que fará a mulher forte e realmente independente.

  3. 2 meses ago

    Otímo contéudo adorei adoro tudo sobre assunto de costureira

    Sou costureira e sempre costurei adoro fazer as minhas peças e vendo muito.

    Vou compartilhar com as minhas amigas.

    Obrigada!