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Reforma Agrária e Agrotóxicos

Reforma Agrária e Agrotóxicos


Beatriz Oliveira – Fala!PUC
Faixas presentes na 3ª Feira de Reforma Agrária

A palavra “camponês” ao lado da palavra “amor” permite pensar a bela singularidade desse modo de vida. Tal aspecto foi muito bem captado pela terceira edição da Feira de Reforma Agrária, no parque da Água Branca, que ocorreu entre os dias 03 e 06 de Maio, com direito a comidas típicas de todos os estados do Brasil, artesanatos, plantas, músicas, danças e seminários.

Contudo, o espaço também evidenciou uma das lutas camponesas, a qual impacta toda a sociedade; o uso de agrotóxicos. A feira contou com stand exclusivo relacionado a essa temática, com a presença de representantes de organizações que lutam contra o uso abusivo desses produtos no país, como a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida e o Greenpeace.

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O engenheiro José Antonio Santos Prata, participante dos grupos Brasil Pelas Florestas e Coletivo Curupira, contextualiza questões geopolíticas a partir do fim da União Soviética e início de uma revolução neoliberal, tendo em vista o ideal presente de que “o capitalismo vai resolver a história toda”, estabelecendo-se assim uma nova ordem do trabalho (como uma decisão não documentada, mas que pode ser subentendida), na qual “o Brasil seria fornecedor de matérias primas, como no tempo colonial”.

“60 milhões de hectares não é agricultura, é agronegócio”

Prata continua seu raciocínio esclarecendo a disparidade entre o agronegócio e agricultura brasileiros: “O agronegócio são 5 coisas: a soja, o milho, o canavial (agrocarburante), as lenhosas (pinos e eucalipto) e o algodão. Isso junto já toma 60 milhões de hectares; é maior que a França. Na agricultura sobram 20 milhões de hectares, que é a galera que planta comida; o arroz, feijão, a mandioca, o tomate (…). 60 milhões de hectares não é agricultura, é agronegócio; não é alimento, é a ração de porco, ração de frango, é o milho pra fazer cerveja. ”

Isto posto, é possível introduzir a questão dos agrotóxicos: “se eu plantar um latifúndio de milho, é evidente que virá a praga do milho”, então há o uso sucessivo de ‘venenos’, como inseticidas, herbicidas e fungicidas, de forma mecanizada, até mesmo pelo uso de aviões.

Já nas pequenas lavouras de alimentos, os agricultores aplicam esses produtos com mochilas de bomba costal, “o cara está levando 30kg de veneno nas costas, isso é uma insanidade; então esse trabalhador rural vai ser a vítima da contaminação aguda”. As empresas fabricantes se defendem divulgando que há uma série de medidas presentes nos manuais que prescrevem uma aplicação segura, porém tendo em vista as precariedades vivenciadas pelos pequenos agricultores, tais medidas não são por eles respeitadas e por vezes nem conhecidas.

 

 “Cadê a flor que estava aqui?
O veneno comeu
E o peixe que é do mar?
O veneno comeu
E o verde onde é que está?
O veneno comeu
Só a agroecologia sobreviveu”.
(adaptação da música Xote Ecológico de Luiz Gonzaga)

Dessa maneira artística se iniciou o seminário “A questão dos agrotóxicos no Brasil: reforma agrária popular e agroecologia no desenvolvimento no Brasil.” A pesquisadora Larissa Mies Bombardi fez parte da bancada e apresentou elementos de sua pesquisa que está disponível em forma de e-book em seu site.

Larissa, incitou questionamentos a partir de alguns dados espantosos, como as tentativas de suicídio através do uso de agrotóxicos.

Outra questão relevante apresentada por ela é a aparente semelhança entre dois mapas de São Paulo; um que indica a pulverização aérea de agrotóxicos e outro que evidencia intoxicações por agrotóxicos no estado.

Cartaz indica que a luta camponesa não é apenas dos trabalhadores rurais, mas de toda a sociedade.

 

“A Liberdade de terra e a paz no campo tem nome; Reforma Agraria.
A Liberdade da terra não é assunto de lavradores.
A Liberdade de terra é assunto de todos quanto se alimentam dos frutos da terra.”
 – Pedro Tierra

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