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Junho de 2013, o ano em que o Brasil acordou

Junho de 2013, o ano em que o Brasil acordou


Por Heloise Pires – Fala!FIAM FAAM

 

Há exatos cinco anos atrás São Paulo foi palco dos atos contra o reajuste tarifário do transporte público. O reajuste das tarifas do transporte público de São Paulo entrou em vigor no dia 2 de junho de 2013, o valor cobrado antigamente era de 3,00 (Três reais) e com o reajuste o valor que ia ser cobrado era de 3,20 (Três reais e vinte centavos) e foi justamente devido ao acréscimo de 20 centavos na cobrança da tarifa que a população se revoltou.

As manifestações que teve início no dia 6 do mesmo mês e ano foi convocada por meio de redes sociais pelo Movimento Passe Livre (MPL), muitos manifestantes compareceram na principal avenida de São Paulo, Avenida Paulista e tomaram o local. Logo no primeiro dia a polícia foi convocada e já houve confrontos, detenções e depredações.

No dia seguinte o mesmo ato reuniu 7 mil pessoas e fechou a Marginal Pinheiros, já no dia 11, mais pessoas tomaram coragem de novo para ir gritar pelos seus direitos e, junto ao MPL, saíram para as ruas. Segundo a Polícia Militar, 5 mil pessoas foram às ruas neste dia e 20 foram detidas.

Marcha de Junho de 2013 ( Foto: VICE)

 

O quarto protesto que ocorreu em São Paulo, no dia 13, houve forte repressão da PM, o movimento foi fortemente reprimido com bombas de gás e balas de borracha, segundo a polícia, o objetivo deles era evitar que a manifestação chegasse novamente à Avenida Paulista, e nesta noite a mesma prendeu 200 manifestantes e deixou um grande número de feridos, inclusive jornalistas, sendo que um deles perdeu a visão por conta da truculência exercida.

Diante de tal situação o Prefeito da época, Fernando Haddad, criticou a violência da polícia e os mesmos afirmaram que só estavam garantindo o direito de ir e vir da população não manifestante. Após tal atitude, as manifestações seguiram por mais dias e cada vez maiores.

Quatro dias após a noite mais violenta na Paulista, os manifestantes voltaram às ruas de São Paulo, entretanto o Brasil inteiro saiu junto e em todos os estados as ruas foram tomadas com um só objetivo. Especialmente em Brasília um grupo de jovens subiu a marquise do Congresso Nacional, tornando assim o ato mais importante da história do país. 

Após todos esses dias, os protestos seguiram, porém com uma ideologia mais dispersa, muitas pessoas passaram a se aproveitar da situação e começaram a saquear as lojas locais e pessoas levavam bebidas para as passeatas como se fosse carnaval. Em uma mesma manifestação havia várias reivindicações e muitos políticos passaram a se beneficiar promovendo passeatas políticas em meio à multidão.

Foto: EBC

 

Dilma, a presidente da época, reagiu diante de tudo isso propondo um diálogo com os líderes das manifestações e disse que não aceitaria mais violência e arruaça nas ruas, porém os protestos seguiram. O governo, de modo geral, fez um pouco por cada reivindicação, Dilma se reuniu com manifestantes, prefeitos e governadores e anunciou pactos em cinco áreas para atender às demandas das ruas, propôs também eleger uma Constituinte que seria responsável pela reforma política, ideia refutada um dia depois pelo governo, que insistiu em um plebiscito da reforma política (a proposta jamais sairia do papel). A Câmara derrubou a PEC 37 e aprovou projeto que destinaria royalties do petróleo para educação e saúde, Dilma chamou médicos de outros países da América Latina para atender no SUS, o Senado adotou uma “agenda positiva” de votações e aprovou projeto que endurece penas para crimes de corrupção e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou o fim do voto secreto para cassações de mandatos.

Embora hoje o que todo esse histórico nos deixa são os questionamentos, qual é a real função da polícia? Jornalistas foram seriamente agredidos durante o exercício do seu trabalho e o Estado não os defende? Onde está o comprometimento do governo para com a nação? Pois a “ampla e profunda” reforma política, o pacto pela responsabilidade fiscal, o investimento de R$50 bilhões em mobilidade urbana e tornar a corrupção crime hediondo seguem no papel até hoje e não é falado mais nada sobre estes assuntos.

Foto: Passa Palavra
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1 Comentário

  1. Danilo Bissoli Grim
    1 ano ago

    Pois é. Um bando de otários de paulistanos que mais queriam se aparecer e olhar para o próprio bolso. As reformas que o país tem urgente necessidade não se falam mais. Está tudo quieto esperando as eleições chegarem e passarem, porque praticamente está tudo certo e planejado quem será o próximo governo.
    Aqueles críticos oportunistas que aparecem nas mídias (MBL, MPL, MVR) hoje muitos estão como candidatos loucos por uma boquinha no congresso e fazer o que os velhos políticos fazem até hoje.

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