Quem são os guardiões de Crivella?
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Quem são os guardiões de Crivella?

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Prefeito do Rio, Marcelo Crivella, paga, com dinheiro público, pessoas para atrapalharem trabalho da imprensa

Até parece enredo de novela, mas é, na verdade, a estratégia política do prefeito do município do Rio, Marcelo Crivella. Na segunda-feira, 31 de agosto, o telejornal da Globo, RJ2, denunciou o esquema criminoso do chefe do executivo carioca. Em menos de uma hora, o assunto já estava em primeiro lugar nos tredding topics do Brasil.

De acordo com a apuração do jornal, Crivella pagava  pessoas para ficarem na porta dos hospitais municipais impedindo que a mídia divulgasse os problemas que ocorriam dentro dos centros de atendimento. Pacientes, familiares de pacientes e jornalistas tinham suas falas interrompidas pelos chamados “guardiões de Crivella”, que negavam os relatos ou gritavam ofensas à imprensa durante as gravações.

Guardiões do Crivella
Guardiões do Crivella. | Foto: Reprodução/Twitter.

Como acontecia

Diariamente, centenas de funcionários da prefeitura recebiam escalas dos hospitais nos quais deveriam fazer “plantões”. O meio utilizado para a comunicação eram grupos no WhatsApp denominados de “Plantão”, “Assessoria especial GBP” e “Guardiões do Crivella”, nome pelo qual esses seguranças do prefeito ficaram conhecidos. Marcelo Crivella e alguns dos seus secretários, inclusive, faziam parte dos grupos.

Assim que chegavam nas unidades de saúde, os escalados tinham que mandar fotos no aplicativo de mensagens para comprovar que estavam cumprindo com seus turnos que, por sinal, começavam bem cedo, às 5h45 da manhã. As ordens eram bem claras, impedir que a má gestão municipal fosse denunciada. Assim, a imagem do prefeito não seria abalada. Indícios apontam que essa prática já acontece desde 2018. 

O grupo atuava ainda em outras áreas, como na distribuição de cestas básicas. Com as escolas fechadas devido à pandemia, a Prefeitura passou a distribuir cestas básicas às famílias de estudantes para garantir a alimentação das crianças. Os alimentos, contudo, eram entregues fora do prazo de validade. Para embargar que as famílias denunciassem o caso, os guardiões de Crivella coagiam essas pessoas.

A prefeitura não nega a existência do grupo, todavia, afirma que os funcionários ficavam na porta dos hospitais para bem informar a população e deter a construção de fake news a respeito da saúde municipal.

Quem fazia parte do esquema

Segundo lista feita pelo G1, o portal de notícias da Globo, dentre as várias pessoas que faziam parte do esquema, estavam 10 funcionários do primeiro escalão, além do prefeito. Quatro dos nomes são:

  1. A secretária municipal de Saúde, Beatriz Busch;
  2. O secretário Municipal de Cultura, Adolfo Konder;
  3. O Procurador-Geral do município, Marcelo Marques;
  4. A chefe de Gabinete do prefeito, Margareth Cabral.

Crivella e a censura à imprensa

Essa não foi a primeira vez que Crivella impediu a mídia de trabalhar. Em 2019, o prefeito barrou a entrada de jornalista do jornal O Globo na coletiva de imprensa que trataria do Réveillon de Copacabana.

A decisão foi tomada depois que o periódico revelou uma investigação do Ministério Público a respeito de um Balcão de Negócios na prefeitura do Rio. Segundo delação do doleiro Sérgio Mizrahy, o órgão liberava verbas a empresas mediante pagamento de propina.

Quais as sansões que Marcelo Crivella pode sofrer

O Ministério Público abriu duas investigações contra o prefeito. Uma criminal e outra de improbidade administrativa, quando um agente público causa danos à administração pública.

 A Polícia Civil abriu inquérito para apurar crimes de atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, associação criminosa e advocacia administrativa. Até o dia 6 de setembro, nove mandados de busca contra os guardiões já havia acontecido. Na casa de um dos alvos da operação, foi encontrado um pacote escrito “Crivella”, que foi confiscado para perícia. Se comprovados os crimes, a pena pode chegar a nove anos de reclusão.

Na terça-feira, 1 de setembro, a Câmara de Vereadores do Rio abriu uma CPI, comissão parlamentar de inquérito, para apurar a conduta de Crivella. Dois dias depois, na quinta-feira, 3, a Câmara votou a abertura de processo de impeachment contra o prefeito, porém o pedido foi rejeitado por dois votos de diferença.

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Por Rosamaria Santos – Fala! UFRJ

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