Quem foi Judy Garland? Conheça a história da atriz hollywoodiana
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Quem foi Judy Garland? Conheça a história da atriz hollywoodiana

Quem foi Judy Garland? Conheça a história da atriz hollywoodiana

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Com certeza uma das atrizes mais conhecidas da velha Hollywood, Judy Garland é lembrada até hoje como a eterna Dorothy Gale. Contudo, poucos sabem a história por trás desse ícone da cultura pop. Hoje, conheceremos a trajetória da Judy desde a infância até se tornar uma das maiores estrelas que Hollywood já viu.

Judy Garland
Judy Garland. | Foto: Reprodução.

Frances Ethel Gumm

famosos
Judy Garland quando criança. | Foto: Reprodução.

Primeiramente, devemos saber que Judy Garland nasceu em Grand Rapids (Minnesota, EUA) no dia 10 de junho de 1922 com o nome de Frances Ethel Gumm. Filha de um casal de artistas de vaudeville (um tipo de teatro de variedades, muito comum na América do Norte até os anos 1930), desde cedo teve contato com os palcos. Tendo se apresentado pela primeira vez com apenas 2 anos, em um número de canto e dança com as irmãs. Este número mais tarde se tornaria o grupo The Gumm Sisters, formado por ela e suas duas irmãs mais velhas.

Porém, cabe fazer uma ressalva sobre o ambiente familiar em que Frances (Judy) estava inserida. Seus pais, Frank e Ethel Gumm, não planejaram a gravidez dela. Cogitaram o aborto, contudo, depois de uma conversa com um médico, foram desencorajados (lembrando que era algo proibido nos EUA durante os anos 20).

A caçula dos Gumm cresceu em meio às inúmeras brigas e discussões dos pais. De acordo com ela, esse foi um dos motivos que a fez ir para os palcos. Ela sentia que, enquanto estava nos palcos, seus problemas não existiam.

Judy e seus pais
Judy e seus pais. | Foto: Reprodução.

Paralelamente, existia a questão da sexualidade de seu pai. Frank era gay e escondia isso. No entanto, seus encontros com outros homens começaram a ser do conhecimento dos moradores de Grand Rapids. O que causou uma diminuição do público nos espetáculos dos Gumm (estamos falando do início do século XIX, a homossexualidade era tratada não só como um desvio moral, mas também como uma doença).

Mudança para a Califórnia

Devido à queda no público e, consequentemente, na arrecadação ocasionada pelo preconceito acerca da sexualidade de Frank, ele e a família se mudam para Lancaster, na Califórnia. Lá, ele compra outro teatro e sua família recomeça a vida como artistas de vaudeville.

É justamente após essa mudança que outro ponto complicado na vida de Frances começa. Sua mãe, Ethel Gumm, percebeu na filha um talento nato para os palcos e queria que Frances se tornasse uma atriz de Hollywood. A partir daí, ela passa a oferecer à filha anfetamina, para melhorar o desempenho da filha.

Posteriormente, Judy afirmou que a mãe era muito severa em questão de ensaios e performances, e que ela, inclusive, lhe fazia ameaças de castigos físicos. Ao contrário da relação com a mãe, Frances tinha uma boa relação com o pai, a quem ela disse várias vezes que admirava bastante.

O surgimento de Judy Garland

The Gumm Sisters
The Gumm Sisters, grupo formado por Judy e suas irmãs. | Foto: Reprodução.

Com o passar dos anos, o show das The Gumm Sisters ficou cada vez mais famoso. Elas chegaram a viajar para Boston e outras cidades para fazer apresentações. O problema é que o nome do grupo não soava bem, inclusive, algumas vezes quando era apresentado gerava gargalhadas da plateia. Então, decidiram trocar o nome do grupo para algo mais chamativo sonoramente e surgiu o nome Garland (guirlanda em inglês). O grupo, agora, chamava-se The Garland Sisters, e a pequena Frances era Judy Garland.

Apesar do sucesso do grupo, em 1934, o The Garland Sisters chegou ao fim. Uma das irmãs de Judy decidiu casar-se, o que levou à separação do grupo. Contudo, um ano depois, a pequena Judy foi contratada pela Metro-Goldwyn-Mayer, maior estúdio da época, após o próprio Louis B. Mayer (um dos fundadores do estúdio) ouvi-la cantar. Ainda em 1935, Frank morreu de meningite. Algo que abalou bastante Judy, que mesmo com a morte do pai, teve que continuar com a agenda de shows marcados.

Louis B. Mayer
Judy e Louis B. Mayer tomando milkshake. | Foto: Reprodução.

Vale ressaltar que o contrato de Judy foi feito de modo impetuoso por parte do Louis B. Mayer, não sabiam ainda como usar ela nas produções da empresa. Judy era velha demais para ser considerada uma atriz mirim, tal como Shirley Temple. Mas também era nova demais para papéis mais adultos. Isso fez com que ela passasse um bom tempo sem ser chamada para uma grande produção.

É aí que nasce os problemas de autoestima que Garland leva para o resto da vida. O Louis, por exemplo, a chamava de corcundinha e costumava compará-la constantemente com outras atrizes, tais como Ava Gardner e Lana Turner.

Judy e Mickey Rooney juntos
Judy e Mickey Rooney juntos. | Foto: Reprodução.

Em 1938, Judy recebe um papel para atuar em Andy Hardy. Ela contracenava com Mickey Rooney, ator com o qual manteve uma longa amizade (não só durante as gravações, mas durante toda a vida). O papel perpetuava a ambiguidade da imagem pessoal da Judy Garland, ela encenava uma mocinha que nunca saia da friendzone (ela nunca era suficiente).

A rotina de gravação era exaustiva para os dois atores, chegando até a 16 horas seguidas. Tanto Judy quanto Mickey tomavam remédios para se manterem animados durante as gravações e, para dormirem, nos momentos de descanso.

O Mágico de Oz

Dorothy Gale
Judy Garland no papel de Dorothy Gale. | Foto: Reprodução.

Um ano depois, a jovem atriz é chamada para atuar em O Mágico de Oz (1939). Ela não era a primeira opção da  MGM (Metro-Goldwyn-Mayer), eles desejavam uma atriz mais jovem. Judy acabou pegando o papel pela voz maravilhosa que tinha.

Por ser um papel infantil, ela foi obrigada a seguir uma dieta super restritiva, usar uma espécie de capa sobre os dentes, um arco para moldar o nariz, além de usar um corset que afinava sua silhueta, para parecer mais infantil. Nessa época, Judy tinha apenas dezesseis e toda essa pressão acerca de sua imagem a incomodava bastante.

Ela costumava fugir nos intervalos das gravações para ver Mickey, ele lhe oferecia comida. Porém, se alguém visse isso, logo repreendiam. O diretor do filme, Victor Fleming, sempre que isso ocorria, a comparava com outras atrizes. Victor ressaltava que ela não era tão linda quanto as outras, no entanto, não era terrivelmente feia. E era por isso que devia fazer de tudo para honrar a oportunidade que havia ganho, interpretar um papel importante (já que ela não teria porte para isso). Em casa, sua mãe fiscalizava tudo que a filha ingeria e ameaçava sempre contar para o diretor qualquer deslize alimentar.

Fora as restrições alimentares, Judy também era obrigada a tomar anfetaminas para se manter esperta e para emagrecer, além de barbitúricos para poder dormir. A atriz atribui a esse período o início da dependência química que lhe acompanhou pelo resto da vida. Sem comer direito, Judy costumava fumar muito durante os intervalos, chegando a fumar até 80 cigarros por dia.

De acordo com uma biografia escrita por um dos maridos de Judy, Sidney Luft, a jovem também sofreu assédios sexuais durante as gravações. Ele escreve que, na cena em que Dorothy (Judy) chega a Oz e é recebida pelos munchkins (interpretados por atores anões), esses atores anões passavam a mão por baixo do vestido da Judy. Além desse episódio, a própria Judy afirmou, ainda em vida, que sofreu assédios vindos de Louis B. Mayer e outros produtores da MGM.

Existem relatos que, quando as gravações acabaram, todos se reuniram para comemorar o término dos trabalhos. Apesar de todos estarem felizes, Judy aparentava tristeza. Dizem que ela chorava e questionava por que tinha que ser assim. Sua mãe, que estaria no set, presenciou tudo e não a consolou.

Os vários casamentos

Um ano após o lançamento de O Mágico de Oz, Judy se apaixonou por Artie Shaw (um músico americano). O músico já tinha tido um affair com a Lana Turner, mas não tinha dado certo. Judy e Artie viveram um breve caso, a jovem achava que iria casar com o homem. No entanto, logo após, Artie casou-se com Lana Turner (quebrando o coração de Judy).

Judy e David Rose juntos
Judy e David Rose juntos. | Foto: Reprodução.

Em 1941, já muito irritada com o controle empenhado pela mãe e os produtores da MGM, decidiu casar-se (com um marido, sua mãe não poderia influenciar nos seus trabalhos). Ela casou-se com o compositor britânico David Rose. Após um ano do casório, ela engravidou, uma bomba para a MGM. Tanto o marido, quanto a produtora não queriam Judy grávida e a forçaram aceitar um aborto (algo que a Judy, posteriormente, disse se arrepender muito de ter feito). O casamento não durou muito, principalmente após o desgaste com a gestação, chegando ao fim em 1944.

Vincente Minnelli
Judy e Vincente Minnelli. | Foto: Reprodução.

Nesse mesmo ano, ela conheceu o cineasta Vincente Minnelli, com quem casou em 1945. Já em março de 1946, nasceu a primeira filha de Judy, Liza Minnelli. Garland teve depressão pós-parto e acabou sendo internada em um sanatório por um período. No ano seguinte, ela cometeu a primeira tentativa de suicídio, ela cortou os pulsos com vidro quebrado.

Devido a toda a situação psicológica pela qual ela passava, não conseguia oferecer seu melhor nas gravações (não decorava as falas, mostrava-se dispersa, entre outras situações). Então, ela acabou sendo afastada de várias produções da MGM, sendo demitida oficialmente em 1950. Após a demissão, tentou suicídio outra vez, cortando o pescoço com vidro quebrado. Fato que foi noticiado pela imprensa da época. Também, no mesmo ano, seu casamento com Vincente chegou ao fim.

Judy e SIdney Luft
Judy e SIdney Luft. | Foto: Reprodução.

Porém, logo engatou um romance com o produtor americano Sidney Luft, com quem casou-se em 1952. Ele foi responsável por reinventá-la como uma performer de teatro, já que os estúdios de cinema não a queriam mais. Ele também foi responsável por conseguir o papel para ela na segunda versão de A Star is Born (1954).

Durante as gravações do longa, Judy, que estava limpa fazia um tempo, voltou a usar anfetaminas e barbitúricos para cumprir com a agenda de gravações. Apesar de Sidney ter feito a imagem da mulher renascer, dentro de casa, o homem era agressivo e controlador (há relatos de agressões físicas).

Foi durante o período em que esteve casada com Luft que a atriz tentou suicídio novamente. Dessa vez, ela cortou a garganta com uma lâmina de barbear, o marido a encontrou no banheiro ensanguentada. O corte foi profundo ao ponto de necessitar de uma transfusão de sangue urgente. Depois do incidente, Judy passou a usar blusas de gola alta e colares de pérolas para encobrir a cicatriz. O marido chegou a dizer que ela não retirava o colar de pérolas nem para dormir.

Judy e Mark Herron
Judy e Mark Herron. | Foto: Reprodução.

Em 1964, o casamento de Judy e Luft chegou ao fim. A atriz logo engatou um romance com o também ator Mark Herron, que acabou levando Judy a se casar pela quarta vez. Eles se casaram em Las Vegas, no final de 1965. No entanto, o casamento não durou muito.

Após cinco meses, Judy separou-se de Mark, alegando que o homem havia lhe espancado. O divórcio foi extremamente conturbado, devido às acusações de ambas as partes (Mark afirmava que apenas havia reagido a uma agressão anterior por parte de Judy) e só chegou ao fim em 1969.

última foto de Judy Garland
Judy no aeroporto de Londres, já visivelmente debilitada. | Foto: Reprodução.

Várias fotos deste período mostram o quanto a sua saúde estava debilitada, nessas imagens, ela aparece extremamente magra. Sua dependência química que havia voltado após as gravações de A Star is Born (1954) estava cada vez mais forte. Ainda em 1969, Judy casou-se novamente, desta vez com o músico Mickey Deans. O casamento foi firmado poucos meses antes da morte de Judy.

A morte de Judy Garland

Funeral de Judy
Funeral de Judy. | Foto: Reprodução.

Judy faleceu em 22 de junho de 1969, poucos dias após completar quarenta e sete anos. A causa da morte foi uma overdose acidental de barbitúricos. O corpo da atriz foi encontrado no banheiro de sua casa alugada em Londres, pelo marido Mickey.

Mais de 20.000 pessoas fizeram fila para ver o caixão da Judy Garland na Frank E. Campbell, em Nova York. Seu corpo foi enterrado também em Nova York, no Ferncliff Cemetery. Apenas em 2017, a pedido dos filhos, os restos mortais da atriz foram transferidos para o Hollywood Forever Cemetery, em Los Angeles (um cemitério voltado para celebridades).

O legado

calçada da fama
Estrela de Judy na calçada da fama. | Foto: Reprodução.

Sem sombra de dúvidas, Judy marcou a história do cinema. Até hoje, sua atuação em O Mágico de Oz é lembrada. A canção Somewhere Over the Rainbow na versão de Garland continua sendo escutada. E é muito provável que você, mesmo que nunca tenha assistido a algum filme dela, reconheça ou tenha visto em algum lugar uma imagem dela.

Esse legado para cultura pop é tão importante que, de acordo com o American Film Institute, ela é a oitava entre as maiores estrelas de Hollywood de todos os tempos. E sua história é relembrada por diversas obras literárias e cinematográficas.

Judy Garland e a comunidade queer

comunidade queer
Os shows de Judy era bastante frequentado pela comunidade queer. | Foto: Reprodução.

Um fato curioso sobre a vida de Judy Garland é que ela era considerada um ícone da cultura LGBT de sua época, tal qual as divas pop hoje em dia. Muitos gays se identificavam com a vida de sofrimento e opressão da atriz. Durante a década de 50, “ser amigo de Dorothy” (referência ao papel interpretado por Garland, em O Mágico de Oz) foi uma expressão utilizada dentro da comunidade LGBT americana para identificar alguém como pertencente a comunidade.

Pessoalmente, Judy tinha uma relação próxima com pessoas LGBT. Além do pai, pelo menos dois de seus maridos eram gays ou bissexuais (Vincente Minnelli e Mark Herron). Judy também costumava frequentar bares gays com seus amigos abertamente gays Rogers Edens, Charles Walters e George Cukor. Algumas pessoas relacionam o velório dela (27 de junho) com a revolta de Stonewall (ocorrida na madrugada de 28 de junho), já que muitos homens gays que foram ao velório acabaram indo beber e lamentar a morte de Judy na boate.

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Por Jefferson Ricardo – Fala! UFPE

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