Quem foi Cora Coralina, também conhecida como Aninha?
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Quem foi Cora Coralina, também conhecida como Aninha?

Quem foi Cora Coralina, também conhecida como Aninha?

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Uma das maiores riquezas da literatura goiana sem sombra de dúvidas são as histórias e contos de Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Aninha, como também era conhecida. Natural da Cidade de Goiás, Ana começou sua produção literária aos 14 anos, e aos 15, se tornou Cora. Carolina veio depois para dar uma sonoridade mais simpática. 

A combinação, por sinal, agradou! Cora Coralina se tornou uma prestigiada contista e poeta brasileira. Tanto talento encantou Carlos Drummond de Andrade, que, ao tomar conhecimento da obra da ilustre goiana, lhe escreveu uma carta onde coloca a poetisa como patrimônio dos brasileiros amantes de poesia. 

“Minha querida amiga Cora Coralina: Seu Vintém de Cobre é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia (…)”.

Cora Coralina
Cora Coralina. | Foto: Reprodução.

Cora Coralina: uma voz feminina na literatura

Em tempos onde o patriarcado ainda reinava e mulheres não eram respeitadas como grandes escritoras, cantoras ou não ocupavam cargos de alto escalão na sociedade, ser uma pessoa como Cora Coralina era um ato de rebeldia.

Em 1911, fugiu com o advogado divorciado Cantídio Tolentino Bretas, para o interior de São Paulo. Um escândalo para a cidade até então pouco conhecida. Mesmo afastada de suas origens, Cora não deixou de escrever, e foi até convidada para a Semana de Arte Moderna em 1922, porém não participou por empecilho do marido. 

Seus textos contribuíram com uma sociedade que começara, então, a se transformar social e culturalmente, e hoje são vistos como revolucionários, mesmo que simplórios. 

Beleza cotidiana

Cora Coralina escreveu ao longo de toda vida, porém, teve seu primeiro livro publicado em 1965, quando a poetisa já contabilizava 75 anos. Quase leiga, Cora escrevia sobre seu dia a dia, casos que corriam pelas ruas pacatas da Cidade de Goiás e tudo mais que sua delicadeza foi capaz de perceber.

Logo, encantou com a simplicidade e expressividade de seus textos, fato que a consagra como um marco na literatura brasileira. Entre um verso e outro, Cora Coralina mantinha a tarefa de fazer doces, atributo que enriquece a aconchegante imagem de uma senhora simpática e agradável. 

literatura brasileira
Cora Coralina é um marco da literatura brasileira. | Foto: Reprodução.

Reconhecimento

Pela qualidade de seus trabalhos como escritora, Cora Coralina recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal de Goiás em 1982, no ano seguinte, o Troféu Juca Pato, tornando-se a primeira mulher a recebê-lo. Tomou posse da cadeira nº. 5 da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás e, em 1984, foi nomeada para a Academia Goiana de Letras, ocupando a cadeira nº. 38.

Cora Coralina faleceu em Goiânia, Goiás, em 10 de abril de 1985.  

A senhora goiana do interior, doceira, singela, que encantou ao escrever sobre o tempo e a vida, ainda é uma das leituras preferidas dos brasileiros. Em tempos adversos, uma boa leitura, leve e simples, pode causar uma sensação confortante por trazer temas que despertam sensações familiares e comuns. 

Poema: Aninha e Suas Pedras

Não te deixes destruir…

Ajuntando novas pedras

e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.

Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha

um poema.

E viverás no coração dos jovens

e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.

Toma a tua parte.

Vem a estas páginas

e não entraves seu uso

aos que têm sede.

Cora Coralina

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Por Maria Fernanda Ribeiro – Fala! UFG

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